Há uma grande euforia nos mercados ligados a Internet, comunicação, marketing, tecnologia da informação com o que aparenta ser o renascimento da rede, a Web 2.0.
Destacam os arautos da novidade que tudo isso se apóia na força das comunidades, na geração de conteúdo pelo usuário, na colaboração. E que tudo isso é muito surpreendente.
Ninguém ousa discutir a relevância das comunidades, da colaboração, da participação do usuário. Mas dá para discutir sim a idéia do renascimento da internet e a conseqüente postura de surpresa.
Não há nenhum renascimento da internet, visto que ela não morreu. De fato, o que está ocorrendo é a libertação da internet, em direção a sua real vocação, anárquica, participativa, cada vez mais o sistema nervoso central do planeta.
A internet veio tão forte, tão imprevisível, tão rápida que velhos modelos autocráticos se apropriaram dela. O modelo da informática, que gerou mega fortunas mundiais, ao vender pacotes de software a preços esbulhantes e que tentou impor padrões semelhantes na web.
Muitas empresas adquiriram softwares gerenciadores de conteúdo, por exemplo, por milhões de dólares. Hoje produtos equivalentes são open source↳Open source71 conteúdosComo o Open Source Está Liberando o Poder da Automação para TodosDev (Back & Front) · out 2025Código aberto: programadores criam software da NASA sem saberDev (Back & Front) · abr 2021N8N: O que é a ferramenta open source que está revolucionando a automação em TI?Dev (Back & Front) · dez 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) →, recebem dezenas de novos desenvolvimentos espontâneos diariamente e estão ao alcance de um clique (gratuito)!
Também tomou conta da Internet nos seus primeiros anos o velho modelo de enriquecimento fácil da propaganda. “Eu te interrompo, eu te perturbo, eu passo a minha mensagem (linda, criativa, já ganhei tantos prêmios), você compra o produto que eu anuncio (ou não, tanto faz desde que eu leve o meu BV)”.
É nós aturamos muitos pop ups, banners chatos, superstitials engraçadinhos, e assim vai…
Porém quem “arrebentou a boca do balão” foi o Google. Seu design criativo é nenhum, mas ele está sempre lá quando precisamos. Perguntamos e ele responde. Educada e gentilmente, ele anuncia ao lado do resultado principal da resposta as nossas perguntas. E mais, o anunciante só paga (e pouco, per capita), quando alguém de fato se interessa pelo anúncio ao clicar nele.
O bebê Internet foi presa fácil da autocracia da propaganda e da indústria de IT. Porém o bebê cresceu, arrebentou as correntes, e está obrigando os velhos barões a se modernizar, se adaptar, para não morrer.
A Internet de hoje reencontra seu destino. Vai ao futuro para retomar o curso original do seu passado. Antes da web, nos anos 70 e 80, a Internet, que “não era multimídia”, que não era “Windows-like”, era essencialmente colaborativa. Seu propósito era a troca de informações entre universidades, centros de pesquisa e estudantes – visava a troca de conhecimento, a formação de círculos virtuosos de cooperação para se aprender e fazer novas descobertas mais rapidamente.
Sua apropriação pelos capitais de risco, gerou a repetição de velhos modelos autoritários de gestão da informação e de marketing/comunicação em uma nova mídia, eletrônica.
Entender, porém, a Internet como uma nova mídia é uma visão limitada e limitante. Quem assim vê é quem fala em surpresa.
A internet é, de fato, um outro paradigma. Nunca tivemos nada igual na história do homem.
Em termos sociológicos, potencializa a expressão e liberdades individuais como nunca antes se havia visto. Veremos ainda muitas lutas de governos ditatoriais e corruptos contra ela.
Em termos de informática, ela realiza o velho sonho dos inventores e idealizadores da computação de colocar tal capacidade na mão de todos os seres humanos. Curiosamente, não será através dos computadores e sim de aparelhos de telefonia celular que isso vai ocorrer.
Em termos de marketing e comunicação a internet também realiza o sonho dos precursores. Estabelecer a verdadeira comunicação um a um e saber realmente o que o potencial cliente/consumidor pensa e deseja. Marketeiro que tem medo da internet, de fato, nunca foi marketeiro. Foi só um oportunista.
Tecnologia da Informação e Marketing, sempre tão distantes, estão fazendo matrimônio na internet, por força dos clientes e não das indústrias que controlam estes dois segmentos.
Renascimento? Surpresa? Nada. Ao continuar a crescer para o futuro, a internet voltou ao passado. Sorte nossa. Azar dos reacionários.






