Dev (Back & Front)ARTIGO

O custo do monitoramento com a ferramenta errada

Você faz o dinheiro valer a pena usando cada ferramenta de uma forma que maximize as coisas que ela faz bem e evite as coisas que ela não faz bem.

É uma história que já contei muitas vezes, em conference calls, e perto das máquinas de café. Mas nunca tinha escrito a história do início ao fim… até agora. É a história que mostra como usar a ferramenta errada para o trabalho pode custar tanto dinheiro para a empresa que acaba deixando a pessoa louca. É uma história que testemunhei mais de uma vez na minha carreira, e ouvi como piada de vários colegas mais de uma dezena de vezes.

Antes de entrar em detalhes, quero dar minha opinião sobre como as empresas chegam a essa situação.

A disciplina do monitoramento existe desde que o primeiro servidor ficou online e alguém quis saber se ele ainda “estava no ar”. E as ferramentas sofisticadas para realizar o monitoramento já existem há mais de duas décadas, muitas vezes sendo implementadas “pela primeira vez” na maioria das empresas. Algumas têm a ver com a inexperiência. Por exemplo, ou a equipe de monitoramento é jovem/nova e não realizou atividades de monitoramento em outras empresas, ou a própria empresa é nova e teve um crescimento súbito que justificou sua utilização. Ou então ocorre uma reviravolta suficiente para que as pessoas no trabalho estejam tão afastadas daquelas que implementaram o sistema anterior que, para todos os efeitos, a solução ou a situação em questão é efetivamente “nova”.

Nesses casos, as organizações acabam comprando a ferramenta errada, porque simplesmente não têm a experiência necessária para saber qual é a certa. Ou, indo mais fundo ao ponto, as FERRAMENTAS certas, pois o monitoramento em todas as organizações, com exceção das menores, é um caso heterogêneo. Não há uma loja onde se possa comprar tudo, não há uma solução que se ajuste a todas as situações.

Mas isso é apenas parte da questão. Em muitos casos, o custo do monitoramento cresceu além da razão lógica devido ao efeito conhecido como “leilão de dólares“. Colocando de forma simples, o obstáculo para usar as ferramentas certas é a falta de vontade de se afastar de todo o dinheiro enterrado na compra, na implantação, no desenvolvimento e na manutenção do sistema atual.

E isso me leva de volta à minha história. A empresa me contratou para melhorar o monitoramento. Cinco anos antes, eles tinham investido em uma solução de monitoramento de um dos “três grandes” fornecedores de soluções. A implementação dessa solução demorou 18 meses e precisou de cinco técnicos (a um custo de US$ 1 milhão em custos de contratação, mais US$ 1,5 milhão para o software e hardware reais). Depois disso, uma equipe de nove funcionários deu suporte à solução – implantando novos monitores e alertas, instalando patches e simplesmente mantendo as ferramentas em funcionamento. Além do custo de pessoal, a empresa pagou cerca de US$ 800 mil por ano em manutenção.

Com essa solução, eles conseguiam monitorar a maioria dos 6 mil servidores do ambiente – uma mistura de sistemas Windows, Unix, Linux e AS400 – e poderiam executar monitoramento para cima/para baixo (o ping) para os 4 mil dispositivos de rede. Mas eles encontraram sérias limitações ao monitorar os hardwares de rede, as interfaces não roteáveis e outros elementos.

Enquanto isso, o servidor e o aplicativo que monitoravam o estoque – monitores reais, relatórios, “disparadores” e scripts – mostravam sinais de “inchaço” extremo. Eles tinham mais de 7 mil situações de monitoramento individual, e cerca de 3 mil disparadores de alertas.

Essa foi a primeira empresa em que as equipes de monitoramento e de rede não se mostravam muito “amigas” uma da outra, e até mesmo o monitoramento do servidor estava mostrando sinais de estresse. Alguns aplicativos não estavam bem monitorados ou porque a equipe não estava familiarizada com o sistema, ou porque a ferramenta não conseguia obter os dados necessários.

Parte do problema, como mencionei antes, foi que a empresa havia investido muito na ferramenta, e queria “fazer com que o dinheiro valesse a pena”. Então eles tentaram implementá-la em todos os lugares, mesmo em situações em que ela não atendia às necessidades. Como foi empurrada para situações embaraçosas, a equipe de monitoramento gastou muito tempo não apenas para deixá-la funcionando, como também para impedir que o sistema todo fosse para o espaço.

IDEIA PRINCIPAL: Você não faz o dinheiro valer a pena com uma ferramenta cara instalando-a no máximo de lugares que puder, deixando-a mais cara. Você faz o dinheiro valer a pena usando cada ferramenta de uma forma que maximize as coisas que ela faz bem e evite as coisas que ela não faz bem.             

É Head Geek e Gerente Técnico de Marketing de Produto da SolarWinds, fornecedora de software de gerenciamento de TI com sede em Austin, Texas. Possui mais de 25 anos de experiência em TI, incluindo 14 anos de trabalho com soluções de gerenciamento de sistemas, monitoramento e automação para servidores, redes e Web. Ele também é um Microsoft Certified Systems Engineer, Cisco Certified Network Associate e SolarWinds Certified Professional. Antes de assumir sua posição na SolarWinds, atuou como Consultor Sênior de Monitoramento para a Cardinal Health.

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