A ideia para este artigo surgiu quando, em um dia desses, eu entrei no avião um pouco atrasado e, enquanto caminhava apressado até a fileira quinze, observei um fato interessante: todos os passageiros estavam usando smartphones e tablets.
Quando o iPhone surgiu em 2007 e o iPad em 2009, poucos imaginaram o impacto que esses dispositivos iriam causar nas pessoas, nas empresas e nos próprios hábitos sociais. Para as pessoas, smartphones e tablets já são o principal objeto de desejo de consumo, suplantando o já “velho” PC. Desde o seu lançamento, já foram vendidos mais de 55 milhões de iPads. As pessoas já se sentem confortáveis usando-os para as tarefas que sempre requerem confiança, como Internet banking. Uma pesquisa recente da Pew Internet mostrou que mais de um terço dos americanos que possuem um smartphone o utilizam para fazer operações bancárias, como pagamento de contas e consultar seus extratos.
No Brasil acontece o mesmo fenômeno. Uma pesquisa da Febraban mostrou que, em 2011, 3,3 milhões de contas correntes foram consultadas por meio desses dispositivos móveis – o que representou um aumento de 49% em relação ao ano anterior. Aliás, nesse ritmo, daqui a alguns anos e com a evolução de novas tecnologias de pagamentos móveis, como NFC (near-field communication), o Mobile banking será sinônimo de Internet banking. Os smartphones e os tablets caminham para ser a nossa carteira virtual ou “mobile wallet”. A experiência do Google Wallet, se for bem sucedida, pode mostrar o caminho.
Na verdade, já vivenciamos uma primeira mudança de paradigmas quando saímos do mundo do dinheiro vivo e talões de cheque para Internet, cartões de crédito e débito. Segundo a Febraban, 46% das contas correntes no Brasil têm serviço de Internet banking ativo. Esse é um número bastante próximo da Alemanha (50%) e EUA (54%). O Internet banking já é responsável por 24% do total das transações financeiras no Brasil, o que coloca a Internet como a principal origem das transações bancárias do país. O smartphone ou “mobile wallet” nada mais é que uma evolução tecnológica do uso da Internet tradicional e dos cartões, em que os smartphones substituem os desktops, e a tecnologia NFC substitui a fita magnética ou o chip do cartão.
Outra pesquisa feita nos EUA pela comScore mostrou que 38% dos usuários de smartphones e tablets os utilizaram para comprar algum produto pela Internet. A conclusão? Smartphones e tablets já fazem parte do nosso dia a dia.
Ainda sobre o voo para o qual eu me atrasei, uma outra observação interessante: ao meu lado estava uma legítima representante da geração digital. A jovem digitava velozmente um texto no seu tablet, usando teclado virtual. Ela estava tão a vontade nesse teclado, quanto eu no teclado de um laptop. Veio um insight… Sempre imaginei, baseado na minha vivência, que o teclado tradicional seria melhor que o teclado virtual para gerar conteúdo e, consequentemente, um tablet seria melhor apenas para acessar conteúdo. Talvez para quem usa desde criança um teclado virtual, isso não seja verdade.
Aqui abro espaço para uma breve reflexão sobre isso de gerações. A velocidade da evolução tecnológica embaralha qualquer tentativa de classificar as pessoas de acordo com a sua idade. Na prática, temos a geração Y (faixa dos vinte e poucos nos), Z (adolescentes), A (recém-nascidos), G, S, B (essas três com mais de 50 anos) e X (quarenta); ou seja, todas as letras do alfabeto, que no fundo não nos dizem coisa nenhuma. A sociologia nos diz que uma geração é a sincronia entre eventos históricos e o curso da vida de pessoas que, afetadas pelos acontecimentos mais marcantes de seu tempo, passam a compartilhar os mesmos valores e ideais. Cada geração é separada da outra por duas ou três décadas. Esse conceito fazia sentido quando as coisas eram mais lentas. Mas, no mundo atual, com a velocidade das mudanças tecnológicas se acelerando, perde inteiramente o sentido. Vejam exemplos como Facebook, Twitter e Instagram, que em poucos meses influenciam milhões de pessoas de todas as idades.
Voltando aos teclados virtuais… Eu comecei a repensar o paradigma de que laptops e o modelo teclado+mouse seriam os mais adequados para criar conteúdo. Tablets e smartphones, por sua vez, seriam melhores para acessar conteúdo. As empresas aéreas já usam smartphones como substitutos de “boarding passes”; tablets já substituem manuais (este artigo mostra que algumas empresas aéreas já estão substituindo os manuais em papel por tablets).
Mas as tecnologias que são embutidas nesses dispositivos, como gravação de áudio, câmeras, GPS, leitores de códicos QR etc. permitem, sim, que eles gerem muito conteúdo. Eles permitem criar conteúdo digital diretamente, que substituem o modelo baseado em papel. Por exemplo, tirar uma foto de um documento ou um cheque e enviá-la por e-mail não é conteúdo? Assinaturas digitais acopladas a esses documentos garantem sua validade.
À medida que o trabalho tende a ser cada vez mais móvel e remoto, o uso de tablets e smartphones como ferramenta básica e, portanto, geradora de conteúdo, deve se acelerar. Fazer atualizações e uploads de documentos e atuar em etapas do workflow de processos são tarefas comuns nas nossas atividades profissionais. Precisarei de um PC para isso? Provavelmente nem mesmo de um laptop…
Mas claro que por trás desse movimento aparecem alguns desafios. O primeiro é o movimento que chamamos de BYOD (Bring Your Own Device), impulsionado pelo fato de que tablets e smartphones são, de maneira geral, comprados pelas próprias pessoas e que querem usá-los nos seus ambientes de trabalho. Também surgem alternativas de armazenamento de conteúdo nas nuvens. É inevitável: a nuvem pessoal vai substituir o PC como centro da vida digital dos usuários e o termo PC vai passar de Personal Computer para Personal Cloud. Um rápida amostragem identifica alguns peso-pesados da indústria oferecendo esses serviços, como DropBox, Google Drive, iCloud e SkyDrive. Fica claro que as empresas não podem ignorar esse fato e devem, urgentemente, criar políticas de governança adequadas para seu uso. A utilização dessas nuvens será liberada para armazenar informações empresariais? Algumas empresas, sabiamente, impedem que os materiais de trabalho sejam armazenadas nessas nuvens, até que as políticas de privacidade e proteção à propriedade intelectual adotadas por esses serviços sejam mais claros e a própria confiança no serviço seja mais disseminada. Há uns dez anos, tínhamos muito receio de usar a própria Internet como meio de transferir dinheiro ou fazer compras, e hoje é a principal modalidade para fazermos transações financeiras com nossos bancos.
À medida que o uso desses dispositivo se dissemina, também evoluem as tecnologias que melhoram sua segurança, criando um círculo virtuoso. Segurança e privacidade são fundamentais. Uma recente pesquisa mostrou que 71% dos CIOs veem essas questões como os maiores desafios para a mobilidade.
As próprias tecnologia embutidas nesses aparelhos ajudam a criar reforço de segurança, como a utilização dos sistemas de geolocalização, para identificar a posição de um aparelho roubado ou perdido e tecnologias que permitem apagar o seu conteúdo à distância. Um exemplo é a tecnologia EndPoint Manager for Mobile Devices, da IBM. E falando em IBM vejam este artigo que mostra um pouco da estratégia de BYOD da empresa.
Portanto, desenhar uma estratégia de mobilidade já deve estar nos planos e ações das empresas. O trem já está saindo da estação!







