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Como decidir o que estudar em tecnologia quando tudo parece importante

Como decidir o que estudar em tecnologia quando tudo parece importante
Imagem: John Calistro

Como relacionar seus estudos ao trabalho que você pretende realizar e descobrir o que precisa praticar primeiro.

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Quando chega a hora de estudar, você tem uma lista enorme de assuntos e pouco tempo disponível. E ainda fica aquela dúvida se está estudando a coisa certa.

Uma pergunta que eu faria nessa situação é: para que tipo de trabalho você está se preparando?

Não precisa de uma resposta definitiva. Principalmente no início da carreira, é normal conhecer poucas atividades e ainda estar descobrindo o que gosta de fazer. Mas ter uma direção, mesmo provisória, ajuda bastante na escolha do próximo assunto.

Aprender uma tecnologia é apenas parte da preparação

Quando alguém me diz que está aprendendo Python, uma das coisas que eu gostaria de saber é o que essa pessoa pretende fazer com a linguagem.

Python pode ser usado para analisar dados, automatizar tarefas, desenvolver aplicações web e realizar muitas outras atividades. Cada uma dessas possibilidades exige conhecimentos que vão além da sintaxe da linguagem.

Imagine duas pessoas estudando Python. Uma trabalha no atendimento de uma empresa e quer analisar os registros de chamados para identificar problemas recorrentes. A outra pretende desenvolver uma API para receber e processar pedidos de um sistema.

As duas podem começar pelo mesmo curso, mas, em algum momento, os estudos precisam seguir caminhos diferentes.

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À esquerda, uma pessoa consulta dados fictícios de atendimento em um notebook. À direita, um monitor representa o processamento de pedidos. A palavra Python conecta as duas atividades.

Eu gosto de pensar na preparação profissional a partir da atividade que a pessoa quer aprender a realizar. Isso ajuda a escolher os exercícios e também a perceber quando um curso interessante pode esperar.

Por exemplo, alguém interessado em análise de dados poderia escrever:

“Quero explorar a área de análise de dados porque gosto de investigar problemas operacionais e entender o que os números podem mostrar.”

Essa frase já indica uma direção para pesquisar vagas, conversar com profissionais e experimentar algumas atividades.

Talvez, depois de trabalhar com uma base de dados, a pessoa descubra que gosta mais de preparar e organizar as informações do que de fazer análises. Ótimo, agora ela conhece um pouco mais sobre o trabalho e pode ajustar seus estudos.

Escolha uma atividade para experimentar

Uma dificuldade comum de quem está começando é tentar decidir toda a carreira antes de conhecer o trabalho.

Eu começaria escolhendo uma atividade que desperte interesse e que seja possível experimentar nas próximas semanas.

Se você está em dúvida entre desenvolvimento frontend e análise de dados, por exemplo, pode reservar uma semana para construir uma interface simples e outra para organizar e analisar uma planilha.

Durante os exercícios, observe o que acontece. Em qual atividade você teve mais interesse em resolver problemas? O que conseguiu fazer sozinho? Quando encontrou uma dificuldade, teve vontade de investigar ou preferiu apenas terminar logo a tarefa?

Claro que duas semanas não são suficientes para conhecer uma profissão. Mas essa experiência pode ajudar a formular perguntas melhores e decidir o que investigar depois.

Também levaria em consideração a rotina disponível. Uma pessoa que trabalha o dia inteiro e tem apenas quatro horas semanais para estudar precisa escolher atividades menores. Se você está fazendo uma transição de carreira e precisa manter sua renda atual, isso também influencia o planejamento.

Não vejo vantagem em montar um plano que parece excelente no papel, mas que você não consegue executar.

Use as vagas para conhecer o trabalho

Depois de escolher uma direção, eu procuraria algumas vagas relacionadas à atividade de interesse.

Não começaria pela lista de tecnologias exigidas. Primeiro tentaria entender o que a empresa espera que o profissional faça.

Separe de três a cinco anúncios, de preferência de empresas diferentes e compatíveis com o nível profissional que você está investigando. Essa quantidade já permite uma comparação inicial, embora não represente todo o mercado.

Leia as descrições e procure as atividades. Uma vaga pode mencionar investigar problemas, desenvolver funcionalidades, escrever testes, documentar processos ou analisar informações.

O que essas atividades significam na prática?

Imagine uma vaga de análise de dados que mencione SQL, Excel e Python. Antes de decidir estudar as três ferramentas, procure entender o trabalho descrito.

A pessoa vai consultar dados existentes? Preparar relatórios? Identificar inconsistências? Construir indicadores para acompanhar uma operação?

Dependendo das responsabilidades, talvez seja mais útil começar aprendendo a organizar uma base de dados e conferir seus resultados do que iniciar três cursos ao mesmo tempo.

Observe também o que consta como requisito e o que a empresa considera diferencial. Se estiver procurando estágio, confira as condições de elegibilidade.

Eu anotaria as atividades que aparecem com frequência e os conhecimentos relacionados a elas. Quando uma descrição não estiver clara, guardaria a dúvida para conversar com alguém que já trabalha na área.

Um cuidado: não junte todos os requisitos encontrados nas vagas para criar uma lista gigantesca de estudos. Empresas têm necessidades diferentes e nem sempre os anúncios descrevem bem o trabalho.

A ideia aqui é conhecer melhor a função que você pretende exercer.

Descubra o que você já consegue fazer

Existe uma diferença importante entre conhecer um assunto e conseguir realizar uma atividade usando esse conhecimento.

