Miro é vendida por US$ 1,36 bilhão, 90% abaixo do pico de 2021
A italiana Bending Spoons compra o whiteboard colaborativo por uma fração do valuation da pandemia. Para quem usa a ferramenta no dia a dia, a pergunta é o que acontece com o produto agora.

A Bending Spoons, empresa italiana conhecida por comprar softwares outrora famosos por uma fração do valor, fechou a aquisição da Miro por US$ 1,36 bilhão em dinheiro (valor de equity de US$ 1,79 bilhão). O número chama atenção pela comparação: no fim de 2021, no auge da euforia por ferramentas de trabalho remoto, a Miro foi avaliada em US$ 17,5 bilhões. É uma queda de cerca de 92%.
Para o público que vive a Miro na prática (designers rodando workshops de discovery, PMs montando roadmaps em quadro branco, times de UX↳UX33 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025UX, IA e Front-End: quando experiência, inteligência e código se encontram para criar o futuro digitalProduto & UX · jul 2025Novidades em UX/UI para 2025: O futuro do design de experiências digitaisProduto & UX · abr 2025Ver tudo em Produto & UX → fazendo journey mapping remoto), a notícia não é sobre finanças. É sobre o que acontece com uma ferramenta que virou padrão de colaboração visual quando ela muda de dono.
De RealtimeBoard a "AI innovation workspace"
A Miro nasceu em 2011 como RealtimeBoard, um quadro branco online. O grande salto veio com a pandemia: com as empresas migrando em massa para o trabalho remoto, os times passaram a querer recriar a experiência de colaborar em um quadro físico. A Miro surfou essa onda e construiu uma plataforma com integração a mais de 250 apps, além de parcerias com Atlassian, Cisco, Microsoft e Zoom.
Hoje a empresa se apresenta como um "AI↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI → innovation workspace", com assistentes de IA para os quadros, fluxos de trabalho automatizados, ferramentas de prototipagem e conectores de IA que puxam contexto de plataformas como GitHub, Jira e Slack. É esse posicionamento (design e ideação apoiados por IA) que o novo dono está comprando.
Os números por trás da venda
O detalhe que mais surpreende no negócio é que a Miro não parece estar em crise operacional. Segundo os dados divulgados pela Bending Spoons, a empresa segue crescendo, ainda que num ritmo bem mais lento que o da pandemia:
| Indicador | 2022 (pico) | Situação atual |
|---|---|---|
| Valuation | US$ 17,5 bi (fim de 2021) | US$ 1,36 bi (compra) |
| Usuários totais | ~30 milhões | ~100 milhões |
| Usuários pagantes | crescimento de 550% | mais de 4 milhões |
| Receita recorrente anual | — | ~US$ 600 milhões |
| Caixa líquido | — | ~US$ 435 milhões |
Além disso, 90% da receita recorrente vem de empresas e grandes clientes, e a companhia é lucrativa. Ou seja: aparentemente não precisava do dinheiro. Isso torna a pergunta feita pelo TechCrunch a mais interessante da história: por que o conselho e os investidores da Miro aceitaram vender por esse preço agora? A leitura sugerida é que a confiança na capacidade de empresas SaaS abrirem capital ou encontrarem uma saída comparável despencou.
O que aconteceu com o mercado de SaaS
A queda de 92% não é só sobre a Miro, é sobre o mercado inteiro. Os múltiplos que o mercado pagava por software-as-a-service em 2021 se desfizeram. Com o fim dos ventos favoráveis da pandemia, as empresas apertaram gastos, cortaram apps duplicados e licenças, e passaram a preferir suítes integradas de produtos em vez de ferramentas de colaboração isoladas.
Nesse cenário, a Miro competia com rivais bem mais capitalizados: Canva, Figma e Microsoft. Enquanto isso, reduzia o próprio quadro. Dos cerca de 1.200 funcionários em 2022, houve dois cortes: 119 pessoas em fevereiro de 2023 e outras 275 em outubro de 2024, segundo o relato.
O padrão da Bending Spoons
A compra da Miro segue um roteiro que a Bending Spoons vem repetindo: adquirir empresas grandes e reconhecidas de SaaS, precificadas em 2021 como se fossem virar gigantes, mas que amadureceram como negócios de crescimento lento porém sólidos, com receita recorrente decente e base de usuários estabelecida.
O paralelo mais direto é o Airtable, avaliado em mais de US$ 11 bilhões em 2021 e vendido à mesma Bending Spoons por US$ 1,28 bilhão no mês anterior. A italiana já acumula um portfólio de softwares comprados nesse formato, o que ajuda a entender o modus operandi: pagar barato por marcas maduras e extrair valor do que já existe.
Aquisições desse tipo, feitas para extrair valor de uma base madura, costumam vir acompanhadas de reestruturações e mudanças de política de preços. Esse é o ponto que o profissional brasileiro precisa acompanhar de perto.
O que muda para quem usa Miro no Brasil
Aqui está o recorte que interessa a quem desenha produto. A Miro se tornou uma ferramenta de base em muitos times brasileiros de design e produto: sessões de brainstorming, mapas de afinidade, service blueprints, retrospectivas ágeis, planejamento de sprint. Quando isso muda de mãos, alguns pontos ficam em aberto e valem monitoramento:
- Precificação. Aquisições feitas para extrair valor de uma base madura costumam mexer em planos e preços. Vale acompanhar os termos de renovação e ter clareza de quanto do seu fluxo de trabalho depende exclusivamente da Miro.
- Roadmap de produto. O posicionamento de "AI innovation workspace" pode ser acelerado ou desacelerado sob novo dono. Se sua equipe adotou os assistentes de IA e os conectores (GitHub, Jira, Slack) como parte do processo, é prudente saber quais recursos são críticos.
- Portabilidade. Independentemente do desfecho, faz sentido saber exportar seus quadros e reduzir o custo de troca. Ferramentas como FigJam, Excalidraw e o próprio ecossistema Figma são alternativas conhecidas para quadro branco colaborativo.
Nada disso significa que a Miro vai piorar. A empresa é lucrativa, tem 100 milhões de usuários e receita recorrente de US$ 600 milhões, números que dão fôlego. Mas troca de controle sempre reorganiza prioridades, e o time de produto que depende de uma ferramenta daily faz bem em entender o novo dono antes de a mudança chegar.
O que fica para o produteiro
A lição de produto que atravessa a história vai além da Miro. Um valuation de US$ 17,5 bilhões em 2021 não se traduziu em um negócio proporcionalmente maior: virou uma empresa saudável, mas "apenas" substancial. Para quem constrói produto, o recado é sobre a diferença entre hype de mercado e valor real entregue ao usuário. A Miro cresceu porque resolveu um problema concreto (colaboração visual remota) e integrou-se ao fluxo de trabalho de milhões de times. Esse valor sobreviveu à correção de mercado. O múltiplo inflado, não.
Fonte: TechCrunch
Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
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