Como o conteúdo transborda para outras mídias e constrói uma cultura de convergência nos meios de comunicação.
Nos anos 60 era possível atingir 80% das mulheres americanas com uma inserção em horário nobre em três redes de TV. Hoje, para alcançar esse público, a mesma inserção deveria passar em cem canais. Isso significa fragmentação, pulverização entre os meios de comunicação de massa e os meios de comunicação digitais.
Contrariamente às previsões, eles não se anulam, eles se complementam. A palavra escrita não substitui a falada. O cinema não eliminou o teatro. A televisão não eliminou o rádio. Um novo meio se apropria das características do meio antigo, como dizia Marshall Mcluhan, eles convivem e se complementam. Do mesmo modo a internet não vai eliminar a TV, muito pelo contrário, as estatísticas confirmam que os dois meios estão ligados ao mesmo tempo, permitindo uma interação simultânea.
O imenso monolito de espectadores de desfez e eles estão aprendendo a utilizar as diferentes tecnologias para controlar o intenso fluxo de informações, de mídia e experimentar um novo modo de interação com as outras pessoas. Esse novo ambiente multi-midiático promove um fluxo mais livre de idéias, em que o conteúdo transborda de um meio para outro sem a perda de sua intenção ou formato original.
O transconteúdo muda tanto a forma de produção quanto a forma de consumo dos meios de comunicação ao oferecer a multiplicação da linguagem e desarticular o modelo clássico e padronizado distante da linguagem viva da sociedade. Claro, que o transconteúdo caracteriza-se também como um modelo na nova Economia da Atenção, afinal, se o ambiente é pulverizado como se pode envolver profundamente a atenção das pessoas? Estando em várias mídias.
O Big Brother é um bom exemplo. Ele é transmitido pela TV aberta, pela TV por assinatura, pela internet, você pode receber alertas sms sobre o que está acontecendo na casa, você pode assinar streaming de vídeo pelo celular, você pode votar e interagir pela internet e pelo telefone, as façanhas das microcelebridades fomentam um arsenal de conteúdo impresso e assim, mesmo que você não assista, você vai saber tudo o que acontece naquele cárcere de luxúrias. Para completar a visão do transconteúdo, faltava apenas um game dos brothers para Wii, Xbox e PS, como foi feito para os filmes Matrix e Star Wars com o objetivo de manter o consumo do produto midiático pelos fãs, como explica o teórico sobre convergência Henry Jenkins.
O transconteúdo foi a gota d´água no copo cheio da internet: um ambiente em que o “novo” tornou-se raridade, em que o conteúdo é fundamentado em camadas e mais camadas de referência e não pode ser experimentado com olhos virgens, e finalmente, em que as máquinas de xerox trabalham 24 por 7, sem manutenção, tamanha a capacidade reprodutiva de conteúdo.
Na próxima vez que for produzir conteúdo, pense em como ele pode transbordar para outros meios, outras mídias, outros formatos, pelas mídias sociais infinitas e para além do universo digital como ele pode ser experimentado. Faça conteúdo tipo trans.
Uma dica da vez:
– Ainda não consegui assimilar absolutamente nada do novo acordo Ortográfico por falta de dedicação e tempo mesmo, mas você pode baixar o arquivo com todos os detalhes.







