Bill Gates prevê o futuro
Na última semana, Bill Gates surpreendeu
os fabricantes de hardware ao responder à pergunta
do diretor do Gartner, Michael Fleisher, sobre os avanços
da tecnologia nos próximos 10 anos. Segundo o engenheiro-chefe
da Microsoft, os custos do hardware cairão significativamente
nesta década, chegando ao ponto em que a expansão
da computação não será limitada
pelos custos do desktop.
– A interação com sistemas e
a criação de um software serão muito
diferentes. Em 10 anos, o custo do hardware será praticamente
zero, já que o poder dos servidores e a velocidade
da internet não serão mais fatores limitantes
– afirmou Gates, ao se referir ao futuro em que micros conectados
pela internet em alta velocidade processarão informação
em outros computadores.
O engenheiro-chefe e fundador da Microsoft
se baseou no avanço lógico dos servidores, cada
vez mais potentes. Dessa forma, os computadores desktop não
precisarão ter grande poder de processamento, já
que os programas, como o Office, poderão ser usados
remotamente, instalados em um computador central. O usuário
acessará as informações por uma conexão
de alta velocidade.
– Não vejo absurdos nas declarações
de Gates. A tendência é voltar à época
dos mainframes e muita coisa poderá ser feita pela
internet, na forma de serviços. Consequentemente, os
custos com hardware nos clientes serão mínimos
– comenta Sylvio Jorge, professor da UniCarioca e responsável
pela Solucionática.
A declaração de Gates pode ser
justificada com a Lei de Moore, que afirma que a cada 18 meses
a capacidade de processamento dos computadores dobra, e os
custos permanecem constantes. Com isso, em 10 anos, teremos
processadores que efetuem todas as funções de
um computador atual (vídeo, som, rede, memória)
e com um preço mais baixo.
– São duas variáveis que apontam
à mesma direção: maior poder do hardware
a um preço competitivo e menor necessidade de hardware
poderoso para o usuário final. Só não
arrisco que teremos a realidade citada por Gates em 10 anos
– explica Jorge.
Ao longo de décadas, a Microsoft sempre
ocupou vantagem em relação à indústria
de hardware, pela predominância do sistema operacional
Windows nos computadores pessoais.
Durante a entrevista, Gates disse também
apostar no desenvolvimento da informática, tornando
possível a interação do usuário
com a máquina pelo reconhecimento de voz ou escrita
à mão.
– Os dispositivos com esses recursos serão
tão comuns como o Windows, que roda em mais de 90%
dos computadores pessoais do mundo. Além disso, eles
serão portáteis como um bloco de papel.
A gigante do software já investe nessa
área – principalmente para atender as necessidades
do mercado corporativo. Recentemente, a empresa lançou
um dos exemplos, o Speech Server, voltado para empresas que
desenvolvem call centers automatizados. O mesmo acontece com
o Tablet PC, com reconhecimento de escrita.







