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Retorno às aulas pode significar a volta do tecnoestresse

Essas doenças são responsáveis pela exclusão de 43 milhões de pessoas do mercado de trabalho

Por mais que o nome ainda soe estranho, os sintomas são bem conhecidos. Problemas nos olhos e na coluna são os principais. O tecnoestresse está ligado diretamente ao uso do computador durante longas e ininterruptas horas do dia. É a doença da vida moderna. Mas o que poucos sabem é essa doença não afeta somente aos adultos, as principais vítimas da evolução tecnológica são as crianças que começam, desde cedo, a sofrer as conseqüências de permanecerem tanto tempo em frente à tela do computador.

Hilton Medeiros, oftalmologista, explica que a tensão visual é umas das complicações mais comuns induzidas pelo uso diário do computador. “A criança mantém os olhos fixos ao monitor, piscando menos que o necessário para lubrificá-los. Isso leva ao ressecamento dos olhos o que causa dores de cabeça e sensação de vista embaçada”, afirma.

Segundo pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os problemas na coluna também merecem atenção. Foi confirmado que, das 300 crianças acompanhadas, 100% delas apresentaram inadequação de postura. Segundo Hilton Medeiros se os pais orientarem seus filhos sobre a postura correta diante do computador, pode prevenir futuras lesões, como problemas lombares, em até 50%.

Contudo a tecnologia tornou-se mais que necessária em nossas vidas, porém deve ser encarada com precaução. “A cada uma hora em frente ao monitor deve-se dar intervalo de dez minutos para descanso dos olhos e relaxamento muscular. Além disso, a tela tem que ficar de 30 a 40 centímetros de distância e à altura da visão da criança. O teclado precisa estar alinhado aos cotovelos e os punhos retos e apoiados. Apoio para pés e troncos também é indispensável”, explica Medeiros.

O uso do computador no período noturno

Quem trabalha de dia precisa estudar à noite. Quem estuda de dia precisa trabalhar à noite. Essa é a solução que resta aos profissionais que querem e precisam se especializar e, também, dos estudantes que querem e precisam trabalhar. Contudo, essa busca pelo aperfeiçoamento técnico e por melhores salários pode sair caro no que diz respeito ao custo social do país.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Penido Burnier, uma grande parcela dos trabalhadores e usuários de computador no período noturno corre o dobro de risco de sofrer doenças de visão ou mesmo de cegueira. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças da visão significam a exclusão de 43 milhões de pessoas do mercado de trabalho no mundo todo.

É certo que agentes externos como poluição, vento e ar condicionado colaboram para o embaçamento da visão, ardência e o olho seco. “Porém, esses fatores que prejudicam a produção lacrimal, que é essencial para a lubrificação do olho, podem estar relacionados, também, à má iluminação, estresse e ao fato de piscarmos 20 vezes menos em frente ao monitor. O mais indicado para essas pessoas que precisam levar tal estilo de vida é que façam avaliação oftalmológica periodicamente para evitar futuros problemas”, alerta o oftalmologista.

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