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O que vamos deixar para nossos filhos?

De fato, é incontestável afirmar que atualmente estamos vivenciando problemas resultantes de impactos nocivos ao meio ambiente e, além de vivenciar, ainda não conseguimos encontrar uma forma de frear esse processo de degradação da natureza.

As reflexões globalizadas que acontecem de forma aberta nas empresas, governo, sociedade e entidades ambientalistas, visam procurar uma resposta simples e objetiva para a questão: o que vamos deixar para os nossos filhos? – Mas o cenário atual nos faz ir além, outra questão que podemos aplicar é: como a tecnologia pode nos auxiliar na busca da solução para tais problemas? – E, sim, ela pode. Pois muitos desses problemas nasceram com a falta de preparo das empresas. Principalmente com relação ao controle das normas de proteção ao meio ambiente, em especial a ISO 14000, norma que busca a uniformidade das metodologias para implantação de sistema de gestão ambiental visando o aperfeiçoamento das relações das empresas com o meio ambiente e o controle dessas relações.

A norma ISO 14000 tem como objetivo principal a melhoria contínua dos processos, seguindo a metodologia PDCA (Plan, Do, Check, Act), que significa Planejar, Implementar, Verificar e Analisar criticamente. A norma descreve os requisitos básicos de um Sistema de Gestão Ambiental dentro das organizações.

Com toda essa movimentação acerca do meio ambiente e o posicionamento estratégico das empresas com relação à gestão ambiental, de forma sensível, vem gerando oportunidades e alavancando o mercado, tanto para empresas geradoras de soluções tecnológicas quanto para empresas que prestam consultoria especializada. Neste nicho que se apresenta, vale salientar que é preciso ter cuidado na busca de sistemas de informação que atendam à demanda. Uma solução adequada deve propiciar a união entre produto e serviço, fornecendo instrumentos de informação que sejam adequados para tomadas de decisões, focar e dar suporte para as atividades que possam gerar a degradação.

De modo geral, a gestão contemporânea é movida a resultados, portanto, o sistema de informações voltado para a atividade ambiental deve ter a capacidade de apresentar os indicadores das ações referentes a ela e não somente em relação aos custos incorridos. Portanto, é interessante apresentar algumas características a serem observadas quando surge a necessidade de implantação de um sistema de informação especialista: agregar funcionalidades de acompanhamento e monitoramento ambiental, dar suporte jurídico e com relação à legislação ambiental, avaliar e caracterizar os aspectos e impactos. É necessário que o sistema desenvolva uma gestão eficaz de resíduos e coletas seletivas, controle dos efluentes e possa dar assistência no monitoramento das licenças ambientais, além dar suporte para identificação e recuperação de passivos ambientais. O processo deve caminhar junto com a empresa, estabelecendo a análise e o acompanhamento gerencial da evolução do desempenho ambiental da organização, efetuar a gestão dos acidentes ambientais e envolver-se com os projetos das áreas que possam resultar em danos ao meio ambiente. Por fim, a solução tem que promover auditorias e inspeções programadas para análise e aplicação de melhorias contínuas. Estes são alguns pontos que, de forma resumida, as empresas precisam demandar uma análise mais envolvente, pois serão diferenciais extremamente importantes para a gestão do meio ambiente.

Uma empresa ecologicamente comprometida pode alavancar-se economicamente e valorizar sua marca através do reconhecimento de suas ações para a preservação ambiental. Além desses pontos que seguramente poderão ser utilizados em campanhas de marketing, a organização consegue desenvolver com maior eficácia a utilização e conservação de recursos naturais, impactando em economia e resultados. Ainda com relação à economia, a empresa fica protegida de riscos e custos operacionais como multas e processos judiciais e, a implantação da gestão ambiental, segundo a ISO14000, é pré-requisito para concessões ambientais.

Atualmente, o cenário é alarmante, os estados e municípios têm a obrigação de fiscalizar, notificar e autuar empresas que estiverem ilegais na questão ambiental, no entanto, se o processo fosse seguido à risca, culminaria com o fechamento da maioria das empresas da indústria e serviços, gerando um grande problema social.

Mas, por outro lado, há empresas que já vestem a camisa e conseguem desenvolver uma gestão eficiente. Podemos fugir um pouco da teoria e buscar exemplos práticos: o Grupo Orsa, Jari Celulose, cujo projeto de reflorestamento é considerado o maior do mundo tem uma gestão ambiental que vem a servir de modelo para outras organizações.

