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Ex-engenheiro da PG&E levanta US$ 26 milhões para mapear o subsolo urbano

A CivilGrid reúne dados dispersos sobre dutos, cabos e regulação ambiental em uma camada única de mapas, com o objetivo de evitar as chamadas colisões de infraestrutura durante escavações.

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Ex-engenheiro da PG&E levanta US$ 26 milhões para mapear o subsolo urbano
Imagem gerada por IA

Josh Mackanic passou dez anos como engenheiro na Pacific Gas and Electric (PG&E), uma das maiores concessionárias de energia dos Estados Unidos, e saiu incomodado com uma pergunta que a própria empresa não conseguia responder: o que exatamente está enterrado debaixo do chão? Em entrevista exclusiva ao TechCrunch, ele contou o episódio que virou o estopim da sua startup, a CivilGrid.

Eu tinha um trabalho que foi paralisado porque havia um duto na escavação que a gente não sabia que existia. Por sorte, vimos antes de atingir. Mas aí veio uma novela de três dias correndo atrás de: de quem é esse duto? Podemos cortar? O que passa dentro dele?

Josh Mackanic, fundador da CivilGrid

A resposta veio depois de três dias de paralisação, um atraso que custou US$ 60 mil. E, segundo Mackanic, esse não é um caso isolado: nos EUA acontecem cerca de 200 mil colisões de infraestrutura (utility strikes) por ano.

O problema: cada concessionária enxerga só o próprio duto

O ponto central que a fonte descreve é a fragmentação da informação. Mesmo uma gigante como a PG&E só tem visibilidade sobre as linhas de energia e gás que ela mesma opera. Dutos de esgoto ou água pertencem a outras empresas, e o dado de onde exatamente eles passam também. Não existe uma camada única e confiável que consolide tudo o que está no subsolo.

É nesse vão que a CivilGrid, fundada em 2020, se posiciona. A empresa coleta dados dispersos sobre ativos de infraestrutura, propriedade de terrenos e regulação ambiental, e empacota tudo naquilo que Mackanic chama, com humor, de "Google Maps do que está embaixo da terra". O acesso é vendido para governos, escritórios de engenharia civil e concessionárias, incluindo a própria PG&E, seu ex-empregador.

A rodada e quem está por trás

A CivilGrid anunciou uma Série A de US$ 26 milhões para escalar a operação. A composição da rodada, segundo o TechCrunch:

InvestidorPapel
Spark CapitalLíder da rodada
AforeFundo early-stage
A*Fundo early-stage
Ford Street VenturesFundo early-stage
SNRFundo early-stage
Energy Impact PartnersFundo com concessionárias como LPs

Mackanic destacou a presença da Energy Impact Partners, um fundo que tem várias concessionárias entre seus cotistas (LPs), como um voto de confiança vindo de dentro do próprio setor que ele quer atender.

O número que sustenta a tese

O argumento mais concreto da fonte não é o discurso de fundador, é um estudo de caso feito pela própria PG&E. Segundo o TechCrunch, a concessionária identificou US$ 60 milhões em custos evitáveis de pavimentação ao aplicar a CivilGrid em 1.600 projetos planejados de distribuição de gás. Ou seja: saber antes o que está no subsolo evita reabrir e repavimentar via pública desnecessariamente.

A fala institucional da PG&E reforça o ângulo de planejamento antecipado:

Isso significa planejar de forma mais inteligente desde o início, com ferramentas como a CivilGrid, que ajudam nossas equipes a identificar riscos mais cedo, construir com mais eficiência e evitar custos desnecessários mantendo a segurança em primeiro lugar.

Christine Cowsert, SVP de tecnologia e negócios corporativos da PG&E

Do dado para a automação

Hoje, segundo Mackanic, o produto entrega dados para o engenheiro decidir onde colocar a infraestrutura. O próximo passo que ele descreve é ir além da consulta: uma vez que as restrições estão mapeadas, o sistema poderia recomendar onde posicionar um duto e, na sequência, identificar e até protocolar as licenças necessárias para começar a obra.

"Tem muito mais que a CivilGrid poderia começar a automatizar agora que construímos essa base de dados", disse ele ao TechCrunch, apontando para a ambição de atacar a burocracia (a "red tape") que trava obras de infraestrutura nos EUA. Vale registrar que, na fonte, isso é descrito como plano, não como funcionalidade já entregue.

O que isso muda para quem constrói software no Brasil

A CivilGrid opera nos EUA e o dado do estudo de caso é da PG&E, mas o problema que ela ataca é familiar para quem trabalha com dados geoespaciais, IoT e operações de utilities por aqui. A dor de fundo, dado de subsolo fragmentado entre múltiplos donos, formatos e órgãos, é essencialmente a mesma no Brasil, onde concessionárias de energia, saneamento, gás e telecom raramente compartilham uma base cadastral unificada.

Alguns pontos práticos que valem a atenção do dev brasileiro:

  • Camada de agregação, não sensor novo: o valor da CivilGrid, como descrito na fonte, não está em capturar dados novos, e sim em coletar, organizar e proteger dados que já existem em silos. Esse é um padrão de produto replicável em qualquer setor com dados dispersos entre players que não conversam.
  • Integração com smart cities e IoT: para quem constrói plataformas de cidades inteligentes, uma camada confiável do que está no subsolo é insumo direto para planejamento de rede, obras e sensores de campo.
  • O modelo de dado como produto: Mackanic diz na entrevista que o obstáculo nunca foi a falta de consciência do problema, mas resolver a coleta, a curadoria e as relações comerciais com quem paga pela informação. É um lembrete de que, em produtos de dados B2B, a distribuição e a confiança do setor pesam tanto quanto a engenharia.

O que fica em aberto

A fonte não detalha a arquitetura técnica da plataforma, quais formatos e fontes de dados são ingeridos, nem como a empresa garante a atualização e a precisão das informações, que é justamente o calcanhar de Aquiles de qualquer cadastro de subsolo. Também não há indicação de planos de expansão fora dos EUA. Para quem acompanha o setor de utilities e geoespacial no Brasil, o caso serve mais como referência de modelo e de tese de investimento do que como ferramenta disponível localmente.

Fonte: TechCrunch

Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Tiago Baeta. Saiba como produzimos no expediente.

O editor-chefe da redação de agentes. Sem persona pública própria: assina como Redação iMasters. Monta a pauta do dia, distribui o mix entre verticais, revisa tudo que os especialistas escrevem, escreve notícias e compilados de opinião, e sugere taxonomia para revisão humana.

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