Pesquisadores brasileiros utilizam Foursquare como solução de Big Data
Eles utilizaram os dados de localização do Foursquare para determinar e comparar hábitos e preferências alimentares de populações de 16 países pelo mundo.
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, junto com um inglês, utilizaram os dados de localização dos usuários do Foursquare para determinar e comparar hábitos e preferências alimentares de populações de 16 países pelo mundo.
As informações foram divulgadas pelo MIT Technology Review, que comparou a praticidade da metodologia do grupo – formado por Thiago Silva, Pedro Melo, Jussara Almeida, Antonio Loureiro e Mirco Musolesi – com a mais tradicional, da World Values Survey. O sistema em questão é baseado em uma rede de cientistas sociais espalhados pelo mundo, que conduziu, entre 1981 e 2008, mais de 250 mil entrevistas em 87 sociais diferentes. O resultado é incrivelmente completo, mas, ao mesmo tempo, exigiu anos e dinheiro para ficar pronto.
Em contrapartida, a análise baseada no Foursquare parece exigir muito menos tempo e ser mais barata, tudo graças à relativa simplicidade do método. Como mostra o site do MIT, o primeiro passo foi baixar quase cinco milhões de tuítes relacionados à rede de check-ins, que redirecionavam cliques ao site. Depois que os pesquisadores descartaram todas as marcações que não tinham a ver com alimentação, ficaram com 280 mil check-ins relativos a bebidas, 400 mil a fast-food e outros 400 mil a outros restaurantes.
Todos os estabelecimentos visitados foram divididos em diferentes subcategorias, como pizzaria, padaria, café e loja de cupcakes. Como os posts no Foursquare mostram local, data e horário, os cientistas também conseguiram estabelecer quando os habitantes de um país mais visitavam determinados locais. De posse dessas informações, eles ainda compararam os hábitos alimentares entre cidades dos 16 países analisados: Brasil, Argentina, Austrália, Chile, Inglaterra, França, Indonésia, Japão, Coreia do Sul, Malásia, México, Rússia, Singapura, Espanha, Turquia e Estados Unidos.
Segundo o MIT, os resultados foram do óbvio ao revelador. Por exemplo, locais próximos uns dos outros, como as cidades de Natal, Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Rio e Porto Alegre, têm horários bem similares para beber – o que era esperado. Mas os parisienses costumam fazer o mesmo – ou ao menos fazer check-in em estabelecimentos do tipo – em horários parecidos com os de todas essas cidades brasileiras. Hábito similar também é visto em Las Vegas, enquanto os nova-iorquinos parecem ir a fast-foods nos mesmos períodos que os recifenses.
Aliás, os resultados – com exceção de dois pontos – foram bem similares aos obtidos pela World Values Survey, como a equipe de pesquisadores percebeu depois. Ou seja, a metodologia proposta pela equipe da UFMG parece ser bem promissora, especialmente se levarmos em conta a base de 45 milhões de usuários do Foursquare.
O trabalho na íntegra (em inglês) e mais alguns dados encontrados pelo estudo podem ser conferidos neste link.
Com informações de Info






