AMD registra carga contábil de US$ 1 bilhão por dar participação a OpenAI e Meta em troca de chips

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A fabricante de chips registrou uma despesa não caixa de US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre por causa dos warrants concedidos a OpenAI e Meta em troca de contratos bilionários de fornecimento.
O que aconteceu
Na terça-feira (4 de novembro), a AMD informou que registrou uma carga contábil não caixa de US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre fiscal, encerrado em 26 de setembro. O valor equivale a 66 centavos de dólar por ação e está ligado aos warrants (opções de compra de ações) concedidos à OpenAI e à Meta Platforms dentro de dois megacontratos de fornecimento de chips de IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI →. Mesmo com a despesa, a empresa projetou crescimento mais rápido que o esperado para 2027, puxado pelas vendas de data center, e as ações subiram 8% no after-market, arrastando também papéis de Intel, Nvidia e Broadcom.

Como funciona o acordo com warrants
Em fevereiro, a AMD fechou contrato para vender até US$ 60 bilhões em chips de IA para a Meta ao longo de cinco anos. Como parte do negócio, a Meta recebeu warrants que podem lhe dar direito a comprar até 10% da AMD, caso certas metas de compra sejam cumpridas. O desenho repete um acordo anterior, fechado no ano passado com a OpenAI, que também recebeu a opção de adquirir cerca de 10% da fabricante de chips. Segundo a reportagem original, os warrants da OpenAI têm gatilhos atrelados ao preço da ação da AMD; os da Meta, não.
O preço de garantir demanda bilionária
A diretora financeira da AMD, Jean Hu, disse na teleconferência com analistas que a diluição dos acionistas só começa a valer quando OpenAI e Meta cumprirem as condições de vesting e exercício, que incluem metas de embarque de produto e outros requisitos comerciais. A empresa prometeu dar mais detalhes sobre esse calendário em 2027. Em resumo: se os warrants forem totalmente exercidos, OpenAI e Meta podem comprar uma fatia relevante da AMD por centavos de dólar cada uma, o que aumentaria de forma substancial o número de ações em circulação da empresa.
Para analistas, o movimento é lido como um voto de confiança nos chips e no software de IA da AMD, mas não deve abalar o domínio da Nvidia, que segue vendendo cada unidade que consegue fabricar.
Acredito que os incentivos tiveram algum papel em algumas das vendas, mas o problema maior é que existe uma demanda reprimida por uma alternativa séria à Nvidia, e os produtos da AMD agora estão começando a competir em métricas de preço e desempenho.
Bob O'Donnell, chief analyst da TECHnalysis ResearchWhile I do believe incentives played a role in some of their sales, I believe the bigger issue is that there is pent-up demand for a serious alternative to Nvidia and AMD's products are now starting to compete on price/performance metrics.
Um padrão que virou norma no setor de IA
A AMD não inventou esse modelo, mas o usa em escala grande. A empresa também fechou um acordo de compra de chips com a Anthropic, concorrente da OpenAI, que incluiu um compromisso de a própria AMD investir na startup. Outras empresas de infraestrutura de IA fizeram negócios parecidos com grandes clientes:
- A startup de chips Cerebras concedeu à OpenAI warrants atrelados a um compromisso de US$ 20 bilhões.
- A Marvell emitiu para a Alphabet (Google) warrants que dão à empresa o direito de comprar uma fatia de até US$ 12,2 bilhões.
- A Qualcomm deu à Amazon warrants num contrato de US$ 60 bilhões por chips de data center de IA.
O resultado é uma rede de participações cruzadas em que o mesmo punhado de empresas atua simultaneamente como cliente, fornecedor e investidor umas das outras, o que a reportagem original chama de natureza circular do boom de IA.
O que isso muda para quem decide infraestrutura no Brasil
Para founders e líderes técnicos brasileiros que dependem de capacidade de GPU ou de contratos de cloud para treinar e rodar modelos, esses acordos mostram algo concreto: garantir fornecimento de chips de ponta está deixando de ser só uma questão de dinheiro e virando moeda de participação acionária. Isso favorece quem compra em escala de dezenas de bilhões de dólares, nível que nenhuma empresa brasileira atinge sozinha, mas que os grandes provedores de cloud usados aqui (AWS↳AWS20 conteúdosE-mails de verificação com AWS SES + Lambda (Node.js) e Terraform: do zero ao envioDevSecOps · out 2025Codex na AWS: chegada do agente da OpenAI à nuvem da AmazonDevSecOps · abr 2026Salesforce e AWS ampliam colaboração em IA, CRM e marketplaceDevSecOps · nov 2023Ver tudo em DevSecOps →, Azure, Google Cloud) negociam diretamente com esses mesmos fabricantes.
Na prática, o efeito chega ao Brasil por tabela. Se Meta e OpenAI garantem fornecimento prioritário de chips AMD em troca de equity, quem compra capacidade de GPU sem esse tipo de acordo, incluindo provedores menores e revendas de cloud no país, pode sentir mais variação de preço e prazo de entrega nos próximos ciclos. Quem está negociando contrato de GPU-as-a-service ou créditos de nuvem para treinar modelos no Brasil tem motivo para perguntar ao fornecedor se o preço cotado reflete capacidade garantida ou fila comum.
Há também uma lição de modelo de negócio nisso. Equity por volume de compra é uma ferramenta que grandes compradores de tecnologia, não só de chips, podem negociar quando o fornecedor precisa de previsibilidade de receita para justificar capex pesado, e o mesmo raciocínio vale para quem negocia contratos grandes de infraestrutura, dados ou licenciamento de modelos no Brasil. O que ainda está em aberto é o calendário: a própria AMD disse que só vai detalhar quando as condições de vesting devem ser cumpridas em 2027, o que deixa o tamanho real da diluição futura incerto até lá.
Fonte: ET Tech (Índia)
Highlights
- AMD registrou carga contábil de US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre por warrants concedidos a OpenAI e Meta
- OpenAI e Meta podem comprar até 10% da AMD cada uma se metas forem cumpridas
- Warrants poderão aumentar substancialmente o número de ações em circulação da AMD
- Padrão se repete: Cerebras deu warrants à OpenAI; Marvell, ao Google; Qualcomm, à Amazon
- Guaranir fornecimento de chips de ponta deixa de ser questão de dinheiro e vira participação acionária
Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
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