
Quantizar um LLM↳LLMs48 conteúdosConsiderações básicas de hardware para modelos de linguagem em código aberto: Memória, Desempenho e ViabilidadeMarketing Tech · out 2025Modelos de linguagem sob ataque: o lado obscuro da IA generativaDevSecOps · mai 2025Criando um LLM – modelo de linguagem de grande escala – do zero com TransformersAI · abr 2024Ver tudo em AI → para 4 bits é o caminho mais direto para rodá-lo em hardware modesto: menos memória, mais throughput. O problema conhecido é que essa compressão cobra um preço em qualidade. A Liquid AI acaba de publicar, no blog da Hugging Face, checkpoints Q4_0 dos modelos LFM2.5 que, segundo a empresa, recuperam 97% da precisão média perdida na quantização sem abrir mão do tamanho nem da velocidade do formato Q4_0.
O lançamento cobre quatro modelos: LFM2.5-230M, LFM2.5-350M, LFM2.5-1.2B-Instruct e LFM2.5-2.6B. São modelos pequenos, pensados para rodar na borda (edge), e é aí que a técnica faz diferença de verdade.
O problema da quantização pós-treino
A forma mais comum de reduzir um modelo para 4 bits é a quantização pós-treino (PTQ, post-training quantization): pega-se o modelo já treinado em BF16 e converte-se os pesos para uma representação de menor precisão. É rápido e não exige retreino, mas introduz erro de arredondamento em cada peso. Em modelos grandes esse erro se dilui; em modelos pequenos, onde cada parâmetro carrega mais responsabilidade, a degradação aparece em tarefas de raciocínio, seguimento de instruções e uso de ferramentas.
É exatamente esse buraco que a Liquid AI mirou. Os GGUFs Q4_0 que já existiam para os LFM2.5 eram produzidos por PTQ. Os novos vêm de um processo diferente.
Como funciona a destilação com consciência de quantização
A técnica é chamada de Quantization-Aware Distillation (QAD). Combina duas ideias já conhecidas isoladamente:
- Quantization-aware training: em vez de quantizar depois, o modelo é treinado já simulando a quantização de 4 bits durante o forward pass. Assim os pesos aprendem a conviver com a perda de precisão, em vez de sofrerem com ela no fim.
- Destilação: um modelo professor de alta precisão (o BF16) transfere seu conhecimento para um modelo aluno quantizado. O aluno não aprende só a resposta certa, mas a distribuição de probabilidades do professor, um sinal muito mais rico.
A junção das duas faz o aluno de 4 bits reproduzir o comportamento do professor de precisão total. O resultado é um checkpoint que ocupa o mesmo espaço de um Q4_0 comum, mas pensa mais parecido com o original.
Os números
A Liquid AI comparou os GGUFs antigos (PTQ) contra os novos (QAD) usando o BF16 como teto de referência dentro do formato. A bateria de testes cobre raciocínio, seguimento de instruções, uso de ferramentas e capacidades agênticas: GPQA Diamond, MMLU-Pro, IFEval, IFBench, Multi-IF e BFCLv4. Somaram ainda uma avaliação de matemática por escala (GSM8K para os menores, AIME25 para os maiores). Cada número é a média de cinco execuções.
A retenção de performance em relação ao BF16 ficou em:
- 97,1% no LFM2.5-230M
- 96,5% no LFM2.5-350M
- 97,4% no LFM2.5-1.2B-Instruct
- 96,6% no LFM2.5-2.6B
Mais interessante que a média é a comparação com formatos de quantização mais generosos. Os checkpoints QAD Q4_0 de 230M e 350M igualam a qualidade de um Q5_K_M (que usa mais bits) dentro da variância do teste, entregando de 4% a 33% mais throughput de decode. Os de 1.2B e 2.6B empatam com Q4_K_M com 3% a 14% mais velocidade. Em resumo: mesma qualidade de formatos maiores, mas rodando mais rápido e ocupando menos. A Liquid AI diz ainda que os checkpoints batem o UD-Q4_K_XL da Unsloth, uma referência forte de PTQ externa, onde aplicável.
Rodando na prática
Os arquivos são GGUF padrão e funcionam com llama.cpp ou qualquer runtime que aceite artefatos Q4_0. Baixar e executar direto do Hugging Face é uma linha:
llama-cli -hf LiquidAI/LFM2.5-350M \
--hf-file LFM2.5-350M-QAD-Q4_0.gguf \
-p "What is C. elegans?"Os quatro modelos já estão no Hugging Face: LFM2.5-230M, LFM2.5-350M, LFM2.5-1.2B-Instruct e LFM2.5-2.6B.
O ponto que importa para quem constrói no Brasil é o hardware alvo. A empresa mediu throughput em quatro plataformas bem representativas do que se tem à mão por aqui: MacBook Pro, o mini-PC NucBox EVO-X2, um Samsung Galaxy S26 Ultra e um Raspberry Pi 5. MacBook e NucBox usam GPU; celular e Raspberry rodam em CPU Arm. Ou seja: dá para colocar um LLM útil para rodar num Pi 5 ou num celular sem depender de nuvem, o que resolve latência, custo recorrente de API e, principalmente, privacidade de dados que não podem sair do dispositivo.
Onde isso não vale a pena
QAD não é bala de prata. A técnica exige retreino com um professor de alta precisão, algo que só faz sentido para quem publica os modelos, não para o dev que quer quantizar um modelo qualquer em casa. Para uso próprio, a PTQ continua sendo o caminho prático, e ferramentas como as da Unsloth seguem relevantes.
Outro ponto: são modelos pequenos, de 230M a 2.6B de parâmetros. Não substituem um GPT ou Claude em tarefas complexas. O nicho é claro: agentes locais, classificação, extração, ferramentas embarcadas e casos em que rodar na borda vale mais que a capacidade bruta de um modelo grande. Nesses cenários, ganhar velocidade sem perder qualidade num formato de 4 bits é exatamente o tipo de otimização que decide se o projeto roda ou não no hardware disponível.
O recado técnico é que a fronteira da quantização não está mais só em espremer bits depois do treino, e sim em treinar já contando com a compressão. Se a QAD escalar para modelos maiores mantendo essa taxa de recuperação, o cálculo de custo de rodar LLMs localmente muda de forma relevante.
Fonte: Hugging Face Blog
Este artigo foi escrito por Alan Andrade, colunista de inteligência artificial do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters. Saiba como produzimos no expediente.










Comentários
Ninguém comentou ainda. Começa a conversa?