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Chris Anderson é um assassino mais rápido (e ineficaz) do que eu…

A morte da Web foi “decretada” em agosto pela Revista a Wired. Mas será que ela, de fato, morreu? Esse será um dos pontos de discussão do iMasters InterCon 2010, que acontece nesta semana, na sexta (19) e no sábado (20), em São Paulo. Confira abaixo uma ponto de vista interessante sobre o tema.

Quem assistiu minha palestra “Os Assassinos de Mídias X Classe C e E-commerce” sabe da minha crítica feroz aos deslumbrados da web e aos criadores de factóides para aparecer. Na minha palestra, mostro as mortes absurdamente anunciadas do E-mail, do Facebook, do Vídeo Clipe, dos Blogs, do E-mail Marketing e do próprio Marketing.

Pois bem, quem anuncia a morte de uma mídia ganha repercussão e alguma polêmica. Não se ganha mídia espontânea falando o óbvio.

Baseado nesse raciocínio e sedento por fama, pensei com os meus botões: “para aparecer, preciso matar algo grande, enorme, totalmente impossível de ser assassinado e preciso fazer rápido…Já sei, vou matar a própria WEB” Fui lento. Muito lento. Em agosto, a revista Wired deu a capa por seu editor e, como os outros assassinos acima, nosso híper Hype Chris foi direto e sentenciou: “The web is dead”.

Vejam, o curioso desse tipo de frase de efeito, desse tipo de declaração mais sensacionalista que as manchetes no Notícias Populares é que Chris Anderson não diz que a web está doente, que sua mãe subiu no telhado, mas que ela…morreu!! Essa é a parte engraçada. Na minha palestra, ilustro bem que todos os outros assassinos (sempre mal sucedidos) usaram esse tipo de conjugação verbal. Passado. Morreu. Não há melhor efeito. Se a morbidez do ser humano já nos faz ler notícia de morte até de desconhecidos, imagina quando sabemos da morte da web, nossa querida e novinha web, pela própria…. Web!! Mas que tal!

Sim, vejam que a própria Wired não acredita muito na sua sentença, pois eu mesmo li sua matéria, na World Wide Web, ou seja, no website da Wired. Que curioso, continua vivo e com a cara de pau de publicar uma notícia dessas. Quem quiser, leia resumo no site (pois é…) da Info em português.

O problema da matéria não é o argumento, e sim o sensacionalismo barato, o hype e o deslumbramento com nossos novos horizontes digitais.

Sim, a internet vem ganhando cada vez mais tráfego independente da web. Sim, os aplicativos vêm ganhando cada vez mais adeptos e isso configura não uma morte, mas uma discussão interessante do que vem pela frente. Na minha opinião, não tanto pela eficiência dos aplicativos, mas por causa dos Smartphones. E, vejam, isso será um fenômeno mais de países como Brasil e menos de países como os Estados Unidos. Porque países mais pobres tendem a ter suas classes mais numerosas optando pelo hardware mais barato para acessar a web, o Smartphone. E, nesse caso, o aplicativo em grande parte (grande parte não tudo) é mais eficiente do que o browser.

Mas há vários e vários furos na teoria de Anderson, e por isso o acuso de sensacionalista. A primeira é que os aplicativos não têm a abrangência da web e não raro a indicam para leitura completa ou mesmo acesso completo de serviços. É assim com Twitter, aplicativos de bancos, de notícias e, vejam, até mesmo de revistas. A própria Apple, via iTunes e Apple Store, nos joga seguidamente para seu site, local mais apropriado segundo ela para compra de diversos produtos, como por exemplo o Livro de Fotos do iPhoto. Ou para leitura de alguns contratos…

O próprio FlipBoard, aplicativo que indica a web para leitura completa, a exemplo de outros aplicativos, tem seu próprio Browser, mas ainda assim um Browser. E, mesmo assim, um Browser bem inferior aos que estamos acostumados a usar.

Pior ainda é se dar conta, conversando com dezenas de tuiteiros, que é impressionante a quantidade deles que não tem aplicativo algum e segue usando o site do Twitter. Certamente pior para ler e para tuitar que a maioria dos aplicativos gratuitos para Twitter. Facebook? Nem se fala. Voltando à minha eterna teoria, nem 8, nem 80. 44. Sempre.

Os aplicativos vão crescer muito, sem dúvida. Assim como os sites continuarão a crescer e muito. E nem vou iniciar a discussão sobre o HTML5, primeiro porque não é minha área. E segundo porque a melhor explicação que ouvi sobre ele foi que ele substitui, ou faz as vezes de aplicativo…

Chris Anderson foi sensacionalista, daquele do pior estilo. Para vender revista. Técnica manjada, apelar na capa.

Não (ou Not), The Web is not Dead. O mundo da comunicação está ficando cada vez mais complexo e tudo se soma dificultando a vida das empresas e ajudando os consumidores. Nada morrerá, talvez nem mesmo os jornais. A única morte aqui é a do bom senso de Chris Anderson, um cara que deseja ser levado a sério. Assim fica difícil.

é diretor de Comercial e Marketing da Dinamize, diretor da ABRADI-RS, fotógrafo, idealizador do evento E-Mail Marketing Brasil, Papo de Primeira e autor de dois cases vencedores do Top de Marketing da ADVB, em 2003 e em 2006.

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