Trocando Datadog por stack open source
Uma das apresentações detalhou como substituir o Datadog por uma combinação de ferramentas abertas: Prometheus para métricas, Loki para logs, Jaeger para tracing e Grafana como "pane of glass" único para dashboards, exploração e alertas. Segundo os slides exibidos, cada componente dessa stack é open source e roda na própria conta de nuvem da empresa, "no per-host, per-GB or per-span licence fees".
O processo de migração sugerido segue quatro passos: inventariar e ranquear os dashboards do Datadog por uso real, rodar as duas soluções em paralelo para comparar números, reconstruir os dashboards no Grafana (convertendo monitores em regras PromQL/LogQL) e só então cortar o roteamento de alertas e remover o agente do Datadog.
Nem tudo é ganho automático. Conforme o palestrante, métricas, alertas e dashboards de infraestrutura/Kubernetes são "facilmente alcançáveis" com custo zero de licença, mas correlação entre sinais (métrica → log → trace) precisa ser conectada manualmente, não há "APM magic" automática, e questões de escala, retenção e migração de dashboards exigem trabalho de engenharia. Como resumiu o palestrante: "observability is a practice, not a subscription". A recomendação prática: vale a pena migrar quando a conta cresce mais rápido que a infraestrutura e existe (ou dá para formar) um time de plataforma; soluções SaaS como o Datadog ainda fazem sentido para times pequenos sem capacidade operacional ou que precisam de SLA de fornecedor imediato.
Project Hummingbird: imagens mínimas, confiança máxima
A segunda apresentação, de um engenheiro de segurança da Red Hat, abordou o Project Hummingbird, um catálogo de imagens de container mínimas e "hardened" para stacks como .NET, Go e Java. O gatilho do projeto é o cenário atual de segurança open source: o palestrante citou o incidente recente com duas vulnerabilidades críticas no PHP (CVSS 9.8), que mesmo 15 dias após o patch ainda deixavam 29 milhões de sistemas vulneráveis, segundo dados apresentados.
O conceito central de "zero CVEs" foi relativizado: o próprio material do projeto o descreve como uma meta de entregar componentes "completely free of known security vulnerabilities at the time of shipping" — não uma garantia permanente, já que novas vulnerabilidades surgem todos os dias. Por isso o Hummingbird fala em CVEs "near-zero", não zero.
Outro pilar é o de "reproducible builds": em vez de simplesmente confiar numa imagem e em seu SBOM sem verificação, o processo permite que qualquer usuário reconstrua a imagem e a verifique bit a bit, estabelecendo proveniência (baseada no framework SLSA) sem depender de confiança cega no fornecedor.
Para equipes brasileiras que lidam com custo de observabilidade ou triagem de vulnerabilidades em escala, as duas apresentações trazem o mesmo recado de fundo: ferramentas abertas reduzem custo e dependência de fornecedor, mas exigem investimento real de engenharia para preencher as lacunas que soluções comerciais resolvem "de fábrica".



