
Na ocasião do aniversário de 25 anos do Windows, o MaximumPC examina o futuro do sistema operacional da Microsoft.
Para o bem ou para o mal, o fato é que neste fim de semana o Windows completou 25 anos – a primeira versão dele foi lançada dia 20 de novembro de 1985.
Se pedíssemos para as pessoas usarem uma palavra para descrever os 25 anos de história do sistema operacional da Microsoft, provavelmente a palavra “conturbada” seria bem popular. E não há mesmo muitas palavras melhores para se usar frente a tal pedido.
Afim de tentar jogar alguma luz no futuro do Windows, decidimos perguntar a alguns dos maiores fabricantes independentes de PCs o que eles já ouviram falar, e quais recursos e funcionalidades eles gostariam de ver no próximo grande lançamento do Windows. Alguns não se importaram em se identificar, mas a maioria preferiu manter os seus comentários na sombra do anonimato, “em off”.
A seguir: conhecimentos parciais, fatos e alguns chutes descarados.
E daqui para onde?
No Windows 8, o usuário será mais importante que o sistema, e a nuvem reinará suprema
Como será o visual do Windows 8? E quando ele chega?
No meio do ano, o mundo teve a primeira chance de ver o que poderia
estar nos planos para o Windows 8 quando o site italiano Windowsette.com
publicou vários slides de PowerPoint que supostamente seriam internos
da Microsoft e teriam vazado. A maioria dos slides terminavam com um
disclaimer afirmando que se tratavam de uma “discussão do Windows 8”, e
não de um plano de ação, mas ainda assim eles dão algumas boas pistas
sobre o futuro.
Provavelmente o slide mais intrigante e surpreendente de todos é um que não apenas admite o sucesso de um grande concorrente, como ainda o torna um exemplo. Intitulado “Como a Apple faz: um círculo virtuoso”, o slide fala sobre a percepção de uma experiência positiva de uso dos clientes da Apple e exalta a satisfação dos clientes com os seus produtos, e por sua vez a lealdade à marca que isso gera, e os lucros trazidos por essa lealdade.
Outro slide importante, intitulado “Foco: capacidades de hardware”, apresenta um protótipo de PC tudo-em-um para argumentar que o formato físico dos sistemas que usam o Windows está evoluindo.
Acompanhando esta imagem estão vários bullet points discutindo aspectos diversos, desde login por reconhecimento biométrico (a apresentação depois prevê que “integração com câmera será onipresente até 2012”), controles por voz, display de toque com “com cinco ou mais pontos de contato para melhor amostragem”.
Prosseguindo, uma seção “Sensores” faz alusão ao suporte de recursos como sensores de proximidade infravermelho, sensores de sleep/wake por proximidade e sensores de luz que automaticamente ajustam o brilho da tela de acordo com a luz ambiente e as condições do local.


Estes são dois dos slides de “discussão” que supostamente vazaram de uma apresentação da Microsoft OEM este ano.
Também parece claro que o Windows 8 estará com a sua cabeça na
nuvem, por assim dizer. Segundo a suposta “discussão”, a identidade do
Windows evoluirá, tirando o foco da máquina e o colocando no usuário. Em
teoria, a conta de cliente do Windows será conectada à nuvem. Os PCs
remotos poderão fazer login em websites, e configurações serão armazenadas na nuvem e acompanharão o usuário em diferentes máquinas.
Além disso, os slides falam sobre um conceito de “Windows Store” na
nuvem, que seria naturalmente uma resposta à Mac App Store da Apple. No
cenário ideal vislumbrado pela discussão no PowerPoint, os consumidores
poderão comprar aplicativos online que “poderão usar em qualquer
aparelho Windows”, e os desenvolvedores terão uma boa mão na roda para
“alcançar milhões de usuários”.
Outras inovações notáveis que foram pautas da discussão incluem a
capacidade do computador de ser ligado instantaneamente (ou quase),
melhoria nas ferramentas de diagnóstico e monitoramento de
hardware/software e suporte a um botão “reset” que em um toque não
apenas reinstalaria o Windows, como manteria todo o ambiente de usuário
intacto, incluindo configurações, arquivos pessoais e aplicativos.
