Marketing TechARTIGO

Você paga para ter conteúdo móvel

A minha questão hoje é: por que não queremos pagar por
conteúdo da internet e por que pagamos por conteúdo mobile?

Se é muito provável que o caminho da informação na internet
é “free”, como discutimos no último artigo, então o modelo de negócio
tradicional das mídias informativas também deve mudar, ou será engolido por
conteúdo e serviços melhores, mais rápidos e gratuitos.

Mesmo assim, existe uma distinção crucial que pode salvar as
organizações de notícias. Internautas são claramente relutantes em pagar por
conteúdo na web, no entanto estão dispostos a pagar por conteúdo móvel. Ainda
que custe R$ 0,35 cada aviso de gols do Brasileirão, ou que você pague R$ 2,99
por mês para receber seu horóscopo diário. Estamos muito mais aptos a pagar por
conteúdo mobile. Sabe quanto o mercado de músicas portáteis movimentou em 2008?
Mais de US$ 11 bilhões. A própria “lojinha” de aplicativos para o iPhone também
movimenta bilhões.

Outro sucesso de receita é o Kindle, o polêmico e-book da
Amazon. Com o Kindle você pode assinar jornais de todos os lugares do mundo com
um investimento de US$ 6 a US$ 14 por mês. A partir dessa experiência, muitas
empresas de notícias começam a desenvolver seus próprios e-books, como a Hearst
(ESPN, Cosmopolitan, Marie Claire e 15 jornais nos Estados Unidos) e a Fortune.

Os lançamentos tecnológicos favorecem essas iniciativas: já
foi criada a folha digital que você pode enrolar e colocar no bolso. Com uma
interface maior do que a dos e-books tradicionais, a folha digital pode
oferecer uma experiência de leitura próxima a de revistas e jornais, além de
ser sensível ao toque e até – especula-se – dobrável.

Tá, mas por enquanto não podemos guardar a folha no bolso. Mas podemos
guardar nossos mobiles! E além de oferecer infotainment
(informação + entretenimento) nossos celulares ainda contam com geolocalização,
o que nem todos os outros dispositivos mobile de conteúdo oferecem. Ops! Imagina
ter informações personalizadas sobre o que está acontecendo próximo a você,
fisicamente falando? Hoje, serviços como o Yelp já geram receitas por meio da
tecnologia da geolocalização e informação hiperlocal.

Você paga um serviço que te permite apontar o celular para
um restaurante e receber o seu cardápio do dia. Mas não precisa pagar para
saber a mesma informação na web. A informação na web continuará gratuita, mas
para saber o que acontece na sua rua você terá que pagar. É assim a mecânica da
economia de notícias móveis.

é jornalista e mestre pela UERJ na linha de Novas Tecnologias em Comunicação. Coordenou diversos projetos digitais na área de planejamento e conteúdo como o Portal Mundo Oi, SulAmérica, PUC-RJ, Senac-RJ, HSBC, Bradesco e CBTU. Atualmente é professora da ESPM, UNESA, UCAM, INFNET e iMasters PRO. É pesquisadora pelo CAEPM e consultora da Fundação Roberto Marinho.

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