CPqD desenvolve app voltado para deficientes visuais
App utiliza recurso de narração automática por síntese de voz para facilitar o acesso do usuário às principais funções do aparelho.
O CPqD desenvolveu um aplicativo com o objetivo de facilitar o uso de dispositivos móveis por pessoas com deficiências visuais. Chamado de CPqD Alcance, o app utiliza recurso de narração automática por síntese de voz para facilitar o acesso do usuário às principais funções do aparelho.
O CPqD é uma instituição independente, com foco na inovação em tecnologias da informação e comunicação (TICs). Possui o maior programa de P&D da América Latina na sua área de atuação e tem como objetivo contribuir para a competitividade do País e a inclusão digital da sociedade, levando ao mercado tecnologias de produto, sistemas de missão crítica, serviços tecnológicos e consultorias que beneficiam grandes e pequenas empresas, aumentando a eficiência desses negócios e alavancando o empreendedorismo no Brasil.
As funções do smartphone são representadas por ícones na tela touchscreen. À medida que a pessoa desliza o dedo sobre a tela, uma voz sintetizada informa a função correspondente àquela área. Com mais um toque, o usuário tem acesso à funções como realizar e receber ligações, enviar e receber mensagens de texto (SMS), consultar o histórico de ligações, o nível de bateria, a data e hora e a lista de contatos telefônicos.
Além dessas funções básicas, o CPqD Alcance oferece algumas avançadas, como despertador (com lembrete de voz), localização e auxílio ao deslocamento, tocador de música e leitor de arquivos de texto. “A intenção é facilitar o uso dos principais recursos do smartphone, dando mais autonomia e privacidade à pessoa com deficiência visual”, explicou Graziela Barros, gerente de produto no CPqD.
O aplicativo é resultado do Projeto VozMóvel, desenvolvido pelo CPqD em parceria com o Centro de Prevenção à Cegueira (CPC) de Americana, com o apoio de recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), do Ministério das Comunicações, administrados pela Finep. “A parceria com o CPC é um diferencial importante, porque permitiu identificar as reais necessidades dos deficientes visuais e a sua participação no próprio desenvolvimento e teste da solução”, afirmou Claudinei Martins, coordenador do Projeto VozMóvel – que, em 2012, recebeu o Prêmio A Rede na categoria Acessibilidade.
Em fevereiro do ano passado, o CPqD iniciou um teste piloto com nove pessoas atendidas pelo Centro de Prevenção à Cegueira, que receberam smartphones com o app instalado. “O intuito era avaliar a usabilidade da aplicação e receber sugestões de melhorias”, disse Martins.
Recentemente, uma pesquisa com esses usuários revelou que o nível de satisfação com a solução foi alto. Foram avaliados cinco quesitos, sendo que a média das notas atribuídas a cada um foi superior a 9,4 (a pontuação máxima era 10). “O aspecto da autonomia em relação ao uso do smartphone foi o mais relevante, em termos de resultado”, comentou o coordenador do projeto. Além disso, a pesquisa avaliou os quesitos melhora da privacidade, da interação social, do uso do celular e da qualidade de vida.
O foco inicial do CPqD Alcance são as mais de 6,5 milhões de pessoas cegas ou com grande dificuldade permanente de enxergar existentes no Brasil, segundo o Censo 2010 do IBGE. Mas essa aplicação do CPqD pode beneficiar também outros usuários de smartphones, como pessoas com baixo letramento ou pouco familiarizadas com tecnologia – como idosos, por exemplo.
O CPqD Alcance está disponível apenas para smartphones que rodem Android, a partir da versão 4.x, e já pode ser baixado na Google Play.







