NOTÍCIA

Brasil tem de agir rápido para figurar entre os maiores fornecedores d

O Brasil tem potencial para figurar entre os cinco
maiores fornecedores mundiais de software e serviços de
tecnologia da informação até o fim de 2010,
mas precisa agir rapidamente. O recado é do presidente
da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas
de Software e Serviços para Exportação),
Antonio Carlos Rego Gil. As vantagens do País para atingir
este patamar e as recomendações de como alcançá-lo
constam do estudo da A.T. Kearney encomendado pela Brasscom, sobre
o desenvolvimento de uma agenda estratégica para o setor
de IT offshore e outsourcing.

Em 2005, segundo dados da Brasscom, o Brasil exportou
300 milhões de dólares em software e serviços
de TI, enquanto a marca da Índia foi de 18 bilhões
de dólares. “O governo tem como meta chegar a dois
bilhões de dólares em 2007, mas ainda assim estamos
muito atrás da Índia, que tem projeto para exportar
60 bilhões de dólares em 2010. Isto num mercado
potencial que alcançará 150 bilhões de dólares
em 2010”, afirmou Gil.

O estudo, resultado de cerca de dez meses de trabalho
entre entidades do Governo Federal e a Brasscom, aponta quais
são as principais ações para a internacionalização
da oferta brasileira de serviços e softwares de TI. Além
de ser um dos cinco principais países exportadores de serviços
de TI, o projeto também visa a colocar o Brasil entre os
dois exportadores de serviços de TI para a indústria
financeira. “O Brasil investe há 45 anos no uso de
TI e é um dos mais eficientes usuários; basta observar
a indústria financeira, que é a mais moderna do
mundo, ou o governo eletrônico”, salienta Gil.

Entre as recomendações, o estudo
apontou a necessidade de investimento em educação
e inovação tecnológica, ademais de incentivos
para fusões e aquisições para ter empresas
brasileiras de maior porte. Estimular a formação
de empresas nacionais de grande porte; formação
e “escalabilidade” do pool de recursos humanos; certificação
de empresas, construção e gestão de uma imagem
positiva da proposta de serviços brasileira junto aos mercados-alvo
e formadores de opinião; e comparação com
os líderes de mercado e superação de lacunas
e inconsistências são outros pontos que precisam
ser trabalhados.

Entre as desvantagens, o relatório chamou
a atenção para a alta carga tributária e
a burocracia em excesso. O Brasil ainda está atrás
da Índia e da China em certificação de empresas
no padrão CMMi e é relativamente menos competitivo
que outros concorrentes emergentes em custos de overhead. O estudo
recomendou que é preciso impulsionar a experiência
local para o País se desenvolver no mercado global de outsourcing.

“Por outro lado, estamos no mesmo fuso horário
dos principais mercados (costa leste dos Estados Unidos e Europa),
com abundância de vôos diretos para estes lugares.
Não temos terremotos ou movimentos terroristas”,
contrapôs Gil, enumerando as vantagens brasileiras. O presidente
da Brasscom também ressaltou que os nossos sistemas gerencial
e judicial são ocidentais, o que facilita a exportação.

Mercado

O estudo da A.T. Kearney encomendado pela Brasscom
mostrou que a demanda por offshoring de serviços de TI
e a terceirização de processos de negócio
(BPO) tende a crescer de forma acelerada.

Em 2004, o mercado global de outsourcing de serviços
de TI totalizou US$ 607 bilhões e a perspectiva de crescimento
é de 6% ao ano até 2008. O setor brasileiro de software
e serviços de TI movimenta US$ 7,7 bilhões, correspondendo
a 1.6 % do Produto Interno Bruto (PIB).

Roberta Prescott é repórter da área
de tecnologia da informação.

Matérias especiais e reportagens conduzidas internamente pela Redação iMasters. Acompanhe no Twitter @imasters e no Instagram/Threads @portalimasters

Ver perfil