OpenAI e Anthropic dizem ter derrubado a mesma hipótese de 25 anos da computação. É verdade?
OpenAI e Anthropic alegaram, em dias seguidos, ter refutado uma hipótese de 25 anos da ciência da computação; veja o que cada uma diz e o que o exame independente já mostra.
O que foi dito
Um modelo interno da OpenAI produziu uma "suposta refutação" da Hipótese do Tempo Exponencial (ETH), hipótese de mais de 25 anos da ciência da computação sobre o problema 3-SAT, escreveu Ryan Williams, professor do MIT. Horas depois, a Anthropic publicou outra suposta refutação, já listada ao lado da primeira pelos examinadores.
Os próprios examinadores avisam: examinar não é aprovar. O caso envolve o que é a ETH, o que cada empresa alega, quem confere os resultados, o que dizem os especialistas e o que essas alegações não significam.
O que é a ETH
A ETH foi proposta por Russell Impagliazzo e Ramamohan Paturi, da Universidade da Califórnia em San Diego, por volta do ano 2000. Ela diz que é possível acelerar a solução do problema 3-SAT, mas não escapar do crescimento exponencial do trabalho. Centenas de resultados da computação foram provados assumindo que ela é verdadeira.
O que cada empresa alega
A OpenAI publicou um artigo de 67 páginas dizendo que a ETH é falsa, com prova verificada em Lean, linguagem em que o computador confere cada passo da demonstração. A Anthropic publicou o próprio artigo, dizendo que um modelo interno do Claude achou o algoritmo em 16 de outubro, sem intervenção humana.
A Anthropic ressalva, na página do projeto, que o Lean confere as provas, mas nenhuma máquina confere se o enunciado formal diz o que o artigo diz.
Quem examina a alegação
Williams, junto com Impagliazzo e Paturi, criadores da ETH, foi convidado pela OpenAI a organizar um exame aberto e independente, sem acordo de confidencialidade e sem pagamento, segundo ele.
“Nossa participação não deve ser vista como certificação da alegação”
Williams contou a reação dele à OpenAI: "Eu perguntei: vocês têm certeza? Responderam que tinham verificado em Lean. Eu disse: tá, mas vocês têm certeza?"
O que dizem os especialistas
Timothy Gowers, medalhista Fields, escreveu: "Muito surpreendente, e de grandes consequências, que ela seja falsa." Scott Aaronson, da Universidade do Texas em Austin, subiu a probabilidade pessoal dele de P igual a NP de 3% para 5%.
de 3% para 5%Chance pessoal de P=NP
Estimativa pessoal de Scott Aaronson Valores como ditos no vídeo.
Aaronson descreveu assim: "uma cerca de trinta centímetros foi pulada, enquanto uma cerca da altura do Empire State continua de pé." Ryan O'Donnell, da Carnegie Mellon, pediu a um modelo de linguagem uma versão mais curta do artigo e avisou: "não faço ideia se está correto." Bernardo Subercaseaux, da mesma universidade, chamou os resultados de "galácticos", sem aplicação imediata.
O que isso não significa
Aaronson lembra que refutar a ETH ainda está longe de provar que P é igual a NP, o que exigiria estrutura explorável em todos os problemas mais difíceis dessa classe. No artigo da Anthropic, a garantia só supera a força bruta com mais variáveis do que um número com dez mil zeros.
Williams disse que pediu à OpenAI para checar se algum sistema de criptografia em uso tinha sido afetado; e que, "aparentemente", estão seguros. Sua previsão: uma atualização séria na resolução prática de SAT em 12 meses é plausível, mas ele diz não saber.
Kakeya e a física
O anúncio da OpenAI trouxe mais dois resultados: uma prova do "local smoothing" em todas as dimensões, de onde a empresa diz tirar a conjectura de Kakeya, e provas de existência em física, com materiais retidos por um grupo liderado por David Gross.
O físico-matemático John Baez disse que isso não resolve o problema do milênio, mas que provar que a teoria de Yang-Mills faz sentido é "um grande primeiro passo".
Peter Woit, da Universidade Columbia, escreveu que a OpenAI não mencionar a lacuna de massa, "a parte difícil do problema", ainda lhe parece "intencionalmente enganoso".
O histórico da empresa
Em 6 de outubro, a OpenAI soltou cerca de 720 manuscritos de matemática, e a Nature registrou a revolta de matemáticos. No dia seguinte, a empresa retirou três artigos e revisou catorze, segundo o Retraction Watch.
Em outubro de 2025, um vice-presidente da OpenAI disse que o GPT-5 tinha resolvido dez problemas de Erdős em aberto; as soluções já estavam na literatura, segundo a TechCrunch. O que mudou desta vez, segundo o vídeo, foi a entrada de grupos de fora, sem acordo de confidencialidade.
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