Se
podemos acreditar no material vazado, haverá uma ênfase em tornar
possível que “os usuários se conectem à ajuda correta quando for
necessário”, o que não é um desafio pequeno, dada a enorme variedade de
desenvolvedores de hardware e software.
Algo interessante: quando a apresentação discute os formatos-alvo, o
tradicional desktop PC não é mencionado. Os três “centros de gravidade”
são PCs tudo-em-um, laptops e slates/tablets.
O que não veremos?
Surpreendendo a ninguém, quando perguntamos ao nosso painel de
fabricantes independentes o que eles mais queriam no Windows 8,
recebemos uma grande variedade de respostas. Muitos deles elogiaram o
Windows 7 por ser estável e rápido. Um dos membros, Kelt Reeves, dono da
Falcon Northwest, nos contou que a sua empresa ainda está faturando
alto com vendas do Windows 7, tanto que a sua única esperança com o
Windows 8 “é que eles não estraguem todo o progresso que fizeram com o
Win7!”.
Já que parece estar acontecendo um ciclo de dois anos de
desenvolvimento, em vez do tradicional ciclo de cinco anos – mais sobre
isso a seguir -, é provável que a Microsoft não vá introduzir nenhuma
grande tecnologia fundamental no Windows 8. Dada a estabilidade e
confiabilidade do kernel NT que tem servido como fundação para todas as
versões recentes do Windows, é improvável que veremos mudanças
significativas nele. E graças à satisfação que a implementação da
interface Aero trouxe tanto aos fabricantes quanto aos usuários, é
improvável que veremos mudanças significativas no esquema de interface,
além das melhorias relacionadas com as telas de toque.
O que veremos?
Em vez disso, o que nós – e todos com quem conversamos – esperamos
ver no Windows 8 é uma mudança de foco, de uma computação baseada no
sistema para uma baseada no usuário. Este não será um desafio simples.
As implicações de uma mudança assim são massivas, com milhares de
possíveis efeitos colaterais.
Também esperamos ver melhorias no
desempenho e implementação de recursos projetados não apenas para
superar a Apple, mas também o Android e o Chrome OS. A relativa
estabilidade do Windows 7 deve ser de grande ajuda nesta missão, já que
permite à empresa se concentrar em adicionar recursos em vez de
consertar bugs. “O Windows está sob ataque de todos os lados, com o iOS e
o Android/Chrome o ameaçando”, disse um dos nossos fabricantes
anônimos. “Ele ainda está com um embalo incrível e não vai deixar isso
passar, mas o sistema operacional do futuro precisa ser mais ágil e
veloz”.
Como sempre, um dos objetivos será diminuir o tempo de boot, e a
invasão dos SSDs – que nós apostamos que serão padrão em computadores de
preço médio e alto até o fim do ano que vem – ajudará com isso.
“Estamos pedindo à Microsoft por tempo de inicialização menor que 30
segundos”, nos contou um dos fabricantes. Com a constante evolução de
poder da plataforma PC, não ficaremos surpresos de ver o Windows 8
inicializando-se em menos de 20 segundos.
Quase todos os especialistas consultados foram firmes em insistir que
o Windows implemente um modo “instant-on” (ligado instantaneamente). Em
um mundo ideal, com um sistema estável, o tempo de boot não importaria
tanto, já que um modo instant-on é essencialmente o mesmo que acordar de
um modo standby.
De qualquer forma, o recurso é uma inevitabilidade com
todo o esquema de streaming de mídia e acesso remoto que certamente
virá em futuras iterações de todos os sistemas operacionais. Atualmente,
instabilidades causadas por drivers de display e incompatibilidades
continuam atrapalhando os sistemas na hora de acordar. A Microsoft terá
que resolver a situação dos drivers de terceiros em nível de código e
distribuição. Sem surpresas aqui: veremos modos mais efetivos de
certificar e automaticamente distribuir estes drivers.
Vamos também tirar do caminho as outras melhorias inevitáveis.
Pedidos universais incluem integração mais profunda com agenda e
contatos, além de redes sociais – preferivelmente no nível de desktop,
não do navegador ou mesmo de programas.
