Hackers, os novos seguranças da Web
Nos tempos de Sherlok Holmes, nas famosas histórias
policiais de sir Conan Doyle, o custo de obtenção
da informação era altíssimo, pois dependia
do esforço das pessoas de ir buscá-las, em viagens
e deslocamentos, até localizar os documentos ou testemunhas
para relatar os fatos necessários. Hoje, com os sistemas
de telecomunicações e computacionais, a facilidade
de obtenção de informações é
infinitamente maior. Pode-se conseguir o que se deseja praticamente
sem sair de casa ou do escritório.
Essa facilidade, no entanto, criou um fato novo,
perverso. Antigamente era possível guardar literalmente
"a sete chaves" as informações de uma
organização, com sua colocação em
cofres, e saber claramente quem tinha acesso a elas. Hoje, no
entanto, a informação não é visível,
está guardada de forma indireta, virtual, nos sistemas
óticos e magnéticos. Além disso, para garantir
a segurança contra os problemas da tecnologia, os dados
sigilosos são copiados e armazenados em outro local, aumentando
o risco de roubo ou extravio. Por outro lado, para aumentar a
facilidade de acesso de clientes e de usuários de sistemas,
as informações são disponibilizadas na internet,
também aumentando o risco de acesso por intrusos.
Essas situações somam-se no sentido
de perda de controle de onde se encontram as informações
que as organizações consideram sigilosas e não
querem deixar acesso livre. Observe-se que há informações
sigilosas do ponto de vista interno da organização
e informações privadas, de terceiros, que ela deve
também manter resguardadas contra acesso estranho. Estima-se
que, em 1998, houve US$ 140 milhões em prejuízos
causados por falhas nos sistemas de segurança. Este é
um problema sério, pois os negócios pela internet
(com consumidor final) não se desenvolvem ainda mais devido
ao receio que as pessoas têm de haver desvio. Há
todo tipo de ataque, desde vírus que destroem informações
armazenadas até acesso indevido por pessoas estranhas.
Para equacionar essa questão, surgiram os
Sistemas de Segurança da Informação↳Segurança171 conteúdosCibersegurança no Brasil: 6 passos para sair da estagnaçãoDevSecOps · jul 2025O papel do CISO para transformar a cibersegurança em uma alavanca de reputação para as empresasDevSecOps · mar 2024Itaipu Parquetec e Exército Brasileiro realizam exercício de cibersegurança em BrasíliaDev (Back & Front) · set 2025Ver tudo em DevSecOps →, que
têm por objetivo estabelecer um gerenciamento adequado e
minimizar o problema de intrusão e preservar as informações
das organizações. Esse tipo de atividade exige constante
zelo, pois a proteção máxima de hoje pode
ter uma fragilidade conhecida amanhã. A Norma ISO 17799
é um modelo que estabelece os requisitos de um Sistema
de Segurança.
Os Sistemas de Segurança da Informação
apoiam-se no tripé tecnologia, processos e pessoas. Este
tripé precisa possuir as três pernas de igual comprimento
para garantir equilíbrio na organização.
A tecnologia deve prover meios eficazes para impedir o acesso
de intrusos às informações sigilosas, utilizando
técnicas como fire-wall, controle de senhas e criptografia,
dentre outras. Os processos definem como devem ser realizadas
as atividades tanto nas situações de rotina como
nas situações de emergência. As pessoas devem
estar absolutamente cientes de suas responsabilidades, conhecer
os processos e estar familiarizadas com as tecnologias.
O gerenciamento desse sistema todo é que
irá garantir à organização maior segurança
de suas informações. Talvez, a manutenção
do sistema seja mais importante do que a própria implantação,
pois durante a operação do dia-a-dia, à medida
que nada ocorre, há uma tendência das pessoas "relaxarem"
seu estado de alerta e deixarem pontos frágeis para penetração
nos sistemas. Muitos problemas são causados pelas próprias
pessoas da organização, seja por descuido, seja
por má intenção mesmo. Portanto, é
necessário treinamento constante, mantendo todos alertas
com relação a essa questão. É bom
que haja auditoria para verificar os pontos de fragilidade e mesmo
realizados testes de intrusão com pessoas especializadas,
como hackers que podem ser contratados para essa finalidade.
Com relação aos hackers, há
uma questão elementar: é importante observar que
são como meninos de rua: se não receberem educação,
poderão estar fazendo a coisa errada. Com essas oportunidades
existentes no mercado de segurança no ambiente virtual,
podem tornar-se bons profissionais, como autênticos seguranças
da Web, pois, no mínimo, possuem competência. As
escolas de computação e de engenharia poderiam orientar
melhor seus alunos com relação à ética
na profissão, pois muitas vezes as atividades de intrusão
são realizadas como desafio de um jogo infantil, sem se
pensar muito nas conseqüências. Interessante que as
edições mais novas dos livros didáticos de
Sistemas de Informação já abordam essa questão
de ética.
Marcelo Schneck Paula Pessôa
é presidente da Fundação Vanzolini, vinculada
ao Departamento de Engenharia da Produção da Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo.







