Automedicação é prejudicial ao Webdesign
Por volta de 1994, profissionais de informática
começaram a experimentar o uso de tecnologia Internet dentro
das empresas, hoje chaImagine um consultório médico onde chega
um paciente, senta na cadeira e, antes da primeira pergunta,
vai logo dizendo: “Doutor, eu quero tomar o medicamento XYZ
que eu li na revista REMÉDIOS deste mês. O senhor, por favor,
me prepare uma receita”. O médico, surpreso, não tem tempo
de reação. Tenta argumentar, mas no final da conversa, ainda
ouve do paciente: “Bom doutor, o negócio é o seguinte: eu
pago a consulta, eu vou pagar o medicamento e eu irei toma-lo,
portanto, a responsabilidade é minha. Vamos lá, mande a receita”.
A situação acima que, infelizmente, nem é tão
rara nos consultórios médicos, acaba surgindo também no desenvolvimento
de Web Sites. E ela acontece justamente no momento em que
se estabelece a relação entre o projetista de Web, ou Web
designer, e o cliente que contratou seus serviços.
O cliente muitas vezes acaba sendo pressionado
a tentar saber “tudo” sobre Internet. Afinal, quase não existe
uma publicação que não enfatize a necessidade de “dominar”
a rede. A cada dia surgem mais e mais revistas com a “tendência”
do momento, numa avalanche de nomes e siglas novas. É quase
um sinal de “status” poder dizer que ele conhece a nova linguagem
ZYV e que precisa ter todo seu Web site desenvolvido nela.
O Web designer fica então numa situação bem
difícil porque deixa de exercer sua função real, que é de
resolver um problema colocado pelo seu cliente. Decidindo,
principalmente, qual tecnologia seria mais apropriada. Mas
para que isto tenha sentido é preciso diagnosticar com precisão
as características daquele projeto. Elas são uma coleção de
variáveis onde entra a verba disponível, o prazo de desenvolvimento,
o público-alvo, o tipo de informação, a periodicidade de atualização
dentre outros aspectos. E, só após esta etapa, defini-se então
qual opção tecnológica será adotada.
Se por um lado as novas linguagens ou softwares
surgem para preencher determinada lacuna no desenvolvimento
de Web sites, por outro lado eles ainda sofrem problemas de
instabilidade e incompatibilidades. São “bugs” e imperfeições
que serão corrigidos com o tempo e, é muito comum, que a ansiedade
em utilizar algo novo acabe trazendo mais problemas do que
utilizar um sistema mais antigo, porém já testado e consagrado.
Assim, as novidades no mundo dos softwares para Web devem
ser vistas como novos elementos que irão enriquecer um leque
de opções para o desenvolvedor.
Mas nem sempre é assim que acontece – um novo
software chega como se fosse uma nova camada que irá cobrir
todas as outras, criando a expectativa de que tudo está superado.
Entretanto, todos que trabalham com essa tecnologia já passaram
por experiências em que uma nova versão de software traz várias
novidades, mas compromete o funcionamento de um recurso que,
até a versão anterior, funcionava bem. É muito comum também
encontrarmos sites com soluções equivocadas. Estou falando
da composição gráfica e também da opção tecnológica. Há sites
que poderiam ser muito bem resolvidos utilizando-se soluções
bem mais simples, mas optaram por caminhos bem mais complexos.
É o caso de sites que foram produzidos para
terem uma atualização dinâmica, “online” e, meses após serem
produzidos, nunca foram totalmente atualizados. Ou então sites
feitos com a tecnologia de animação vetorial (software Flash),
mas que ou são muito desanimados, ou então copiam todos os
outros sites, mundo afora, feitos com essa mesma técnica.
De qualquer forma, para que o cliente deposite confiança na
solução que será apresentada pelo Web designer é preciso,
em primeiro lugar, que ele confie no Web designer.
E essa confiança se estabelece quando o cliente
nota que há um estudo naquele projeto, fruto de um repertório
obtido a partir da observação, do conhecimento técnico, do
design e do senso crítico. Assim, os interessados em financiar
trabalhos consistentes na Web não irão mais até a farmácia
da esquina comprar sua solução. Nem irão atrás de fórmulas
caras e milagrosas, guardadas em frascos misteriosos. Como
poções mágicas que acabaram de ser criadas em um laboratório
na Califórnia.