A popularidade do desktop
altamente dinâmico do Android também nos faz esperar ver mais (e mais
úteis) aplicativos no estilo widget, múltiplas visualizações de área de
trabalho que possamos alternar de acordo com contexto e situação e
melhorias na barra de tarefas e nas notificações de sistema. Também há,
obviamente, espaço para melhorias na resolução de problemas e
diagnósticos.
Mas chega de falar de coisas pequenas. Vamos dar uma olhada nas
maiores funcionalidades e recursos que esperamos ver no Windows 8.
Apps & Jogos
Todo ano a Microsoft, a Apple e o Google expandem as suas esferas de
influência adquirindo, imitando ou duplicando os aplicativos e serviços
de terceiros. Nós estamos apostando que, no Windows 8, a Microsoft
colocará em prática as lições ensinadas pela Apple e pela Valve com a
App Store e o Steam.
A próxima iteração do Windows terá uma integração mais aprofundada
com jogos e outros aplicativos através de um gerenciador. Kevin
Wasielewski, fundador da Origin PC, concorda. “Apesar do Windows Phone 7
incluir o Marketplace”, diz ele, “será bom ver isso chegar ao Windows
8. Os programas instalados deveriam funcionar mais como apps, com
atualizações, compras internas e outras coisas”. O cliente Steam, da
Valve, é o modelo perfeito disso.
No Windows 8, o gerenciamento de
aplicativos, atualizações e até compras será feito de maneira fácil,
integrada e automatizada, nem necessidade de discos de instalação ou
chaves seriais. Estamos babando por um sistema de saves armazenados na
nuvem, que nos permitirá jogar em várias máquinas diferentes e continuar
sempre do mesmo ponto.

O cliente de jogos Steam, da Valve, se popularizou enormemente nos últimos anos. Devemos ver algo similar no Windows 8.
A verdade é que a Microsoft já tem um marketplace. Ele se chama Xbox
Live. A empresa também já tem um framework para desenvolvedores
independentes, o kit de desenvolvimento XNA, que é capaz de rodar no
Windows, Xbox 360, Windows Mobile e Zune.
O verdadeiro ingrediente
secreto pode ser a capacidade da Microsoft de permitir e encorajar aos
usuários a migração dos seus apps, jogos e conteúdo entre aparelhos, ou
permitir acesso aos jogos via conexão remota. Wasielevski completa: “O
OnLive é legal, mas eu estou limitado ao conteúdo deles e às
possibilidades de largura de banda deles em situações de uso pesado. Eu
gostaria de ter a possibilidade de me conectar ao meu poderoso PC de
games como um servidor para jogar em outros locais com meus aparelhos
móveis”.
Sistema Operacional baseado na nuvem
Nós também já estamos ficando cansados de ouvir falar dessa tal “nuvem” –
ela parece ser uma evolução óbvia, e uma que já está por aí por algum
tempo -, mas ela será extremamente relevante enquanto a Microsoft está
se alterando para uma arquitetura com foco no usuário para o Windows 8.
Mas o que isso significa em termos de recursos propriamente ditos?
Primeiro: empresas como Dropbox, Carbonite e outras com foco em serviços
de armazenamento e backup online devem ficar preocupadas, porque o
Windows 8 incluirá suporte ao SkyDrive em nível de Gerenciador de
Arquivos, que permitirá salvar e acessar arquivos a partir de qualquer
lugar e em qualquer aparelho.

Com o SkyDrive, a Microsoft já tem o seu Dropbox killer. Podemos
esperar vê-lo completamente integrado ao Gerenciador de Arquivos na
próxima versão do Windows.
Falando nisso, também veremos uma implementação robusta de toda a suíte
Office da Microsoft via Office Live. A grande diferença será o fato de
que ela será implementada no próprio sistema operacional. Nós enxergamos
a Microsoft cobrando por isso de forma similar ao que acontece no Xbox
Live – vários tipos de assinaturas por períodos diferentes darão acesso
aos aplicativos do Office Live, assim como sistemas de nuvem, vídeos e
filmes, além do mercado de apps do Windows.
Virtualização
Até hoje, o recurso de virtualização nos parece subaproveitado, e
esperamos que isso comece a mudar com o Windows 8. É difícil prever
agora como isso vai funcionar além de processos virtuais de aplicativos e
zonas seguras em quarentena para navegadores e aplicativos.
