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De volta ao mainframe

Os mainframes estão de volta! Aliás, estão na moda. Mas não aqueles que rodavam MVS, ocupavam o CPD inteiro e exigiam resfriamento à água.

Refiro-me aos servidores frutos da tendência atual de TI Verde que estão consolidando boa parte do processamento das empresas e que rodam Linux, Unix ou até mesmo Windows. E quem os tem não os chama de mainframe, mas apenas de “servidor principal”.

Quem está no mundo da tecnologia há algum tempo percebe que os conceitos atuais de consolidação e virtualização, pilares básicos da TI verde, remontam à década de 70, quando a IBM criou a VM (Virtual Machine). Esta criação, disseminada com o IBM/370 com o sistema operacional VM, permitia que um único mainframe fosse dividido em vários servidores virtuais independentes um dos outros. Esse recurso possibilitava a maximização da utilização do hardware e a multiplexação do seu uso por várias áreas da empresa ou até mesmo por várias empresas diferentes. Quem precisava e podia ter seu próprio mainframe sugava até a última gota de processamento do seu asset. Outras empresas recorriam aos Bureaus de Serviços, que alugavam as máquinas virtuais para diversos clientes simultaneamente.

Mas a tecnologia da informação virou diferencial competitivo e como o mainframe não era acessível para todos, a indústria criou o Downsizing na década de 90. Era a chance de novos fabricantes irem buscar clientes com seus produtos que rodavam UNIX.

Nesta época o “servidor departamental” começou a se proliferar e se multiplicou muitas vezes até chegar ao CPD, substituindo o mainframe que algumas empresas já possuíam. E eles foram os responsáveis pelo acesso de muitas outras empresas menores à Tecnologia da Informação.

O fato é que em muitas empresas o crescimento desenfreado destes servidores acabou criando outros problemas: utilização ineficiente do hardware, complexidade na administração e heterogeneidade demasiada nos sistemas operacionais. Então, aos poucos, alguns CIOs começaram a juntar estes servidores no mesmo ambiente e a pensar em como otimizar o seu uso.

A primeira iniciativa foi a consolidação. Era necessário diminuir o número de servidores espalhados pela empresa e trazê-los para perto de uma equipe centralizada de administradores.

Em 1999, surgiu a VMware, empresa criada por ex-IBMers que conheciam virtualização e viram na bagunça dos servidores Intel subutilizados a oportunidade de otimizar o processamento com o seu software.

Em 2001, a IBM lançou seu primeiro servidor UNIX com particionamento lógico. O pSeries p690 permitia que até 16 máquinas virtuais, chamadas de LPARs (Logical Partitions), fossem criadas e rodassem simultaneamente o Sistema Operacional AIX ou Linux.

Estava pronta a infra-estrutura necessária para consolidar o ambiente de TI. Empresas atentas aos benefícios da consolidação através da virtualização adotaram rapidamente uma destas alternativas para tornar seus ambientes de TI mais eficientes, reduzir a complexidade e melhorar a administração.

Mas faltava talvez uma força maior que impulsionasse todos os clientes para esta solução. Daí veio a “onda verde”. Começou-se a dar mais importância aos custos de energia elétrica e ao espaço utilizado pelos servidores. Percebeu-se que isto era uma componente importante no custo total da área de TI. Soma-se a isso a importância para a natureza de se poupar alguns Kwatts e finalmente todo mundo começa a analisar seus ambientes computacionais e a tentar otimizá-los.

É aí que entra o meu conceito de “mainframe”. Para empresas que possuem até 10 servidores Intel é possível afirmar que cada um tem utilização média de menos de 50% (estudos do IDC e Gartner dizem que a utilização varia entre 5 e 15%). Se eles tiverem entre dois e cinco anos, devem ter processadores de 2 GHz. Isso significa que este cliente usa 10 GHz de processamento (10 servidores x 2 GHz x 50% de utilização). Ele estaria apto a comprar um “mainframe” Intel com 2 processadores quad-core de 3 GHz, particionar a máquina em 10 VMs e ainda aumentar a performance total do seu Data Center.

Em uma empresa que tem 50 servidores UNIX com idade média de três anos, pode-se sem dúvida seguir o mesmo raciocínio. Um único servidor UNIX com processadores Power6 da IBM pode substituir com folga 25 servidores UNIX mais velhos, IBM ou não. Com dois “mainframes” destes, particionados em 25 VMs cada um, você tem não só a otimização de infra-estrutura, energia elétrica e espaço, mas também consegue implementar alta disponibilidade em todo o seu CPD, fazendo um servidor se apoiar no outro em caso de falha.

Enfim, este movimento de consolidação, considerando os benefícios da TI verde, já está acontecendo. Muitos clientes já compraram seus “mainframes” e estão economizando com suas soluções. Vão concentrar o processamento nos seus Enterprise Data Centers, criar nuvens de processamento (Cloud Computing) que sejam acessadas de suas filiais e escritórios remotos e utilizarão soluções de aceleração de WAN, como Riverbed, para otimizar a comunicação. É um movimento que faz todo o sentido e não tem contra-indicações. Cada um tem que descobrir o tamanho do seu mainframe, marca e sistema operacional e seguir em frente.

Considerando o tamanho dos servidores atuais e a utilização de recursos que eles exigem, só vai precisar construir uma Glass House quem realmente for saudosista.

é diretor-executivo da SERVICE IT Solutions.

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