
Há anos eu olho as telas dos computadores de pessoas de trabalhos
mais “sérios” e vejo os mesmos clientes de e-mail e agenda. Mas hoje a
quantidade de informações, e-mails, reuniões e colaborações é muito
maior. Enquanto não inventam secretárias androides que me ajudem a tomar
decisões, preciso de software. Há alguns dias, a IBM mostrou a sua
visão de como seriam os aplicativos que deixariam a vida corporativa
mais fácil no futuro próximo. Ela chamou isso de Project Vulcan, espécie
de Google Wave e Google Docs organizado, ou o Microsoft Outlook casado
com o Facebook. Parece lógico, capitão? Vem comigo.
Fui até o Lotusphere
2010, evento organizado pela IBM para mostrar as novidades da sua suite Lotus
de aplicativos para trabalho, um pacote de soluções corporativas
com diversos sabores e preços, vendidos apenas para empresas. Como eu
sou uma pessoa mais ou menos desorganizada e não sou dono de empresa,
estava mais interessado nas tendências do que exatamente nos softwares
ali mostrados. E achei muitas coisas interessantes.
O foco do evento foi neste Project
Vulcan, que não é um produto em si, mas a visão de como todos os
programas da família Lotus vão se conversar em algum momento do segundo
semestre. Agenda, chat, perfis, VoIP, documentos na nuvem, análise de
dados, e-mail, tudo jogado em uma página que pode ser acessada tanto de
um software no HD quanto na web, igualzinha.
O Project Vulcan não representa algo absurdamente novo, especialmente
para quem usa bastante redes sociais ou deu uma volta no Google
Wave. Mas a maneira de juntar as coisas, usar análise de dados para
separar apenas o essencial, é bem bacana. Foi a maneira que a IBM
encontrou para aumentar a produtividade no trabalho através de simples
mexidas em um software.
Vejamos aqui a tela principal do Lotus Notes, dentro da visão do
Projeto Vulcan, que deve surgir finalizado no fim do ano ou meados de
2011. A ideia é não ter algo como
programas separados. Marquei uns pontinhos que foram explicados (há uma
demonstração um pouco maior, aqui)
para vocês curtirem.

- O Cognos
é o pedaço do software Lotus que analisa um bocado de informações e dá resumos. No
Vulcan, ele mostra na homepage o que achar que é relevante para você. No
exemplo aqui, a análise mostra que um dos funcionários está abaixo da
meta do mês. É quase como os avisos de conquistas dos seus amigos no
Xbox, só que envolve demissões e promoções. - Espere que cada vez mais pessoas usem alguma espécie de Orkut
empresarial. A princípio, a idéia não é fazer eleições do tipo “as mais
gatas da contabilidade”, mas ver quem é quem – e qual a especialidade –
em cada área. Clique em um deles e além de poder mandar e-mail dá para
ver quais documentos vocês colaboraram juntos ou qual a agenda da
pessoa, para que vocês possam marcar alguma coisa. De trabalho, eu digo. - A tela inicial do Lotus tem um resumo de tudo que está
acontecendo, e é possível acessar rapidamente em uma barra lateral os
principais programas. Mas tudo é bastante customizável: a IBM
disponibilizará kits de desenvolvimento com APIs abertas para que
desenvolvedores criem formas customizadas para cada cliente. Quer
colocar uma abinha do Twitter no meio do seu trabalho? Será possível,
mas não necessariamente recomendável. - Em vez de “Fulano abraçou Joana” no Buddypoke, a tabela de updates
dos amigos se mistura com tarefas importantes a fazer. Dá para
responder e-mails diretamente ali ou colocar um lembrete sobre algum
update. Até a forma de responder e-mails é mais esperta. No Lotusphere,
demonstraram o poder da análise de dados. Suponha que você receba um
e-mail com um convite para uma reunião mas não pode ir. Com um clique,
aparece a lista dos colegas mais especializados para ir no seu lugar. Se
você não gostar do indicado, o Cognos sugere outro, baseado no perfil e
trabalhos anteriores, para que você possa passar a batata quente
seguramente. Escolhido o substituto, a sua reunião com um cliente passa a
constar na agenda do outro. - A pergunta é a mesma do Twitter, ou do Facebook: o que você está
fazendo? Daria pra chutar que o propósito aqui é afastar as pessoas
dessas outras redes sociais e fazer todo mundo se concentrar um pouco no
trabalho, ou ao menos fazer parecer com que as pessoas estão ocupadas.
Mas a IBM promete filtrar informações para que ali apareça só o
essencial. Além do mais, o Project Vulcan prevê uma total integração com
os smartphones, então você pode mandar um “prospectando cliente” do seu
celular, dentro de um bar, que todo mundo ficará feliz pelo fato de
você estar trabalhando.

Em partes menores ou em maneira não tão integrada, dá para dizer que a
visão da IBM está espalhada pelos serviços do Google, como o Docs, o
Calender ou o Wave. Por enquanto, o monte de “Beta” nos programas do
Google não o classificam como concorrente para as empresas em busca de
soluções confiáveis. O Office
2010, pelo que vi até agora, focará pesadamente na parte de
colaboração, e fará uma briga interessante com o Lotus, com a vantagem,
aqui no Brasil ao menos, que todo mundo é familiarizado com os programas
da Microsoft. O fato é que quem conseguir fazer a experiência mais
fácil e diminuir o problema do excesso de informação terá um produto
melhor.
E quando você pode ter acesso a isso? Bem, a suíte Lotus só é vendida
para empresas, e não há planos para chegar ao usuário comum. Se você
tem uma empresa – pequena, inclusive – o preço do pacote varia bastante
dependendo do número de serviços que você quiser, do simples combo de
e-mail corporativo e agenda até soluções que envolvam backup em
servidores virtuais e software para videoconferência (mais informações aqui).
A sessão inagural do evento que eu fui foi apresentada por William
Shatner, o eterno capitão Kirk. O projeto chama Vulcan, imagino, por
alguma relação com o planeta
Vulcano, terra natal de Spock, o ET de orelhas pontudas de Star Trek
que acha que tudo tem de ser lógico. Vendo a apresentação (que causou
alvoroço na platéia semelhante à primeira
demonstração do Wave) foram vários momentos de “por que ninguém
pensou nisso antes?”
E via IBM ou não, esse é certamente o futuro das ferramentas de
escritório: colaboração, nuvem, redes sociais internas, análise de
dados… E essa evolução do software tem bastante a ver com o fato da
minha geração (a famosa geração Y) estar chegando a postos de decisão.
Já viu como esses programas lembram o Orkut, as Conquistas do Xbox e
sistema de clãs de RPGs Online? Há uma ligação interessante, que eu
explico melhor no sábado.
* O Gizmodo Brasil foi à Lotusphere, em Orlando, a convite da
IBM. Mas não viu o Mickey.