Um dos
especialistas que consultamos para esta matéria nos deu uma ideia
interessante ao sugerir que a Microsoft implementasse um “modo de alta
performance para games que desligasse temporariamente serviços e tarefas
desnecessárias com apenas um clique”. Concordamos. Nós levamos esta
ideia um passo adiante e começamos a contemplar as possibilidades de
combinar uma virtualização acelerada por hardware com serviços de jogos
baseados na nuvem. Imagine um serviço como o OnLive, que usa
virtualização, mas que também ofereça acesso simples e sem latência à
camada de hardware do seu PC.
A virtualização também pode ser usada para melhorar a conectividade
remota e interoperabilidade entre aparelhos móveis e o Windows. Não é um
absurdo imaginar a Microsoft chegando com um aplicativo que tire
vantagem da tecnologia VirtualPC da empresa e permita aos usuários
conectarem-se e usarem o seu aparelho móvel de forma completa e
automática.
A virtualização pode ser usada para duplicar e hospedar um
ambiente como este, que chamaremos de “Windows Teleporter”. Isso seria
fácil de conseguir com o Windows Mobile OS, mas obviamente exigiria
soluções mais complicadas e conflituosas para funcionar com BlackBerry,
Android e iOS.
Armazenamento
O Windows 7 veio com suporte à função Trim, que permite ao sistema
operacional se comunicar com um drive de estado sólido sobre quais
setores são OK para acúmulo de lixo, e tornou prático o uso dos SSDs
para os consumidores. No entanto, o espaço em SSDs ainda é bastante
limitado, portanto ele é melhor usado para aplicativos, não documentos.
O
recurso de bibliotecas do Windows 7 facilitou a configuração de
bibliotecas com ligação a drives externos, mas descarregar todos os
programas significava mexer com ligações simbólicas para enganar os
programas que salvam no C:\ independente de onde estão armazenados.
Assim, esperamos que o Windows 8 inclua maior separação entre os
aplicativos e os dados (como o Linux) e permita total disassociação
entre a partição do sistema operacional e o local de armazenamento de
dados e documentos – ou que pelo menos tenho um assistente para mover a
pasta Documentos.
Do outro lado do espectro, espere suporte a partições bootáveis
maiores do que 2TB. Isso já é permitido nas versões de 64-bits desde o
Windows Vista, mas elas precisam de bootloaders UEFI e partições GPT. O
Windows 8 e a fome por maiores capacidades de armazenamento vai
impulsionar a adoção de UEFI.
Para a sala de estar, e além
Um último pensamento: nós apostamos que o Windows 8 marcará o fim da
camada do Windows Media Center, assim como o Windows Media Player em si.
A direção que a Microsoft tem tomado com a Xbox Live nos faz pensar que
o Zune será a fundação para todo o consumo de mídia no Windows, assim
como o iTunes é para a Apple.
TV e Home Theater é uma categoria onde a Microsoft está com fortes
opções, mas incluir um OS completo em uma HDTV, ou mesmo em um PC
tudo-em-um de entrada, não faz sentido.
Um pedido que ouvimos
repetidamente dos nossos desenvolvedores consultados foi por uma versão
do Windows que fosse “menor e com especificações mais modestas, para
aplicações de baixo custo como em HDTVs, mas com o shell e a interface
completa do Windows”, como especificou um deles.

Esperamos ver o Windows Media Center arrancado para instalação em HDTVs ou PCs tudo-em-um de baixo custo.
Então, quando o Windows 8 fará a sua estreia? Um dos slides de
discussão vazados menciona um lançamento em versão beta para a metade de
2012, com o lançamento completo no final do mesmo ano. Esta seria uma
data de lançamento bem apressada para a Microsoft, que tem lançado novas
versões do Windows com cerca de cinco anos de diferença.
Dito isso, nós estamos apostando que o lançamento do Windows 7 marque
uma mudança no ciclo de desenvolvimento para a Microsoft, de ciclos de 5
anos para ciclos de 2 anos. Por quê? Porque a Apple faz isso, assim
como o Google com o Android. No ambiente em constante evolução de hoje
em dia, cinco anos é muito tempo para esperar mesmo por uma mudança tão
grande. Esperamos o Windows 8 para o final de 2012.







