Estudo com 27 mil alunos: IA subiu 18% na nota de casa, mas derrubou 20% na prova
Pesquisa na China acompanhou estudantes que usavam ferramentas de IA e encontrou ganho no dever de casa e queda no desempenho em provas sem assistência. O padrão importa para quem forma devs.

Um estudo que acompanhou 27 mil estudantes na China chegou a um resultado que expõe um risco conhecido de quem aprende com IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI →: as notas do dever de casa subiram, mas o desempenho em prova, sem acesso às ferramentas, caiu. Os números foram divulgados pela The Economist em 18 de agosto e ainda não haviam sido verificados de forma independente por outras instituições no momento da publicação.
O que a pesquisa mediu
O trabalho foi conduzido por David Stromberg, da Universidade de Estocolmo, ao lado de Victor Lei e Wu Yanhui, da Universidade de Hong Kong. Foram acompanhados 27 mil alunos de 12 a 18 anos na China, país onde a adoção de ferramentas de IA por estudantes cresceu rápido.
Segundo os dados citados pela The Economist, cerca de 80% dos estudantes pesquisados relataram usar modelos de IA como Doubao e DeepSeek. Os 20% restantes, que não usavam essas ferramentas, formaram o grupo de controle.
Os dois números centrais:
- Ao longo de seis meses, os alunos que usaram IA viram a nota média do dever de casa subir 18% em todas as disciplinas.
- Quando os mesmos alunos foram testados em condições de prova, sem acesso à IA, ficaram 20% abaixo dos colegas que não usaram a tecnologia no período.
A leitura mais direta, levantada por parte de quem comentou os dados nas redes, é que muitos alunos copiaram as respostas geradas pela IA sem se envolver de verdade com o conteúdo. A nota do dever de casa mede o que a ferramenta produz; a prova sem IA mede o que ficou na cabeça do aluno.
Não é um achado isolado
O padrão bate com uma pesquisa menor feita em 2024 na Universidade da Pensilvânia. Nela, estudantes de uma aula de matemática praticaram exercícios usando ou métodos tradicionais (anotações e livros) ou ferramentas de IA, incluindo o ChatGPT e um programa de tutoria por IA. Segundo o resumo do estudo, quem usou IA se saiu melhor nas sessões de prática de curto prazo, mas a vantagem não se sustentou em um teste de livro fechado depois.
A distinção técnica aqui é entre desempenho durante a prática e aprendizado retido. A IA melhora o primeiro e, nesses estudos, prejudica o segundo, o que sugere que a assistência estava substituindo o esforço cognitivo em vez de apoiá-lo.
A The Economist observou que professores já vinham relatando corrigir redações formulaicas e parecidas entre si, que suspeitavam ter sido geradas por chatbots como o ChatGPT, mas que, antes deste estudo, havia pouca evidência robusta sobre o efeito real da IA no aprendizado.
O tamanho da adoção
O estudo também traz o pano de fundo de quão disseminado o uso ficou. Uma pesquisa da empresa de ed-tech Chegg, no ano passado, apontou que 80% dos universitários em países ricos relataram usar IA nos estudos. Levantamentos mais recentes elevaram o número para 94% entre estudantes no Reino Unido e 93% na Alemanha.
Ou seja: não se trata mais de um nicho de early adopters. Para quem está entrando no mercado de desenvolvimento agora, o uso de IA no aprendizado é a norma, não a exceção.
Por que isso importa para quem forma e contrata devs no Brasil
O estudo é sobre estudantes de ensino médio na China, mas a dinâmica que ele descreve é exatamente a que profissionais de tecnologia vivem hoje com assistentes de código. A diferença entre resolver um exercício com o Copilot ao lado e conseguir resolver o mesmo problema sozinho, numa entrevista técnica ou num incidente em produção, é o análogo direto da diferença entre nota do dever de casa e nota da prova.
Alguns desdobramentos práticos para o contexto brasileiro:
- Bootcamps e cursos de programação enfrentam o mesmo dilema medido no estudo: se o aluno entrega o projeto com a ajuda de um chatbot, a nota do projeto não mede mais o que ele aprendeu. Avaliações de código fechado, pair programming ao vivo e discussão oral do raciocínio passam a valer mais que o entregável final.
- Processos seletivos que dependem de desafios feitos em casa perdem poder de discriminação quando qualquer candidato pode gerar a solução. Isso reforça a tendência de entrevistas técnicas com a pessoa raciocinando em tempo real e explicando decisões.
- Times corporativos que dependem de juniores acostumados a delegar o raciocínio à IA podem acumular uma dívida silenciosa: código que passa nos testes mas que ninguém no time entende a fundo o suficiente para depurar quando quebra.
O ponto não é demonizar a ferramenta. Uma ficha técnica publicada pela Brookings Institution neste ano afirma que a IA pode apoiar o aprendizado quando usada de forma intencional e bem desenhada, mas alerta que a dependência excessiva da tecnologia para substituir o pensamento, a interação social ou a criatividade pode impedir o desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais.
O que fica em aberto
Vale a ressalva metodológica: o estudo completo dos pesquisadores de Estocolmo e Hong Kong não havia sido verificado de forma independente por outras instituições até a publicação, e usuários em fóruns como o Hacker News questionaram aspectos do desenho da pesquisa, enquanto outros notaram que ele se alinha a preocupações que educadores já tinham.
Duas perguntas ficam sem resposta definitiva. Primeira: o efeito é da IA em si ou de como ela foi usada (copiar respostas versus usar como tutor que explica)? O estudo da Pensilvânia sugere que até tutores de IA desenhados para ensinar tiveram o mesmo problema de retenção, mas o desenho da intervenção varia muito. Segunda: o resultado se transfere de estudantes de ensino médio em matemática e redação para adultos aprendendo a programar? A hipótese é plausível, mas ainda não medida.
O que já dá para levar do estudo é uma pergunta útil para qualquer dev que usa IA no dia a dia: se a ferramenta sumisse amanhã, quanto do que você entregou esta semana você conseguiria refazer sozinho?
Fonte: Hacker News
Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters. Saiba como produzimos no expediente.









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