
Eis que o tão aguardado Street View chegou oficialmente ao Brasil,
inicialmente em 15 municípios do país, o primeiro da América do Sul a
contar com o serviço. Logo após o anúncio, feito na última quarta, dia 30 de setembro, milhares de
usuários começaram a caçar suas casas, locais de trabalho e outras
bizarrices que o sistema traz. Mas, depois de dar algumas risadas com
uma ou outra situação engraçada, o que dá para realmente fazer com o
Street View e suas imagens em alta resolução?
As capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram 100%
mapeadas, e as regiões metropolitanas ao redor delas aproveitaram o
passeio dos Stilos com câmera no teto – São Bernardo do Campo em SP e
Niterói, no Rio, são uma das agraciadas. Em Minas, o Google foi esperto
e mapeou cidades histórias, como Tiradentes, Mariana e Ouro Preto. No
total, 51 cidades já foram capturadas pelas câmeras do Google. São
impressionantes 150 mil quilômetros em pouco mais de um ano de estrada.
A qualidade das imagens impressiona. Uma primeira visita ao site (é
só clicar no “Mais” ao lado do endereço e selecionar Street View) dá a
sensação que estamos em 2027 – só faltam os carros voando mesmo. A
reação inicial é encontrar sua própria casa, caçar conhecidos na tela e
dar algumas risadas. Caçamos algumas bizarrices e selecionamos o que as
pessoas podem fazer além de galhofar das situações alheias com o ótimo
serviço do Google.
Caçar absurdos é divertido

Foram necessárias poucas horas para a turba de usuários do Street
View começarem a encontrar situações surreais captadas pelas câmeras. A
primeira dica é visitar o endereço de todos os seus familiares, para
confirmar se nenhum deles deu as caras no sistema. Nosso camarada Fabiano Candido, da Info, por exemplo, encontrou sua avó na varanda de casa,
olhando marotamente (possivelmente assustada com a câmera gigante) para
o carro do Google. Os rostos, pelo menos, ficam borrados – caso
contrário, a enxurrada de processos ao sistema seria muito maior. O pessoal da UOL
reparou que o Google ficou tão preocupado com a questão dos rostos que
borrou até a cara da estátua do Borba Gato, em São Paulo (foto do
topo). A descoberta mais recente (leia-se “dos últimos dez
minutos”) foi esse clássico bunda lelê feito em Moema, São Paulo:

Em Belo Horizonte, o primeiro relato bizarro foi o de um cidadão aparentemente passando mal –
tudo indica que o camarada não está nada bem mesmo. Se em poucas horas
os absurdos já começam a surgir, daqui há uma semana já poderemos fazer
uma seleção das melhores imagens. Ah, e se você encontrar algo, mande
para a gente, claro.
Conhecer (virtualmente) cidades maravilhosas

Chega de Torre Eiffel, Estátua da Liberdade e outros pontos
turísticos que todo mundo já viu no Street View e que já perderam a
graça de tão batidos. Agora é hora de explorar o Brasil, ou pelo menos
as cidades que já estão disponíveis. As cidades históricas mineiras
estão com imagens de altíssima qualidade, praticamente uma aula de
patrimônio histórico na tela do computador. No Rio de Janeiro, então, é
quase uma tortura ver as belas praias e aquele mar sem poder dar um
mergulho. Para os fãs de arquitetura, o passeio é ótimo também: dá para
passear por fora do Museu de Arte Contemporânea com facilidade.
A experiência é interessante tanto para quem já conheceu os lugares
quanto para quem nunca esteve. Os primeiros verão as diferenças, terão
aquela sensação nostálgica e possivelmente sentirão vontade de voltar
ao lugar. Já o segundo pelotão poderá explorar as cidades muito além
dos cartões postais e fotos de divulgação, conhecendo bem mais de perto
lugares famosos e já preparando um roteiro de viagem – porque, claro,
esse passeio não substitui a sensação real de estar em algum lugar.
Criar mashups úteis
Você pode estar achando tudo isso uma besteira sem fim e que o
número de acessos do Street View vai cair vorazmente em poucas semanas,
mas além de belo, o serviço também pode ajudar. Nos EUA, são centenas
de mashups criados dentro dos mapas. Isso já é algo comum desde o
Google Maps, mas com a possibilidade de criar roteiros virtuais com
imagens reais é muito mais interessante. Eu, por exemplo, pretendo
criar um tour virtual pelos graffitis mais marcantes de São Paulo. Ou
seja, é possível criar guias interativos de bairros e cidades de
centenas de pontos de vistas – os melhores bares, os melhores cafés, as
melhores coxinhas da região. Lá fora, esses mapas são normalmente
criados por outros sites, como o Showstreet, e não pelo Google. Mas desde que a empresa liberou a API do Street View, vários sites começaram a desenvolver novas opções para o serviço, como o Dual Maps. Agora, é ficar no aguardo dos sites nacionais.
E você se lembra do site The Wilderness Downtown? Aquele que misturava o Street View com HTML5, embalado por uma ótima canção do Arcade Fire,
criando uma experiência no browser completamente nova? Nós,
brasileiros, só podíamos brincar com endereços americanos, escondendo
nossas casas originais e nos contentando com um passeio por Nova York.
Agora, é possível colocar o lugar onde você nasceu e cresceu, que é a
recomendação do próprio site. Para quem não viu, vale a pena. E para
quem já visitou, o passeio com pássaros pelas ruas de sua cidade é bem
mais gostoso.
Mas, e a privacidade?
O Google borrou a cara de todo mundo e as placas em todos os Street
Views do mundo, o que não impediu que nada menos do que 37 Estados
americanos entrassem com uma ação contra a gigante das buscas. Motivo?
A acusação de que o Google estaria coletando dados dos usuários. A
empresa confirmou que alguns carros da frota tinham “acidentalmente
coletado informações pessoais” por meio de conexões Wi-Fi. Nos EUA,
especialistas dizem que o Google pode ter coletado e-mails e senhas
enviadas pelos usuários.
O Brasil, que tem um histórico de muitos pedidos de remoção de
conteúdo do Google, deve encarar o Street View com muito encanto
inicialmente, mas a sensação é que com o tempo, ações contra uso de
imagem começarão a pipocar. E você, o que acha? O Street View é uma
exagerada invasão de privacidade ou apenas uma ótima ferramenta de
consulta? Se você se encontrar em alguma de suas ruas, você se sentirá
lesado de alguma forma? E se estiver, digamos, tão mal quanto nosso
amigo de BH? O que você faria? No mais, boa sorte. Começa, a partir de
hoje, a caça aos tesouros absurdos do Street View. Ah, e se você quer
muito que sua cidade entre na lista, entre no site http://www.exploreostreetview.com.br/ e comece a campanha para a captação de imagens. A promessa do Google é continuar expandido o Street View no país.







