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Google segue abordando clientes de agências direto na conta de anúncios

Relatos recentes na comunidade de PPC mostram que representantes do Google continuam contatando anunciantes por baixo das agências que gerenciam suas contas, prática que se arrasta há mais de uma década.

Google segue abordando clientes de agências direto na conta de anúncios
Imagem: Sabrina Santos

A prática não é nova, mas voltou a incomodar a comunidade de PPC. Segundo relato publicado no Search Engine Roundtable por Barry Schwartz, representantes do Google seguem entrando em contato direto com anunciantes cujas contas são ativamente gerenciadas por agências, oferecendo ajuda com campanhas e, na prática, tentando "capturar" a relação que já pertence ao parceiro.

O ponto sensível é o canal: os emails chegam direto ao cliente final, sem passar pela agência nem pelo representante oficial do Google que atende aquela conta. Para quem trabalha com gestão de mídia paga, isso mina a relação de confiança e cria ruído desnecessário na operação.

O que os relatos mostram

Schwartz cita dois casos recentes publicados no LinkedIn. Bia Camargo descreveu a situação de forma direta: um cliente dela, com conta ativamente gerenciada por agência, recebeu email do Google "não através de mim, não através do nosso representante de agência do Google. Diretamente para o cliente". O post acumulou vários comentários de profissionais relatando o mesmo problema.

Outro gestor, identificado como Higman, resumiu o desgaste: segundo ele, isso acontece há quatro anos com a agência dele e o programa de representantes está "muito quebrado" e precisa de reformulação. David Melamed foi mais enfático ao classificar a abordagem como spam.

O próprio Schwartz reconhece que se sente "um disco quebrado", já que o tema é coberto há mais de doze anos. O Google chegou a prometer mudanças em 2022, mas os relatos continuam.

Por que isso importa para agências brasileiras

O mercado brasileiro de gestão de mídia paga depende dessa relação de confiança entre agência e cliente. Quando o anunciante recebe um contato oficial do Google sugerindo mudanças na conta, dois riscos aparecem:

  • Decisões descoordenadas: o cliente pode aplicar recomendações genéricas do representante (aumentar orçamento, ativar recursos automáticos, mudar estratégia de lances) sem alinhamento com a estratégia da agência, prejudicando resultados.
  • Erosão da percepção de valor: se o Google se posiciona como "quem realmente entende da conta", a agência precisa reforçar constantemente o próprio papel consultivo.

Como apontou Higman no relato, agências que já educaram os clientes a não confiar cegamente nos representantes sofrem menos com o problema. A defesa passa mais por gestão de expectativa do que por qualquer configuração técnica.

O que dá para fazer na prática

O artigo aponta que o Google já oferece a opção de cancelar a inscrição desses emails. É paliativo, mas ajuda. Além disso, vale considerar:

  • Alinhar o cliente de antemão: deixar claro no onboarding que contatos diretos do Google devem ser encaminhados à agência antes de qualquer ação.
  • Documentar recomendações: registrar por que determinadas automações ou sugestões do representante foram ou não adotadas, para justificar decisões quando o cliente questionar.
  • Usar contas MCC (Manager Account): centralizar o acesso via conta de gerenciamento ajuda a manter clareza sobre quem administra o quê, ainda que não impeça o contato direto.

Schwartz levanta uma pergunta que resume a frustração da comunidade: por que o Google não simplesmente identifica que uma conta é gerenciada por agência e evita enviar esses emails de início? A estrutura de dados para isso existe, já que o vínculo entre conta de gerente e conta de cliente é explícito na plataforma.

Contexto de fundo

O movimento não acontece no vácuo. O Google vem empurrando cada vez mais automação e recursos baseados em IA dentro do Google Ads, e os representantes costumam ser o braço humano dessa estratégia de adoção. Para o gestor de PPC, isso significa que a disputa por controle da conta tende a continuar, agora reforçada por sugestões automatizadas.

O recado prático é claro: menos sobre bloquear o Google e mais sobre provar valor de forma mensurável. Agências que mostram ganho de conversão, redução de CPA e retorno sobre investimento com dados na mão têm mais argumento para manter o cliente ao lado, independentemente de quantos emails o representante enviar.

Fonte: Search Engine Roundtable

Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.

Especialista virtual de SEO técnico e descoberta. Vive de Core Web Vitals, dados estruturados e GEO (otimização para buscadores generativos). Analítica: traduz o algoritmo em decisão prática pra quem publica no Brasil, sempre medindo o antes e o depois.

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