Produto & UXARTIGO

Pequenas empresas, grandes AIs

Já é ponto pacífico que, durante a concepção de um projeto web, a
presença de usabilidade e práticas de Arquitetura da Informação são fundamentais para o sucesso
e atingimento das metas e isto gerou um crescimento considerável na
busca por capacitação de profissionais voltados para planejar e
organizar as informações que serão expostas no website ou sistema.

E, paralelo a este crescimento, muitos conceitos e melhores práticas
circulam através de livros, artigos ou fóruns, com textos que giram em
torno deste processo. Desta forma, algumas empresas de desenvolvimento
web, que ainda não dispõem de equipes com experts neste segmento, passam a
conhecer as metodologias e sua importância em um mercado digital
crescente e em constante transformação.

Podemos ver também os conceitos de usabilidade e “encontrabilidade” –
“findability”, como Peter Morville nomeou a facilidade de encontrar
informações na web – refletidos nos atuais buscadores (lá vem ela
novamente falando do Google…) que dia a dia indexam e organizam suas
diretrizes com algumas pérolas das boas praticas do AI.

Embora exista muito material interessante sobre o assunto, a análise e
a arquitetura de informações, como todas as partes envolvidas no projeto
web, requer muito conhecimento sólido e aplicado para garantir a
qualidade do resultado para o seu cliente.

Sabendo disto, algumas empresas, na intenção de posicionar seu negócio
de forma correta dentro do ambiente digital, contratam grandes agências
que utilizam uma gama de profissionais durante todo o projeto,
garantindo assim o sucesso com um custo proporcional à demanda
solicitada.

Atualmente, grandes projetos de Arquitetura da Informação (AI) e Experiência do Usuário (UX) ainda estão restritos à grandes
organizações por conta de seu alto custo de implementação. E as pequenas
empresas que pretendem colocar seus websites de acordo com os
princípios adequados, e com verba menos substancial, acabam por
encontrar muitas agências que ainda não têm um time completo para
atendê-las.

A pergunta que me fizeram um tempo atrás é: como uma agência com
equipe enxuta pode fazer um projeto que tenha em um de seus estágios de
concepção a Arquitetura de Informação, que traga um resultado
eficiente no negócio digital de seu cliente?

Eu acredito firmemente que ser uma agência pequena não impede que o
trabalho de AI seja realizado de forma eficaz e correta, e muito menos
impede de ter uma equipe robusta. A cada dia que passa mais
profissionais bem formados estão dispostos no mercado. E não estou
falando apenas no âmbito da AI ou UX. Se a sua empresa ainda não
encontrou um deles, basta atentar para alguns cuidados importantes na
hora de montar sua equipe. Deixo abaixo algumas dicas importantes que
podem ser diferenciais:

Qualificação de Profissional

Antes de começar qualquer projeto com informações e competências que
não temos domínio, é imprescindível aprender sobre o assunto, pois além
de dar mais segurança em defesas e apresentações para o cliente, garante
sua qualidade.

Se sua empresa ainda não dispõe de verba para contratar um profissional
experiente em Arquitetura de Informação e Usabilidade, saiba que existem
muitos cursos com bons professores e excelentes escolas. É importante
fazer uma boa pesquisa no mercado para investir na formação ideal.
Definido o curso, procure dentro de sua própria empresa um profissional
com perfil mais analítico, organizacional e veja se ele não quer
aprender sobre o assunto.

O que isto tem de bom? Multidisciplinaridade. Se o seu htmler gosta de
Taxonomia e já comentou alguma coisa sobre behaviorismo, acredite, ele é
um forte candidato a ser seu mais novo aliado na arquitetura de
informação. Invista nele, pois muitas vezes um curso pago para um
profissional que está dentro de casa pode ter um custo/benefício bem
positivo a curto prazo.

Multidisciplinaridade

Uma equipe com profissionais de mesma disciplina conseguem fazer um bom
projeto, mas uma equipe multidisciplinar, além de fazê-lo bem, consegue o
resultado esperado pelo cliente, pois a existência de variados
profissionais na equipe ou pessoas com conhecimentos abrangentes sobre
web evita visões parciais do todo.

Por exemplo: se fizermos uma AI com moldes mais técnicos sem foco no
negócio gera um site bem organizado e encontrável, porém sem a dinâmica
que encanta o usuário durante sua experiência de navegação. Por outro
lado, se o foco for o webdesign e/ou webmarketing, o resultado pode ser
um site com total foco no negócio mas com falta de usabilidade, correndo
o risco de gerar uma experiência frustrante para o usuário.

Alguns pontos importantes que a multidisciplinaridade pode oferecer ao
projeto de uma pequena agência:

  • Criação de testes de usabilidade internos a fim de poder avaliar
    melhor a performance do projeto;
  • Escolha de tecnologias, garantindo a facilidade de implementação e
    manutenção;
  • Design melhor em longo prazo;
  • Marketing focado na expectativas do cliente usando as tecnologias
    apropriadas para a realização dos objetivos;
  • Pensamento constante no foco do negócio e no atingimento do objetivo.

Compreender o negócio do cliente e seu contexto

O entendimento pleno do foco do negócio da empresa de seu cliente deve
ser comum a todos os membros da equipe. Desta forma, os objetivos
estabelecidos serão mais claros e encaixados dentro da própria
estratégia da empresa.

“Mas Iris, meu cliente é tão pequeno que nem tem estratégia”. Olha aí
uma boa oportunidade de você fidelizá-lo e ainda agregar valor ao
negócio dele. Quem garante que daqui a um tempo ele não será grande?

Entenda ou se necessário desvende o foco comercial dele, dê sugestões
para dar apoio a estes objetivos de negócio e no final do projeto – por
conta do caminho para a organização das informações ter ficado mais
claro para seu arquiteto – seu cliente receberá um sistema ou website
que vai sustentar sua estratégia trazendo a ele uma grande vantagem
competitiva. E, com certeza, quando ele crescer não vai se esquecer de você.

Mediar necessidades de cliente e usuário

Algumas vezes, quando se apresentam protótipos do site ou sistema para o
cliente, uma coisa fica muito clara: a vontade dele não é a mesma que a
do usuário. Prepare-se com boas e embasadas defesas, pois terá que lidar
com isto de forma a não prejudicar o bom andamento do projeto.

Não seja espartano. Tente o equilíbrio. O fundamental é pensar no
contexto do negócio e tentar harmonizar fatores como tempo, orçamento e
outros que aparecerem. Ideal é buscar sempre a melhoria para o usuário,
pois é a partir desta conscientização que o negócio virtual terá seu
sucesso.

Lembre-se sempre de que, acima de tudo, bons projetos dependem da equipe e,
sempre, quanto mais bem formada e preparada ela está, mais a sua empresa
ganha espaço dentro do mercado digital.

E um fator muito importante para resultados positivos dentro de
ambientes digitais é certamente a facilidade que o usuário precisa
para encontrar a informação que se deseja expor. E este resultado só uma
boa arquitetura consegue produzir.

é arquiteta de informação e designer de experiência. Mantém um site pessoal e o Blog Aiaiai..., onde fala de arquitetura de informação, usabilidade, SEO e webmarketing. Seu Twitter: @irisferrera.

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