Você pode ter acompanhado uma aula sobre tratamento de dados, entendido os exemplos e até reproduzido os comandos apresentados pelo professor. Mas será que conseguiria fazer o mesmo com uma base diferente?

Vamos continuar com o exemplo de uma pessoa que trabalha no atendimento e está explorando análise de dados.

Ela conhece os problemas mais frequentes dos clientes e quer aprender a investigar os registros de atendimento para identificar padrões.

Ao comparar seus conhecimentos com as atividades encontradas nas vagas, poderia chegar a este registro:

  • Atividade que quer aprender: preparar dados para análise.
  • O que já consegue fazer: filtrar uma planilha e organizar os registros por categoria.
  • O que precisa praticar: identificar registros duplicados, tratar campos vazios e verificar se os totais estão corretos.
  • Como demonstrar o aprendizado: preparar uma base fictícia de atendimentos e explicar as alterações realizadas.

Perceba que a dificuldade ficou mais específica. Em vez de simplesmente concluir que precisa aprender análise de dados, ela identificou uma atividade que ainda não consegue realizar com segurança.

Isso facilita bastante a escolha do próximo estudo.

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Vista superior de uma mesa com planilha fictícia, linhas e célula vazia destacadas em laranja. Dois cartões listam o que a pessoa já consegue fazer e o que precisa praticar.

E não estou sugerindo que você precise fazer tudo sem consultar documentação ou pedir ajuda. Profissionais experientes também fazem isso.

O que eu observaria é o quanto você compreende do procedimento, quais decisões consegue tomar e se sabe verificar o resultado. Se precisar de ajuda para resolver uma parte, registre. É uma informação útil para o próximo exercício.

Escolha o que praticar primeiro

Depois dessa comparação, provavelmente você terá encontrado várias coisas que ainda precisa aprender.

Eu escolheria uma delas para trabalhar primeiro, considerando sua relação com a atividade profissional e o tempo disponível.

No exemplo anterior, a pessoa poderia começar pelo tratamento de dados em planilhas. Não há motivo para iniciar imediatamente outro curso de programação se a dificuldade que ela identificou pode ser trabalhada com as ferramentas que já conhece.

Um exercício possível seria criar uma base de dados fictícia com registros de atendimento, incluindo categorias diferentes, informações duplicadas e alguns campos sem preenchimento.

A tarefa seria organizar esses dados e produzir um relatório simples com a quantidade de atendimentos por categoria.

Durante o trabalho, ela precisaria decidir como tratar os registros duplicados, o que fazer com os campos vazios e como verificar se os números apresentados no relatório correspondem aos dados preparados.

Ao terminar, eu pediria uma explicação das decisões tomadas. Por exemplo, se havia 150 registros na base original e o relatório considera apenas 142, é importante explicar essa diferença.

Esse tipo de exercício permite descobrir dificuldades que nem sempre aparecem quando estamos apenas assistindo a uma aula.

Um curso pode fazer parte da preparação, especialmente quando você ainda não conhece os procedimentos necessários. Nesse caso, eu procuraria aulas relacionadas à dificuldade encontrada e depois tentaria aplicar o conteúdo em outro conjunto de dados.

Também ajustaria o tamanho da tarefa à rotina. Se a proposta estiver grande demais, comece com uma base menor. É preferível concluir um exercício e entender o que fez para acumular vários projetos iniciados.

Registre sua decisão e revise depois

Para colocar esse exercício em prática, eu reservaria alguns minutos para responder a cinco perguntas:

  1. Qual função ou atividade profissional quero explorar?
  2. O que encontrei nas vagas que preciso conhecer melhor?
  3. O que já consigo fazer e como posso demonstrar isso?
  4. Qual dificuldade vou trabalhar primeiro?
  5. O que pretendo produzir e quando vou avaliar o resultado?

Não precisa criar um planejamento complicado. Um documento simples já resolve.

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Ficha sobre uma mesa lista preparar dados, entregar relatório com decisões e revisar resultados e dificuldades. Ao lado aparecem calendário sem data, relógio, lápis e xícara.

Depois do período escolhido, volte às respostas e compare com o que aconteceu.

Talvez você tenha concluído a atividade e esteja pronto para experimentar algo mais difícil. Pode ser que descubra uma dificuldade anterior que precisa resolver ou perceba que aquela função é diferente do que imaginava.

Eu também não esperaria terminar toda essa preparação para começar a conversar com profissionais ou me candidatar a oportunidades compatíveis com meu momento. Essas experiências ajudam a conhecer o trabalho e podem trazer informações que nenhum curso oferece.

Na próxima vez que encontrar um curso interessante, experimente perguntar qual atividade pretende aprender a realizar com aquele conteúdo. Se não conseguir responder, talvez valha a pena investigar um pouco mais antes de colocá-lo na sua lista de estudos.

Se você está tentando decidir o que estudar, considerando seu momento profissional e o tempo disponível, conheça o Mapa de Carreira.

É uma orientação individual comigo, na qual trabalhamos suas dúvidas, seus objetivos e as dificuldades que você está enfrentando para definir prioridades e organizar os próximos passos.

John Calistro é mentor de empregabilidade em tecnologia e autor de conteúdos práticos sobre portfólio que contrata, IA para estudar e revisar código, entrevistas e posicionamento no LinkedIn. Ajuda iniciantes e migrantes a sair da estagnação e conquistar o 1º emprego com projetos que mostram impacto real.

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