Gosto de pensar que empresas,
embora não sejam pessoas, têm personalidade própria. A visão de seus
sócios-proprietários, diretores e a influência de todos os seus colaboradores
dão a cada empresa uma assinatura única em termos de visão, cultura, valores e
ambiente de trabalho. Afinal, a empresa é formada por pessoas.
É indiscutível a importância e a
influência da visão dos diretores para a construção dessa personalidade.
Precisamos de líderes que sejam visionários e inspiradores. Porém, a visão dos
colaboradores também tem um papel fundamental nessa construção, embora muitos
gestores pareçam não perceber bem isso.

Frequentemente, ouço que as
empresas têm a cara de seus donos. Mas entendo isso de outra forma. Na minha
compreensão, uma empresa deve ter a cara das pessoas que a constroem, ou seja,
de todos os seus colaboradores. Como diretor da Qualidata, busco me cercar de
pessoas inteligentes e motivadas, que tenham paixão e visão crítica, para
juntos construirmos uma empresa melhor.
Por vezes,
vejo gestores da área de TI que acreditam que o ambiente ideal de
desenvolvimento de software seja aquele onde reina um silêncio absoluto. De
preferência, todos com fones de ouvido, concentrados no seu trabalho. Agora
imagine se um colaborador de uma empresa como essa chega à diretoria com uma
“ideia maluca” de que, desse jeito, a empresa é menos produtiva e
criativa.
Como ele reagiria?
Não é fácil!
Em geral, acreditamos que estamos fazendo as coisas da forma mais adequada, pois
nós andamos de acordo com a luz que temos. Mas nem sempre estamos certos. Uma
lição que tenho aprendido com os anos é ouvir. E ouvir de verdade. Ao
recebermos uma ideia muito diferente da que temos, tendemos a discordar. Ouvir
de verdade é ruminar a ideia. É conversar com as outras pessoas para avaliar
como elas veem a questão. É estar sempre pronto a experimentar e a mudar. Isso
não significa que toda sugestão será testada ou aceita, mas que será seriamente
considerada.
Ter mente
aberta é estar sempre pronto para mudar são características fundamentais de
líderes que atuam em áreas com constantes mudanças, como a nossa. Para
acompanhar as mudanças que acontecem em velocidade alucinante, precisaremos
ouvir e correr certos riscos.
Percebemos
que estamos contratando colaboradores muito jovens, com vinte e poucos anos. E
jovens tão novos – como eu, pois também sou jovem, hehe – por natureza, são
diferentes. Falam, vestem-se e pensam de forma diferente. O que é natural, pois
a cada década o mundo muda muito (mu-mu-mu), e cada vez mais rápido! Cada nova
geração é forjada em um ambiente radicalmente novo, tendo muito a contribuir
conosco. Nossa experiência permite vermos coisas que eles ainda não veem, mas
não podemos, em nome dessa experiência, fechar-nos ao que é novo.

Quando
recebo sugestões que não apresentam riscos significativos, ainda que não esteja
vendo com clareza seus benefícios – que não fedem nem cheiram, como diz o adágio -, há pelo menos dois grandes benefícios sempre:
- Se não
faz muita diferença ou se o prejuízo é muito pequeno, aceitar a sugestão
dos colaboradores irá deixá-los mais felizes e, consequentemente, eles
produzirão mais. Se o resultado não for o esperado, eles mesmo irão voltar
e rever sua posição. - Sempre
há uma chance de o colaborador estar certo e eu errado, assim, a sugestão
realmente traz melhorias significativas. Logo, como já aconteceu comigo,
posso acatar uma sugestão inicialmente, cético, mas ao final perceber que
foi muito boa.
Contudo, há
momentos em que um líder visionário terá uma percepção clara de algo que deve
ser feito, mesmo que isso seja contrário a todos os outros. Ideias radicalmente
inovadoras jamais serão consensuais, pois consenso produz ideias medianas (uma
média das ideias), que por definição são opostas a inovações radicais. São
principalmente nessas horas que um líder visionário sai de sua zona de
conforto, corre mais riscos, e se destaca dos demais.
Será que temos a ousadia
necessária para assumir tais riscos?
Impossível
não lembrar do inesquecível Raul Seixas:
Eu prefiro ser essa metamorfoseambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante ()
Acho que
esses versos resumem bem o que penso sobre a mentalidade que precisamos ter
para acompanhar o desenvolvimento em Tecnologia da Informação.







