Possível vírus em imagem alerta especialistas
O porto seguro das imagens foi invadido pelos programadores
de vírus. A semana passada marcou o descobrimento de códigos
maliciosos em arquivos JPEG, usados em praticamente todos os sites, câmeras
digitais e outros dispositivos, e que até agora se mantinham
livres de ameaças eletrônicas.
Além da contaminação ao navegar
na internet, links para as imagens infectadas foram espalhados
pelo mensageiro instantâneo da America Online, o AIM. Especialistas
em segurança alertam que a ameaça deve evoluir,
tornando-se mais potente ao explorar a vulnerabilidade no módulo
de imagem do Windows, e que não será fácil
detectá-la com antivírus tradicionais.
– Embora esse vírus não se replique
e seja considerado pouco perigoso, ele é uma prova de conceito
que pode se transformar em um worm destrutivo, se for descoberto
como o multiplicar de forma autônoma. Nesse caso, o usuário
nem precisará baixar os arquivos, bastando visitar páginas
com imagens contaminadas na internet – alerta o especialista em
Segurança da Symantec, Marco Bicca.
A vulnerabilidade do Windows foi divulgada no dia
14, quando os códigos maliciosos começaram a ser
detectados na Rede. A ameaça utiliza um arquivo JPEG modificado
para executar comandos que sobrecarregam o módulo GDI do
Windows. Ele é responsável pelo processamento das
imagens JPEG utilizadas pelo sistema operacional e outros aplicativos
como o Internet Explorer e o Outlook.
O problema afeta o Windows XP, Server 2003, Office
XP, Office 2003, Internet Explorer 6 Service Pack 1, Project,
Visio, Picture It e Digital Image Pro, entre outros. O XP atualizado
com o Service Pack 2 está imune à falha. Entretanto,
todas as aplicações instaladas têm que ser
atualizadas.
Na semana passada, o Easynews, provedor de acesso
à Usenet, descobriu o “”JPEG of Death””. A imagem, ao ser
visualizada, se conecta a um servidor e instala um software. A
Symantec diz que o vírus está sendo atualizado e
pode, em breve, gerar filhotes mais destrutivos.
– O JPEG of Death transforma a máquina do
usuário em um cavalo de tróia, que pode ser controlada
remotamente por hackers. A recomendação é
instalar a correção do Windows e manter o antivírus
atualizado – detalha Bicca.
A contaminação pelo AIM foi descoberta
pelo Internet Storm Center, na quinta-feira passada. A invasão
acontece quando o usuário recebe links para conhecer o
perfil do interlocutor. Ao clicar, o vírus se espalha e
envia o convite a todos os seus contatos, além de instalar
um cavalo de tróia.
A Microsoft Brasil não quis comentar sobre
o vírus mas, em um comunicado oficial, a matriz da empresa
afirmou que, como o vírus não se replica sozinho,
não representa grande risco aos usuários.
Apesar de alguns antivírus, como a McAfee
e Norton, terem proteção genérica contra
códigos maliciosos, detectar os vírus de imagens
pode não ser tão simples. A maior parte dos programas,
na sua versão padrão, busca contaminações
em arquivos executáveis e não verificam as imagens.
Mesmo que o software seja configurado para checar os JPEGs, a
extensão de uma imagem pode ter até 11 variações,
incluindo .ICON e .JPG2.
A verificação de tantos arquivos
pode roubar poder de processamento significativo da máquina.
Além disso, o Internet Explorer processa os JPEGs antes
que eles sejam armazenados na memória cache, o que significa
que os computadores podem ser infectados antes que o antivírus
tenha tempo de agir.
Mais detalhes, visite www.symantec.com.br.
Reportagem de Vivian Rangel, especial para o JB.






