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Planners são pessoas do mundo!

Nas aulas de planejamento estratégico digital, eu apresento um slide com foto de várias
pessoas diferentes: raça, sexo e idade. O intuito é fixar
na mente dos meus alunos que nós, planners, somos pessoas do mundo e que
devemos ser abertos a novas experiências.

Criou-se um estereótipo acerca do perfil do publicitário. Ele é tido como o cara todo tatuado, com calça jeans, camisa “psicodélica”, blazer
moderno, sapatênis, cabelo estranho, mascando chiclete e
iPod no ouvido. Sim, existem alguns que se encaixam nesse perfil, mas há, também, aqueles que trabalham de
terno e gravata, com cabelo e barba bem feita, ou que usam calça jeans e camiseta
básica, e não têm tatuagem. E nem por isso são mais, ou menos publicitários. Nossa
capacidade se mostra na prática, e não na roupa.

Da mesma forma que não acredito que um bom profissional se faça pela roupa, não acho que o diploma de publicidade e propaganda seja essencial para ser um bom publicitário. E isso, na minha opinião, também vale para área de marketing e comunicação. É preciso ter talento, mesmo
que sua formação seja de outra área. Dentro de publicidade, vemos perfis totalmente diferentes, principalmente no departamento de criação.

Sempre comento do prazer que tive ao ter aula com um dos maiores planners do país: Ulisses Zambonium, um jornalista. Ele, que teve uma vivência incrível na Europa, é um grande mestre. Cito uma época em
que uma renomada agência de propaganda do Brasil possuía em seu quadro de planners
jornalistas, advogados, psicólogos, antropólogos, filósofos e, talvez, um ou
outro publicitário. Ao meu ver, isso é excelente, pois ao invés de entendermos só de propaganda, entendemos de pessoas!

E cada vez mais o
planner precisa entender de pessoas. Dessa forma, ele pode entender o comportamento e o hábitos de
compra do seu público. Por que as pessoas preferem compram Coca-Cola em vez de Pepsi se o objetivo é só matar a
sede? Por que uma pessoa paga R$ 30 mil em um relógio da TagHeuer, se com R$
150 se compra um Casio, que mostra as horas da mesma forma? Nesse quesito é
que entra o planner, pois nós temos que aprofundar o conhecimento sobre o nosso consumidor até achar
a resposta para esse comportamento. Achar o “porquê” das coisas é nossa missão
diária.

Quando digo que somos
pessoas abertas a novas experiências, quero dizer que estamos propensos a entender esse “porquê” mencionado acima. Entender o consumidor é
viver a vida dele, mas só podemos fazer isso quando entendemos quem ele é,
quando nos transportamos ao seu mundo, ao seu convívio e entendemos o que
acontece.

Nas aulas, eu costumo mostrar uma
foto do filme “Do que as mulheres gostam”, no qual Mel Gibson, um diretor de
criação de uma grande agência americana, se depila para saber o porquê de as
mulheres fazerem aquilo. Não precisamos chegar a esse ponto, mas se você trabalha
para a Chevrolet, por exemplo, o que está esperando para se passar por um consumidor e fazer um test-drive no Captiva em uma loja, e ir ao outro lado da cidade para fazer o mesmo em um Ômega?

Ser uma pessoa “aberta” é ter em mente uma frase do grande Washington Olivetto, que virou meu
mantra: publicitário não tem preconceito com informação. Ele está sempre disposto a entender o que se passa ao seu redor: os grupos de emos, homossexuais, as classes A, B, C, D e E, ou os adolescentes. É saber entender
as gerações X, Y, Z, Alfa, Beta, Gama e o que mais há de vir. É estar
aberto a conversas e a entendimentos. Só conhecemos as pessoas quando falamos com
elas, quando perguntamos, quando questionamos.

Espero que você compreenda a ideia central deste artigo e se abra para tudo o que te cerca. Não é questão de aceitar, ou de adotar para si. É apenas querer entender.

é autor do livro Planejamento Estratégico Digital e especialista nesta área. Mantém o Blog do Planejamento e, no Twitter, é @plannerfelipe.

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