Google leva carrosséis de links para o AI Mode em tópicos em evolução
Recurso que já existia nos AI Overviews chega às respostas do AI Mode, mudando como conteúdo sobre notícias e assuntos em movimento aparece na busca.

O Google confirmou que os carrosséis de links, aqueles cartões horizontais com páginas da web sobre um mesmo assunto, agora aparecem também dentro das respostas do AI↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI → Mode. O recurso já existia nos AI Overviews desde junho e, segundo reportou o Search Engine Roundtable, foi estendido às consultas feitas no modo conversacional da busca.
A confirmação veio de Robby Stein, do Google, que escreveu no X: "Now live in AI Mode (already in AI Overviews): link carousels for developing topics". Ele reforçou a linha oficial de que o objetivo da busca com IA é "facilitar a conexão com a cobertura original e uma variedade de perspectivas".
O que são carrosséis para tópicos em evolução
Esses carrosséis aparecem em consultas ligadas a assuntos que estão se movimentando: notícias de última hora, eventos em andamento, temas que mudam rápido ao longo do dia. Em vez de a IA sintetizar tudo em um bloco único de texto, o Google intercala cartões clicáveis apontando para páginas específicas, muitas vezes de veículos de notícia e fontes de cobertura original.
A lógica é semelhante à caixa de Top Stories que já existe na busca tradicional, mas agora embutida no fluxo de uma resposta gerada por IA. Para tópicos voláteis, o modelo tende a errar mais e a ficar desatualizado, então mostrar links diretos funciona como uma válvula de segurança tanto para o usuário quanto para o editor que produziu o conteúdo.
Por que isso importa para quem trabalha com busca
O AI Mode é o formato onde o Google mais tem cortado cliques para fora: a resposta chega mastigada e o usuário raramente precisa visitar a página de origem. Qualquer superfície nova que devolva links visíveis e clicáveis é, na prática, uma chance a mais de tráfego que antes não existia nesse formato.
Na prática, isso significa que conteúdo sobre temas em movimento passa a ter um caminho de descoberta dentro do AI Mode que conteúdo evergreen não tem. Um artigo de notícia bem estruturado, publicado rápido e com sinais claros de atualidade, pode ganhar um cartão no carrossel. Já um guia atemporal continua sujeito a ser absorvido pelo resumo da IA sem link de destaque.
Vale medir o impacto com atenção. No Search Console, o filtro de tipo de busca ainda não separa AI Mode de forma granular, mas dá para acompanhar impressões e cliques em URLs de conteúdo noticioso e comparar o comportamento antes e depois da expansão. A recomendação é olhar CTR por página em consultas de intenção informacional recente, não só volume agregado.
A queixa dos publishers continua
A expansão não agrada a todos. O mesmo relato do Search Engine Roundtable traz a crítica de Adam, do site Inspired Taste, que apontou um caso concreto: na consulta "baked apples recipe inspired taste", o link do próprio site apareceu empurrado para baixo por um AI Overview que exibia uma receita completa "confiantemente afirmando ser a nossa". A reclamação foi direcionada publicamente a executivos do Google, com o pedido de que a prática pare.
É o retrato do dilema atual: mesmo quando o usuário busca explicitamente por uma marca ("inspired taste" no meio da query), a IA pode reproduzir o conteúdo daquela marca e ainda assim ocupar o espaço acima do link original. Carrosséis ajudam a devolver visibilidade, mas não resolvem o problema de fundo, que é a IA competir com a fonte usando a própria fonte como matéria-prima.
Barry Schwartz, autor do texto, reconhece a tensão mas classifica a novidade como avanço: "eu acho que isso é uma melhoria e gostaria de ver mais disso". A leitura é que ter cartões de link é melhor do que não ter nenhum, ainda que fique longe de recompor o tráfego que o formato anterior de busca gerava.
O que fazer no conteúdo em português
Para quem publica no Brasil, algumas frentes concretas valem atenção:
- Dados estruturados de notícia: marcar artigos com
NewsArticle(e não sóArticle) sinaliza atualidade e ajuda o Google a entender que o conteúdo pertence a um tópico em evolução.datePublishededateModifiedcorretos importam mais do que nunca. - Velocidade de publicação: tópicos em evolução premiam quem chega cedo e atualiza. Um artigo publicado horas depois do pico de interesse dificilmente entra no carrossel.
- Cobertura original e ângulo próprio: como a IA já resume o consenso, o que se destaca é a perspectiva que o modelo não consegue gerar sozinho, dados locais, reportagem própria, contexto brasileiro. Isso também é a essência de GEO (otimização para busca generativa): ser citável, não apenas indexável.
- Autoridade de entidade: sites reconhecidos como fonte de um tema têm mais chance de aparecer nos cartões. Consistência de tópico e sinais de E-E-A-T continuam sendo o alicerce.
O que fica em aberto
O Google não detalhou os critérios que definem quando um carrossel aparece nem quantos links exibe por tópico. Também não há dado público sobre CTR desses cartões dentro do AI Mode comparado à busca tradicional, o que torna difícil calcular retorno real por enquanto. E permanece a pergunta central que os publishers levantam: o carrossel é um gesto de reequilíbrio genuíno ou um paliativo diante de um formato que, na média, ainda reduz o tráfego de saída.
Por ora, a orientação prática é tratar a novidade como uma nova superfície de descoberta a ser monitorada, não como reversão de tendência. Quem produz conteúdo sobre assuntos em movimento tem um incentivo extra para investir em estrutura, velocidade e ângulo próprio, e para medir de perto o que essa mudança faz com o tráfego real ao longo das próximas semanas.
Fonte: Search Engine Roundtable
Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Tiago Rosa. Saiba como produzimos no expediente.











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