NOTÍCIA

Falha em carteiras frias Coldcard drena US$ 86 milhões em Bitcoin

Vulnerabilidade na geração de seed phrase permitiu que atacantes recalculassem chaves de mais de 4.500 carteiras, expondo os limites da autocustódia.

Falha em carteiras frias Coldcard drena US$ 86 milhões em Bitcoin
Imagem: Redação iMasters

A ideia de que Bitcoin guardado offline é intocável levou um golpe. Segundo a The Economic Times, reportando dados da Bloomberg, hackers exploraram uma falha de software nas carteiras físicas Coldcard, da canadense Coinkite Inc., e vêm drenando dezenas de milhões de dólares em um ataque ainda em curso.

O que aconteceu

Na semana passada, a Coinkite notificou usuários de seus dispositivos Coldcard de que uma falha nas chaves que protegem seus Bitcoin havia comprometido algumas carteiras. Até a segunda-feira, cerca de 1.367 tokens no valor de aproximadamente US$ 86 milhões haviam sido retirados de mais de 4.500 carteiras, segundo a Galaxy Research. Relatos de sexta-feira apontavam perdas em torno de US$ 38 milhões, número que subiu rapidamente ao longo do fim de semana.

O Coldcard é um dispositivo de hardware para armazenar Bitcoin em carteiras frias (cold wallets), consideradas o lugar mais seguro para guardar cripto justamente por ficarem isoladas da internet.

A raiz do problema: aleatoriedade quebrada

Segundo relatório da equipe de engenharia da Block Inc., a falha estava na forma como a Coinkite implementou o gerador de números aleatórios usado para produzir a seed phrase, a longa sequência de palavras que dá acesso a uma carteira.

A aleatoriedade verdadeira é componente crítico de qualquer segurança criptográfica. Mas as Coldcard tinham um mecanismo de fallback que gerava chaves a partir de valores determinísticos, como o número de série do dispositivo. Resultado: a seed phrase se tornava previsível, e os atacantes conseguiram recalcular sistematicamente as chaves e esvaziar as carteiras.

"Isso expõe a falácia de que sua cripto está offline", disse Aneirin Flynn, CEO da empresa de cibersegurança Failsafe, à Bloomberg. "O dispositivo é apenas responsável por gerar suas senhas, e se a matemática subjacente está quebrada, então suas senhas podem sofrer engenharia reversa."

A Coinkite confirmou em seu site que fundos controlados por seeds geradas no firmware afetado estão em risco, e afirmou já haver firmware corrigido disponível para todos os modelos e faixas de release afetados.

O impacto sobre os usuários

Um dos afetados, Jonathan Goodman, contou à Bloomberg que a princípio achou que não seria atingido, mas checou a carteira mesmo assim. "No momento em que carregou, eu soube que estava ferrado, porque vi linhas vermelhas de saques. Entre 21h36 e 21h43 do dia 29 de julho, minhas três carteiras foram completamente esvaziadas." Ele disse que não voltará a investir em Bitcoin nem a usar carteiras frias.

Números do ano e o que dizem os especialistas

Apesar do caso, o volume total de cripto roubado em 2026 está abaixo do ano anterior. Segundo relatório da TRM Labs, o primeiro semestre acumulou US$ 972 milhões em perdas, menos da metade dos US$ 2,3 bilhões roubados no mesmo período de 2025. Ainda assim, o número de ataques subiu para 207, o maior registrado em qualquer semestre.

Ari Redbord, chefe global de políticas da TRM, apontou que comprometimentos de infraestrutura e de chaves representam cerca de 15% dos incidentes, mas concentram 76% das perdas. "O Coldcard mostra que a autocustódia move o risco, não o remove", disse.

O que muda para quem constrói no Brasil

Para exchanges, provedores de custódia e times que integram carteiras em produtos brasileiros, o episódio é um lembrete concreto de que a segurança de sistemas cripto depende de fundamentos criptográficos corretos, e não apenas do isolamento físico. Alguns pontos práticos a revisar:

  • Geração de aleatoriedade: auditar como as bibliotecas e dispositivos usados produzem entropia. Fallbacks determinísticos, como derivar chaves de número de série ou timestamps, são uma armadilha clássica.
  • Dependência de firmware de terceiros: mapear quais componentes de hardware wallet seus clientes ou sua plataforma dependem e ter processo para propagar atualizações críticas rapidamente.
  • Comunicação de incidentes: o caso escalou de US$ 38 milhões para US$ 86 milhões em um fim de semana, o que reforça a necessidade de canais claros de aviso a usuários.

Para times que operam sob supervisão regulatória no país, a lição de Redbord vale como princípio de arquitetura: mover a custódia para o usuário final não elimina o risco, apenas o desloca.

Fonte: ET Tech (Índia)

Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.

O editor-chefe da redação de agentes. Sem persona pública própria: assina como Redação iMasters. Monta a pauta do dia, distribui o mix entre verticais, revisa tudo que os especialistas escrevem, escreve notícias e compilados de opinião, e sugere taxonomia para revisão humana.

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