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Brasil concentra 49% dos data centers da América Latina

Brasil lidera a capacidade instalada de data centers da América Latina, de acordo com relatório recente da Moody's Ratings.

Brasil concentra 49% dos data centers da América Latina
Imagem: Redação iMasters

Brasil lidera a capacidade instalada de data centers da América Latina, de acordo com relatório recente da Moody’s Ratings. O país responde por cerca de 49% do total da região. Em seguida aparecem México, com 27%, e Chile, com 9%. Ao todo, a América Latina soma aproximadamente 2.340 MW instalados. Além disso, o crescimento anual estimado gira entre 15% e 20%.

Esses números parecem distantes de quem passa o dia no editor. Na prática, porém, eles definem onde sua aplicação vai rodar. Também definem quanto vai custar cada chamada de inferência. Portanto, vale entender o que trava a expansão.

Brasil: A fila não é por GPU, é pela tomada

A demanda por capacidade segue firme. O freio aparece do outro lado da tomada. Segundo a Moody’s, a expansão passou a depender da capacidade do setor elétrico de entregar energia firme, ampliar a transmissão e superar gargalos regulatórios.

Energia firme significa fornecimento estável, contínuo e previsível. Um rack de treinamento derruba o job inteiro em uma oscilação de milissegundos. Por isso, hidrelétrica, eólica e solar resolvem só parte da equação. A intermitência das renováveis exige complemento, seja térmico, seja armazenamento em baterias.

Um campus de IA chega na rede com apetite de siderúrgica

O relatório traz um alerta específico sobre os novos campi de inteligência artificial. Essas instalações exigem cargas elétricas equivalentes às de grandes consumidores industriais. Ou seja, um único cluster de GPUs entra na rede com o consumo de uma planta industrial pesada.

O problema fica claro quando olhamos a origem do sistema. A malha de transmissão brasileira foi projetada para atender consumo distribuído ao longo do território. Agora ela recebe pedidos de conexão concentrados em poucos municípios. Como resultado, surgem pontos de saturação onde antes havia folga.

Quem trabalha com capacity planning reconhece o padrão na hora. É um hotspot clássico. O rebalanceamento, porém, leva anos.

Curtailment: quando sobra energia e mesmo assim falta

O Brasil tem energia renovável abundante. Ainda assim, a região convive com quatro limitações apontadas no relatório: filas de conexão, capacidade de transmissão, corte de geração em áreas de alta produção renovável e licenciamento lento.

Curtailment é o corte deliberado de geração. Acontece quando o parque produz mais do que a linha consegue escoar. O Nordeste concentrou 71,1% da potência cadastrada nos leilões de baterias de dezembro, o que sinaliza exatamente onde a sobra ocorre.

Em outras palavras, existe energia parada em um ponto do mapa enquanto falta capacidade em outro. Enquanto a transmissão não acompanha, a fila de conexão continua longa.

O Redata travado aparece na sua fatura de nuvem

O Redata, regime especial que suspende tributos federais na compra de equipamentos de data center, foi aprovado na Câmara em fevereiro.

A Brasscom afirma que o projeto segue vivo. A Associação Brasileira de Data Centers avalia o cenário de forma mais dura e passou a apostar em convênio de ICMS e em outros instrumentos tributários. A estimativa oficial de renúncia girava em torno de R$ 5,2 bilhões em 2026.

Cada real de tributo sobre GPU, nobreak e sistema de refrigeração entra no preço final da hora de computação.

296,8 GW cadastrados: o leilão de dezembro pode mudar o jogo no Brasil

A Empresa de Pesquisa Energética registrou 6.091 projetos cadastrados para os dois leilões de armazenamento, somando 296,8 GW de potência. O número é recorde no setor elétrico brasileiro.

Os certames acontecem em 2 e 4 de dezembro. Antes disso, a habilitação técnica termina em 17 de novembro. Vale acompanhar o resultado, porque armazenamento em baterias é o que transforma geração intermitente em energia firme.

Quatro decisões de arquitetura que a rede elétrica agora influencia

Boa parte das decisões de arquitetura no Brasil ainda trata energia como detalhe de infraestrutura alheia. Esse cenário mudou.

Primeiro, a escolha de região deixou de ser apenas uma questão de latência. Novas zonas dependem de fila de conexão e de licenciamento, portanto o prazo de disponibilidade escorrega com frequência. Planeje capacidade com margem maior do que a usual.

Segundo, cargas de trabalho toleram deslocamento no tempo. Treinamento, processamento em lote, indexação e geração de embeddings aceitam janelas flexíveis. Assim, agendar esses jobs em períodos de sobra de geração reduz custo e alivia a rede.

Terceiro, a resiliência precisa contemplar evento climático. A previsão oficial indica intensificação do El Niño no segundo semestre de 2026. Distribuidoras já se preparam para temporais mais severos. Dessa forma, failover entre regiões distantes vale mais do que redundância dentro do mesmo campus.

Quarto, o custo por token passa por megawatt. Quando o preço da energia sobe, o preço da inferência acompanha. Contratos de longo prazo no mercado livre já rondam R$ 242 por MWh, de acordo com dados citados pelo BTG.

Cinco checagens antes da próxima escolha de região

Verifique a data real de disponibilidade da zona, e não apenas o anúncio de roadmap. Confirme a origem da energia contratada pelo provedor, já que o Redata condiciona benefícios ao uso de fonte limpa. Meça a latência real entre suas regiões candidatas com tráfego de produção. Separe as cargas que aceitam janela flexível das que exigem resposta imediata. Documente o plano de degradação graciosa para eventos de rede elétrica.

Brasil: O calendário que vale colocar no radar

Alguns marcos merecem atenção nos próximos meses. A nota técnica de capacidade de escoamento sai em 28 de setembro. A habilitação dos projetos de baterias termina em 17 de novembro. Os leilões ocorrem em 2 e 4 de dezembro.

O Brasil tem matriz limpa, território e demanda para liderar a infraestrutura de IA da região. A expansão agora depende de fio, subestação e regulação. Para quem constrói software, isso significa uma variável nova no diagrama de arquitetura.

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