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Amizade difícil entre 3G, Wi-Fi e Wi-Max

Depois de muita discussão chegou-se a um acordo: as tecnologias 3G, Wi-Fi e Wi-Max são complementares e não concorrentes, como muitos especialistas acreditam. Essa foi a conclusão alcançada na última terça-feira, durante a Rio Wireless – evento que reuniu representantes das diversas áreas da telecomunicação.

É inegável que a diferença entre as tecnologias é grande e que cada uma apresenta aplicações específicas. O Wi-Fi, por exemplo, é uma rede de acesso a internet capaz de atingir um raio de até 100 metros, cobrindo principalmente ambientes fechados. Além disso, não é sensível à transmissão de voz nem de imagem – tornando impossível a competição com a telefonia de terceira geração.

Já o Wi-Max, nome comercial para o padrão IEEE 802.16a, permite a criação de redes sem fio com raio de até 25 quilômetros e velocidades de acesso de até 70 Mb/s. Sendo sensível à voz, o padrão é capaz de oferecer serviços próprios do celular com maior eficiência do que a 3G, cuja maior velocidade é 2 Mb/s.

– Acredito que, daqui a alguns anos, o mercado passará por um processo doloroso de integração da área de telecomunicações e de tecnologia da informação. O acordo será interessante para as operadoras, já que oferecerão serviços de qualidade ao usuário – explica Flávio Lobo, gerente de Campanha de Mobilidade da Intel.

Diferente de Lobo, Mario Baumgarten, diretor do UMTS Forum, acredita que o fato de as três tecnologias terem origem em mundos diversos impede a integração total:

– O 3G é um projeto de ambições convergentes com contexto IP. Já o Wi-Fi e o Wi-Max são tecnologias de acesso e tendem a complementar redes fixas e móveis já existentes.

Em relação aos custos de implementação, o Wi-Fi é considerada a tecnologia mais barata, já que a instalação de access points caseiros exige menos gastos do que as antenas do Wi-Max. As estações radiobase para celular necessitam de maior investimento.

Além disso o Wi-Max, por atuar numa faixa de frequência não licenciada, apresenta uma vantagem significativa na questão dos gastos.

– Mas, é preciso ressaltar que a transmissão de sinais pode ser prejudicada em faixas não regulamentadas já que há maior chance de interrupções – comenta Newton Scartezini, diretor de Relações Institucionais da Nortel Networks.

Uma das polêmicas levantadas acerca do Wi-Fi é a baixa segurança dos padrões atuais de encriptação de dados. Se um usuário está conectado à internet num ambiente com menos de 100 metros, um vizinho, por exemplo, que estiver dentro deste raio poderá utilizar o Wi-Fi para seu acesso à internet ou à rede doméstica.

– Neste caso, o proprietário do Wi-Fi terá uma queda na velocidade da conexão. Mas, a solução é fácil para o cliente doméstico. Basta configurar a chave de acesso – explica Lobo.

Hoje, o Wi-Max é um projeto piloto e deve começar a ser instalado no mundo inteiro a partir de 2005. O Brasil, segundo Lobo, acompanhará a evolução global.

– Neste momento, veremos se a tendência será a complementariedade, em que cada tecnologia terá a sua função, ou a integração, na qual será possível a transparência entre os produtos. Neste caso, o usuário receberá apenas uma conta de pagamento – finaliza Lobo.

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