Icann cria domínios em outros idiomas
O Rio de Janeiro foi palco da primeira reunião
de 2003 do Icann, organização sem fins lucrativos
que gerencia padrões fundamentais à Web, como os
domínios da Rede. A principal novidade anunciada no evento,
especialmente para os internautas que não vivem em países
anglo-saxões, foi a prioridade para a criação
de domínios na internet em idiomas diferentes do inglês.
Paul Twomey, novo CEO da organização
que assumiu o posto no lugar de Stuart Lynn, disse que eles poderão
ser disponibilizados já nas próximas semanas. Com
isso, os domínios ganharão sinais gráficos
não usados no inglês, incluindo acentos usados no
português. Apesar das mudanças, a parte final dos
endereços de internet, como .com, .org ou .net↳.NET113 conteúdosNovidades do .NET 9 – o tipo genérico OrderedDictionaryDev (Back & Front) · dez 2024Novidades .NET 10: novas formas de uso do .NET CLIDev (Back & Front) · dez 2025Novidades do .NET 5: implementando um proxy reverso com YARP + ASP.NET 5Dev (Back & Front) · nov 2020Ver tudo em Dev (Back & Front) →, entre outros,
continuará sendo em inglês.
Segundo Vinton Cerf, co-desenvolvedor do protocolo
TCP/IP que deu origem à internet, os ajustes técnicos
já estão prontos. Falta apenas acertar as questões
políticas. A velocidade em que os domínios em outros
idiomas chegarão ao usuário final dependerá
do trabalho de tradução local dos alfabetos para
o protocolo de internet.
– Os idiomas mais avançados nesse sentido
são o japonês, coreano e chinês – afirmou Cerf.
Para Twomey, adicionar novos idiomas é complexo
, mas o desafio maior será o de ”entregar ao verdadeiro
dono o seu domínio”.
Fundado em 1998, o Icann é muito criticado
por centralizar as questões em inglês e com base
em padrões norte-americanos. Neste encontro, a instituição
se esforçou para parecer global. A tradução
dos domínios para idiomas locais foi a primeiro passo.
– Nessa nova fase, vamos estar focados no fato
da internet ser realmente global – disse o novo CEO.
Sua estrutura também sofre queixas por não
ser dinâmica e flexível, atrasando a atualização
de seu banco de dados↳Banco de dados134 conteúdosSQL ou NoSQL: eis a questão!!Data · mar 2020Banco de dados: como organizar e dar segurança para milhões de dados de loteriasData · mai 20215 serviços gratuitos na cloud para bancos de dados PostgresData · fev 2025Ver tudo em Data →. Em 2000 foi realizada uma eleição
para uma de seus comitês, mas a idéia foi abandonada
por não ter sido prática ou representativa. Em compensação,
o fim da eleição tira do Icann qualquer noção
de governança democrática que o órgão
poderia ter.
Uma política do Icann que pode afetar qualquer
internauta é seu mecanismo de resolução de
disputas por nomes de domínios, o UDRP. Em termos gerais,
se alguém deseja tirar o domínio das mãos
de seu atual dono, é preciso nomear um painel de árbitros,
que atuam como juízes privados, e avisar o detentor do
domínio. Após um processo rápido, uma decisão
é tomada e colocada em prática pela empresa que
vende os domínios, a ‘Registrar’.
Por ser tão rápido, o UDRP é
mais adequado a disputas dos casos extremos: pessoas que se aproveitam
de domínios criados a partir de erros de digitação
(como nicrosoft.com), ou que registram domínios para depois
revendê-los (como no caso em que a Cruz Vermelha Internacional
reclamou do registro do domínio RedCrossPharmacy.com).
No entanto, afirma William Fisher, professor de Direito da Universidade
de Harvard presente ao evento Direito na Internet, ele está
sendo usado também em casos mais delicados e controversos,
como sites de fãs e paródias.
– O UDRP tende a concentrar muito poder nas mãos
dos detentores das marcas – afirma.
A saída, contudo, não seria mudar
a maneira de organização do Icann, mas simplesmente
impor limites à sua atuação, afirma Jonathan
Zittrain, também professor de Harvard e observador do Icann.
Por exemplo, o UDRP não poderia ser estendido para permitir
a cassação do domínio de um website baseado
em seu conteúdo.
– As pessoas tinham uma ilusão de que o
sistema de domínios fosse uma força da natureza,
mas ele precisa ser gerido por alguém. Se o Icann é
uma entidade privada onde seus membros não são eleitos,
seus limites devem ser bem definidos. Google e Microsoft também
são entidades privadas cujas atitudes poderiam afetar a
maneira que milhões de pessoas utilizam a internet, mas
ninguém pensa em pedir que em sua diretoria sente um representante
do continente africano – resume Zittrain.







