Falha em hardware wallets Coldcard leva a roubo de mais de US$ 130 milhões em cripto
Hackers exploraram uma vulnerabilidade na geração de seed phrases dos dispositivos da Coinkite, mostrando que carteiras offline não são infalíveis.

Firmas de segurança em blockchain relatam um roubo em andamento de criptomoedas armazenadas em hardware wallets Coldcard, fabricadas pela Coinkite. Segundo a Galaxy Research, citada pelo TechCrunch, pelo menos uma dúzia de hackers diferentes estaria mirando donos de Bitcoin que usam o dispositivo, e não está claro quem está por trás dos ataques.
Até terça-feira, a Galaxy Research estimava cerca de US$ 130 milhões subtraídos. Tom Robinson, cofundador e cientista-chefe da firma de monitoramento Elliptic, disse ao TechCrunch que o número é aproximadamente correto.
Por que este caso chama atenção
O ponto de usar um produto como o Coldcard é justamente que ele deveria ser uma das formas mais seguras de guardar cripto. O usuário armazena a chave secreta (a seed phrase, essencialmente uma senha) em um dispositivo que não se conecta à internet. Os bitcoins seguem na blockchain, mas protegidos por uma senha que vive exclusivamente offline. É o conceito de carteira "fria" (cold wallet), em oposição às "quentes" (hot wallets) que ficam online, como apps, extensões de navegador e contas em exchanges como Binance ou Coinbase.
A questão é que os atacantes descobriram uma falha em como as Coldcard geravam as seed phrases dos usuários: elas eram previsíveis. A constatação veio de pesquisadores de segurança da Block. Uma vez entendida a falha, bastou aos hackers fazer brute-force e gerar as seed phrases das vítimas.
A analogia do TechCrunch é útil: sabendo como fabricar as chaves, os invasores não precisaram arrombar o cofre que as guarda. Eles descobriram como cortar chaves em escala.
O relato de uma vítima
Jonathan Goodman, que afirma ter tido US$ 1,6 milhão roubados de sua Coldcard, resumiu a frustração em um post no X: "Talvez o mais difícil disso seja que eu fiz tudo certo. Nunca compartilhei minha seed phrase com ninguém. Meus dispositivos nunca tocaram a internet. Tudo ficava guardado em vários cofres e caixas de segurança."
E completou: "Nada disso importou. Tudo por causa de uma linha no código de 2021 que tinha uma vulnerabilidade."
A resposta da fabricante
Em um comunicado publicado na quinta e atualizado no sábado, a Coinkite alertou os usuários sobre a falha, pediu que atualizassem os dispositivos e depois "migrassem" para uma nova seed phrase. A empresa não respondeu de imediato ao pedido de comentário do TechCrunch.
O episódio se soma a um ano difícil para o setor: segundo a firma de monitoramento TRM Labs, houve mais de 200 ataques a empresas de criptomoeda em 2026, com perda total superior a US$ 950 milhões.
O que isso muda para quem constrói no Brasil
Para devs brasileiros que trabalham com blockchain, custódia de ativos ou integração com wallets, o caso reforça uma lição de engenharia de segurança que vai além de cripto: a qualidade da fonte de aleatoriedade é crítica. Uma seed phrase (ou qualquer chave criptográfica) só é segura se for gerada a partir de entropia genuína e imprevisível. Geradores de números pseudoaleatórios mal implementados, sementes fixas ou fontes de entropia fracas transformam "cofres" em portas destrancadas, e o problema é silencioso até alguém explorá-lo.
Alguns pontos práticos que o episódio ilumina:
- Auditar a geração de chaves é tão importante quanto proteger o armazenamento. O usuário fez tudo certo do lado dele; o furo estava no código do fabricante.
- Uma linha de código de 2021 foi suficiente para comprometer valores milionários anos depois, um lembrete do custo de longo prazo de dívidas de segurança.
- Modelos de ameaça que assumem "offline = seguro" precisam de revisão: o vetor aqui não dependeu de conexão à internet.
Para quem opera com autocustódia, a recomendação técnica prática é conferir os avisos oficiais do fabricante do seu dispositivo, aplicar atualizações de firmware e, quando indicado, migrar para uma nova seed phrase gerada após a correção.
Fonte: TechCrunch
Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.








