Desenvolvimento

28 mar, 2019

Aprender a codificar ou aprender outra língua? Os dois, não dá!

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Alguns legisladores de estados norte-americanos defendem que os alunos que preferirem aprender a codificar computadores, podem substituir o ensino de línguas estrangeiras. É isso mesmo. Para eles, aprender os dois, não dá! É como se os códigos fossem outra língua.

Enquanto que, para nós, latino-americanos, ter uma segunda língua é quase que obrigatório (e isso não substitui nenhuma outra aprendizagem), por lá, alguns alunos poderiam, sim (segundo alguns legisladores), escolher entre aprender línguas ou se dedicar só aos computadores.

Você pode até pensar que ‘os norte-americanos não querem aprender outras línguas, porque eles já falam a língua mais usada no mundo’. Mas em um mundo tão globalizado, os conteúdos, pensamentos e ensinamentos que formam nosso intelecto, nossas habilidades e nossas experiências culturais e profissionais não estão registrados apenas na língua inglesa.

A ideia de considerar a substituição da língua estrangeira pela linguagem de computadores está sendo discutida no estado de Maryland, que avalia um projeto de lei que sugere essa mudança. Um projeto semelhante já havia sido discutido pelo Estado da Flórida em 2017, mas foi rejeitado pelo legislativo local. Uma outra versão, desta vez federal, está sendo analisada pelo Congresso do país.

Aprendizado de língua estrangeira

A proposta de substituir línguas estrangeiras por conhecimentos de codificação de computador é equivocada, na opinião de William Egginton, professor de humanidades da Universidade Johns Hopkins. Ele expressou sua opinião em um artigo no The News York Times.

William diz que “a diferença entre linguagens naturais e de computador não é meramente de grau. Linguagens naturais não são apenas versões mais complexas dos algoritmos com os quais ensinamos máquinas a realizar tarefas. Elas são também as encarnações vivas da nossa essência como animais sociais.”

“Expressamos o nosso amor e as nossas perdas, exploramos a beleza, a justiça e o significado da nossa existência e até mesmo nos conhecemos através de línguas naturais”, explica Egginton.

Opinião

Aqui no Brasil, o Engenheiro de Aplicações e Desenvolvedor João Batista Neto disse que “o aprendizado de tecnologia e programação hoje em dia é fundamental”. Porém, ele acredita que a comunicação também é importante:

“Um dos meios de se conseguir uma melhor comunicação é justamente através do aprendizado de línguas estrangeiras”. Ele explica que o ideal, portanto, é que todos possam aprender línguas estrangeiras e programação de computadores.

“Eu acho que deveria ser adicionado o ensino de programação sem tirar a língua estrangeira. Acho que o certo seria somar em vez de diminuir”, completa João.

O desenvolvedor Lucas Santos também tem pensamento parecido. “Não acho que a linguagem estrangeira ou qualquer linguagem possa ser substituída em termos acadêmicos por linguagens de programação”, disse Lucas.

Ele acredita que a linguagem de programação e a linguagem falada podem ser comparadas. “Mas não podemos substituir uma pela outra, principalmente porque não falamos linguagens de programação, então não seria uma comparação muito justa”, afirmou Lucas.

Segundo Lucas, “saber linguagens de programação é uma habilidade, enquanto que saber falar outras línguas, além da sua, é quase que uma obrigação no mundo que vivemos hoje”.

Valorizar habilidades e o bem comum

William Egginton, em seu artigo no NYT, disse que em uma era de desigualdades sociais, é compreensível que os formuladores de políticas públicas pensem em valorizar e destacar habilidades que parecem chamar mais atenção da sociedade, como a programação de computadores.

Ele pondera que esta é também “uma época em que estamos nos tornando cada vez mais isolados de nossas comunidades e alienados de qualquer noção de bem comum”. Ele é taxativo ao fazer a seguinte afirmação: “Precisamos investir mais, e não menos, em aprendizado de idiomas e no contato humano que ele sintetiza”.