Especial · TDC São Paulo 2026

TDC São Paulo 2026: da era agêntica ao controle de agentes de IA nas empresas

Nos primeiros minutos do palco Stadium, o recado foi direto: devs viraram líderes de 'frotas' de agentes de IA — mas sem segurança e observabilidade, a automação empresarial vira risco.

Stadium23 de setembro de 2026 às 10:50cobertura assistida por IA, revisada pela redação
Reprodução/YouTube · TDC São Paulo 2026

A abertura do TDC São Paulo 2026 no palco Stadium deu o tom do dia: a discussão não é mais sobre linguagens ou frameworks, mas sobre como conviver com agentes de IA no dia a dia de desenvolvimento — e como fazer isso sem perder o controle.

O dev como líder de frota

No primeiro bloco técnico, o palestrante da Microsoft apresentou uma tese direta sobre o novo papel do desenvolvedor: "Nós deixamos de executar, pelo menos 100%. Nós agora lideramos ecossistemas de agentes." Segundo ele, o profissional de tecnologia moderno combina três papéis — dev, arquiteto e "profissional de tecnologia", este último entendido como quem domina documentação, testes e visão de produto.

Na prática, isso significa paralelizar trabalho com múltiplos agentes em vez de um só chat. Foi demonstrado o recurso /fleet, que funciona em três passos: decompõe um objetivo em itens com dependências, despacha subagentes em paralelo (em "ondas") e depois verifica e sintetiza o resultado. O mesmo padrão pode escalar para a nuvem via Agent HQ, permitindo rodar subagentes sem depender do poder de processamento da máquina local — os resultados retornam como pull requests, prontos para revisão.

Para aplicações legadas, o destaque foi o GitHub Copilot Modernization Agent, disponível no Visual Studio e VS Code, com suporte a .NET, Java, C++ e Node. A ferramenta faz assessment de dependências e riscos, gera plano de migração em ondas e define critérios de teste para o runtime alvo — por exemplo, saltar para .NET 10 antes de conseguir usar MCP, Aspire ou construir produtos agênticos completos.

A recomendação prática deixada ao público: comece com o Copilot CLI, padronize skills customizadas por equipe e documente tudo em Markdown dentro do repositório, integrado ao GitHub.

Segurança é pré-requisito, não detalhe

Em seguida, uma apresentação da Oracle trouxe o contraponto necessário: a pressa em colocar agentes de IA em produção sem controle. A provocação inicial foi direta: "qual ação a sua inteligência artificial pode executar hoje e onde esse limite é verificado?"

O palestrante detalhou camadas essenciais antes de qualquer deploy de agente — identidade de quem solicita, escopo de permissões concedidas e validação do que é retornado. Um relato de bastidor ilustrou o risco: um agente de IA instalado em um estande de evento estava vazando informações sensíveis por falta desses cuidados básicos.

O destaque técnico foi o protocolo A2A (agent-to-agent), usado na plataforma Oracle AI Data Platform, que permite que um agente autorizado se comunique com outro (como Codex ou Claude) sem expor diretamente bancos de dados sensíveis a ferramentas de terceiros — a comunicação passa por card de capacidades, mensagem, tarefa e resultado, cada etapa com autenticação própria.

Para quem programa no Brasil, o recado combinado das duas talks é claro: a produtividade dos agentes só compensa quando acompanhada de arquitetura de permissões e observabilidade desde o início do projeto.

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