A Jari tem a consciência de que a Amazônia é a maior reserva de vida do planeta. Desta forma, é preciso ter responsabilidade em qualquer atividade econômica na região, é preciso ter preocupação quanto à conservação do meio ambiente. E este vem sendo um objetivo estimulado constantemente na empresa. Em todas as suas atividades, a organização segue um rigoroso Programa de Gestão Ambiental, que visa harmonizar a atividade produtiva com a natureza amazônica nos 1.734.606,01 de hectares de área ocupada. Neste sentido, foram investidos, no período de 1999 a 2003, US$ 22 milhões em programas e processos de proteção ao meio ambiente na região. Como resultado desse esforço, a empresa conquistou, em novembro de 2000, a Certificação ISO 14001 e foi recertificada em janeiro de 2004. Também em 2004 a Jari teve suas atividades florestais certificadas pelo FSC – Conselho de Manejo Florestal, assegurando que os processos florestais são ambientalmente corretos, socialmente justos e economicamente viáveis. (Fonte: site Projeto Jari – Jari Celulose)

Em 2006, o projeto da Jari recebeu destaque na Revista ISTOÉ DINHEIRO Rural, tendo como capa o empresário Sérgio Amoroso, “O homem que quer salvar a Amazônia”, ISTOÉ DINHEIRO Rural: “Sérgio Amoroso já saneou o lendário Jari. Agora, ele tem o modelo para o uso racional da floresta – Na divisa entre Pará e Amapá, em plena Floresta Amazônica, existe uma espécie de Estado independente. Nessa área de 1,7 milhão de hectares, tamanho equivalente ao da Bélgica, fica o Projeto Jari, uma lenda empresarial que mistura grandes doses de ousadia, fracasso e obstinação. Quase tudo na região gira em torno dessa fábrica de celulose do fim dos anos 60. Por causa dela, nasceram cidades, empresas e até um aeroporto com rotas comerciais. Quem hoje está à frente desse “Estado” é o empresário Sérgio Amoroso, dono do grupo Orsa, um gigante que faturou R$ 1,6 bilhão com embalagens e celulose em 2005. Ele é o quinto empreendedor a assumir esse projeto gigantesco que já foi sinônimo, em diferentes momentos, de internacionalização da Amazônia, devastação da floresta e caos financeiro. Agora, o Jari vive uma nova fase. Pela primeira vez em três décadas de história, a fábrica de celulose dá lucro. Mas isso não é tudo. Sob a batuta de Amoroso, o Jari aposta no manejo sustentável de madeira. “O projeto prova que dá para tirar dinheiro da floresta, mantendo ela de pé”, diz Amoroso, empresário com fama de Midas. Ele multiplicou o tamanho do grupo Orsa comprando fábricas velhas e tornando-as lucrativas”.

Para outras organizações seguirem os passos da Jari é importante estimular uma boa política ambiental, com a participação dos funcionários, prestadores de serviços e fornecedores, visando sensibilizar a preservação do meio ambiente.

No entanto, ganhar reconhecimento não ocorre de imediato, é fruto de uma estratégia sustentada e organizada. Um reconhecimento que traz para a empresa uma importante vantagem competitiva. Um diferencial em relação aos seus concorrentes. Neste pensamento, é imprescindível ter a tecnologia como aliada, pois é através de um bom sistema de informação que se proporciona uma gestão aberta e eficaz, além de interligar todos os envolvidos no processo na busca da excelência. Portanto, a tecnologia aliada à gestão ambiental auxilia as organizações a aprofundar os temas ambientais e integrar o cuidado ambiental de forma sistemática nas suas operações.

Artigo elaborado em parceria com: Jean Paul Vieira, Marcio Dalfovo e Fernando Teixeira de Faria.

é desenvolvedor pela APORTE, empresa especializada no estudo, definição, desenvolvimento, implantação e treinamento em Gestão Empresarial e Tecnologia da Informação (www.aporte.com). Membro do Ministério de Comunicação Social da Renovação Carismática Católica do Estado de Santa Catarina. Áreas de conhecimento: Programação (C#.net, ASP.net, Progress, Delphi, ASP, Visual Basic), Qualidade de Software, Engenharia de Software, Modelos de Desenvolvimento de Software, Gerenciamento de Processos, Direito da Informática.

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