NOTÍCIA

Google vai lançar serviço de pagamentos no Brasil

Diretor geral da empresa na Espanha disse que ferramenta já em uso nos Estados Unidos também será oferecida na Europa, mas não concorre com bancos.

De acordo com o Brasil Econômico, o Google vai oferecer no Brasil e na Europa soluções de pagamentos eletrônicos, como já faz nos Estados Unidos. A informação foi dada por Javier Rodriguez Zapatero, diretor geral do Google Espanha, Portugal e Turquia, durante o XIII Encuentro Santander — America Latina, realizada semana passada em Madrid.

Apesar de não ter fornecido detalhes sobre estratégia e prazos para o lançamento do novo serviço, o executivo ressaltou que o Google não pretende entrar no mercado bancário.

No Brasil, o setor de pagamentos eletrônicos ganhou um marco regulatório no final do ano passado, com a criação da figura jurídica de instituidor de pagamentos e dos arranjos de pagamentos – as regras estão em fase de implantação e, para funcionar, as empresas precisam pedir autorização do Banco Central até novembro.

Desde 2011, o Google atua em pagamentos nos Estados Unidos, e um dos serviços oferecidos é o Google Wallet, um sistema de pagamento móvel que permite aos consumidores armazenar cartões de crédito, débito e fidelização e efetuar pagamentos por meio de smartphone, apenas aproximando o aparelho de um sensor especial em terminais de recebimento, equipados com a tecnologia NFC ((Near Field Communication).

No Brasil, os pagamentos via smartphone estão sendo lançados com diversas parcerias envolvendo operadoras de telefonia, bancos, administradoras de cartão de crédito e débito e empresas de soluções tecnológicas, mas nenhum deles conquistou grande participação no mercado.

No encontro do Santander, realizado na Universidade Complutense, em El Escorial, na zona metropolitana de Madri, o diretor geral do Google na Espanha, Portugal e Turquia também falou sobre inovação, tecnologias e oportunidades de negócios e as oportunidades de negócios para a empresa, que já lançou óculos inteligentes, o Google Glass, e investe em carros sem motorista e em balões (Loom) para distribuir sinal de internet. Segundo o executivo, a revolução digital afeta a todos cada vez mais e em breve as máquinas e as pessoas estarão cada vez mais conectadas.

O novo marco regulatório dos meios de pagamentos foi definido no ano passado e ainda está em processo de implantação. A lei 12.865, que trata dos arranjos e instituições de pagamento, foi publicada em 9 de outubro de 2013, e a regulamentação feita pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) por meio das resoluções 4.282 e 4.283 e circulares 3.680/81/82 e 83 de 4 de novembro.

O conjunto de regras estabelece regulação mínima para o setor visando a mitigar riscos para o mercado financeiro e promover solidez na operação dos arranjos e instituições de pagamento. A regulamentação abrange vários players e seu objetivo principal, segundo o Banco Central, foi cercear o risco sistêmico com o desenvolvimento dos meios de pagamento eletrônicos.

Os únicos elos da cadeia não afetados são os bancos, que já são submetidos às regras do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP). Até as bandeiras de cartões, empresas que apesar de não serem financeiras estão entre as mais organizadas do sistema, terão de cumprir
mais exigências para obterem licença para operar como instituição de pagamento junto ao Banco Central.

As novas regras de pagamento abriram para as empresas não financeiras oportunidades de concorrerem com os bancos no atendimento a clientes não bancarizados. Entretanto, a legislação que colocou essas empresas não-financeiras sob a fiscalização do Banco Central (BC) exige investimentos para sua adaptação às novas regras – as empresas que faturam mais de R$ 500 milhões por ano precisarão abrir uma conta no BC, manter um capital mínimo, enviar relatórios periódicos e reforçar a governança até novembro, se quiserem continuar no negócio. Em compensação, as que conseguirem obter licença do BC depois dessa data poderão funcionar quase como um banco, abrindo contas correntes e emitindo moeda eletrônica.

Com informações de Brasil Econômico

Matérias especiais e reportagens conduzidas internamente pela Redação iMasters. Acompanhe no Twitter @imasters e no Instagram/Threads @portalimasters

Ver perfil