Devaneios sobre o processo web
Eu não sou um cainofóbico (medo de novidades), sou até impulsionador das mesmas; mas para você saber que o 2 é melhor que o 1, você precisa aprender o 1 primeiro, senão você simplesmente não tem grau de comparação e a novidade não existe.
Geralmente quando me proponho a escrever sobre design ou o desenvolvimento Front-end, eu já tenho o assunto em mãos, apenas o escrevo em formato de artigo. É como se a criação ocorresse no dia-a-dia. Porém, não é esse o motivo desse artigo. Esse foi movido apenas pela vontade de escrever.
Cada vez mais vejo meu nome envolvido em tópicos de desenvolvimento front-end, seja xhtml, design funcional, html5, css3, jquery e etc., e percebo que cada vez as pessoas mostram respeito pelo o que eu falo e me seguem por conta disso. Vejo que meu networking está cada vez mais próximo de pessoas que são super conhecidas aqui no Brasil. Lembro ainda da época de 2006-2007, no começo da blogosfera, onde os feras de hoje em dia se encontravam e conversavam, como Bruno Alves, Carlos Cardoso, Nick Ellis, Fábio Seixas, os Alexandres Fugita e Inagaki, Daniel Bender, Bernardo Bauer, Beto Largman, Mauro Amaral, Romullo Pontes e tantos tantos outros… Todo mundo que apostou que não daria certo perdeu de muito, pois estes hoje são figurinhas mais que marcadas na Internet, com sites de sucesso, twitters relevantes, e ainda conhecidos como bons fomentadores da Internet e bem sucedidos em seus respectivos negócios. Mas o que é relevante na Internet? O que é relevante para a área Front-end?
Sempre me perguntam quais sites e livros eu recomendo para quem está começando. Eu sempre penso duas vezes e das centenas de milhares de sites sobre web na Internet, eu não consigo completar uma mão de relevância para quem está começando. Existem vários livros que falam sobre web, a maioria deles copiam uns aos outros, mudando palavras e invertendo ordem de capítulos, mas não ensinam a pensar, a maioria deles apenas ensina por repetição, inibindo qualquer chance de aprendizado fora livro, pois não faz pensar. Acreditem, eu já li muitos deles, alguns ainda têm a cara de pau de lançarem livros pós 2007 e não ensinarem xHTML, ensinando códigos “deprecated”, atributos de estilo nas tags e tags não fechadas (acreditem, eu tenho esse exemplo em casa).
Fábrica de novidades
Devido a redes sociais e a velocidade da informação, tudo hoje em dia gira em torno do imediatismo. Todo mundo está focado em novidades, mas quem está focado no estudo?
Para captar é fácil, veja quantos blogs existem atualmente sobre as coisas novas que voce pode fazer com CSS Animation e quantas explicam a fundo o que cada atributo lhe permite alcançar quando combinados. Todos querem gritar ao mundo “Eu sei!” e pouquíssimos param pra escrever “Vamos ver como funciona? O que levou a sua criação e como você pode se beneficiar com isso?”.
Eu não sou um cainofóbico (medo de novidades), sou até impulsionador das mesmas; mas para você saber que o 2 é melhor que o 1, você precisa aprender o 1 primeiro, senão você simplesmente não tem grau de comparação e a novidade não existe. Esse é o maior ponto da minha crítica e insatisfação atual.
HTML5, um bom exemplo do bom porque é novo
Eu fico muito entusiasmado quando vou palestrar nos eventos e vejo galera nova querendo aprender, eu era assim, ainda sou assim, serei sempre assim. O que me incomoda é esse fanatismo criado em cima de uma tecnologia nova que ainda nem foi homologada. Sei que tem recursos ímpares (eu estudei a tecnologia, desenvolvi já com ela), mas ainda está como working draft, não fazendo sentido algum você usar a mesma para um projeto que não seja experimental ou inovador*.
* com ressalvas
A garotada por si só já tem a sede de novidade e por isso vai cair em cima de qualquer nova tecnologia, os palestrantes querem se diferenciar e serem as referências do novo, os cursos querem ser os primeiros a ensinar, ganhando notoriedade no assunto e os clientes querem…. O que os clientes querem? Opa, vamos pensar no óbvio né?
ROI – Return On Investment
O cliente não te contrata porque quer um site, ele te contrata porque acha que vai lucrar mais, ganhar mais clientes, ganhar branding, fazer mais parceiros, alavancar produto irmão, etc., através do site. Você é o profissional responsável ou de uma equipe responsável por transformar o investimento do seu cliente em resultado. Esse é o seu objetivo como designer, developer, programmer, Seo analyst, Social Media analyst, whatever…
Voltando, você pegar o negócio do seu cliente e usar uma linguagem experimental é o mesmo de você confiar os browsers de uma empresa (uma das maiores portas de entrada de vírus, trojans, fishing, etc.) para um navegador experimental, que tal… Aurora? É de uma marca de sucesso, mas ainda assim não é estável. Você aconselharia uma empresa de movimentação bancária a usar o Aurora? Se sua resposta é sim, você precisa urgentemente fazer um curso de segurança da informação ou simplesmente amadurecer um pouco mais.
O mais engraçado é a resposta quando iniciamos uma discussão “se devemos usar ou não HTML5″. Mas o Google usa, por que eu não posso usar? Primeiro de tudo, o Google é formado de engenheiros, não webdesigners de cursos ou HTMLers autodidatas. Depois, não podemos esquecer que eles são os principais interessados na propagação do HTML5, pois eles são os webservices, pais do Chrome e um dos membros mais fortes do W3C.
Antes de se doer por eu estar atacando o HTML5, entenda que eu não estou falando mal da linguagem, muito menos de quem a usa, ensina ou a evangeliza, estou atacando é você utilizá-la sem analisar os “pros and cons”, sem pensar no cliente e sim em querer usar algo novo talvez apenas para se promover no meio. Acho sim que você deve usar o HTML5 no seu portfolio, em um serviço novo que você criou, em uma nova app de entretenimento, e vários outros casos que o HTML5 é para ser experimentado, ousado, criativo.
Meu devaneio começa a ficar sóbrio
Finalizando esse texto que não tem o intuito de ensinar nada, compartilhar nada, apenas propor uma discussão ou reflexão, preciso explicar algumas coisas que sempre pensam quando escutam esses meus comentários ácidos sobre esse tipo de assunto.
- Eu não sou contra o HTML5, apenas contra usá-lo sem colocar na balança o custo x benefício para CADA projeto;
- Antes de aprender HTML5 pergunte a si mesmo se você sabe xHTML de verdade;
- Acessibilidade de verdade;
- SEO de verdade;
- Pense no ROI do seu cliente;
- Pergunte a si mesmo se você documenta o seu código HTML e CSS como profissional.
Existem hoje no cenário nacional excelentes evangelistas do HTML5 e sou amigo de muitos deles, acho que eles estão fazendo um papel maravilhoso de mostrar os benefícios dessa nova linguagem e melhores práticas, cabe mesmo é a VOCÊ desenvolvedor analisar se deve usá-la ou não. Lembre-se do que eu já falei nesse texto e volto a repetir:
Para você saber que o 2 é melhor que o 1, você precisa aprender o 1 primeiro, senão você simplesmente não tem grau de comparação e a novidade não existe.








