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Como se portar no local de trabalho – Parte 02

Veja o artigo anterior

Como se portar no local de trabalho – Parte 01

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Olá, pessoal. Na coluna desta
semana continuarei a explorar e apresentar alguns aspectos relevantes à conduta
e ao comportamento no local de trabalho. Lembrando que estas dicas são essenciais
para qualquer convivência produtiva em um local de trabalho, especialmente para
profissionais da área de informática e computação.

Novamente, o conteúdo desta
coluna foi baseado em um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo em
10/01/2009, na página Ce2 do caderno de Empregos. As dicas são apresentadas de
acordo com a separação em tópicos, que cobrem várias atividades e situações
encontradas no dia a dia do ambiente de trabalho.

03. Uso do e-mail

a) O mais importante é nunca,
mas nunca mesmo, escrever algo que possa causar constrangimento a você ou a
outras pessoas depois. Evite intimidades e só escreva em um e-mail aquilo que
você falaria pessoalmente.

Ah, o famoso caso do e-mail.
Muitas pessoas são tomadas por fortes emoções e sentimentos quando escrevem
e-mails, principalmente em situações onde há alguma discussão ou disputa. Isso
tem até nome da área de informática: flame
wars, que geralmente são causados por trolls.
No ambiente empresarial deve-se evitar ao máximo escrever tudo que vem à cabeça
diretamente, sem ao menos ponderar os efeitos que tal mensagem pode causar. Por
isso, evite escrever e-mails que visam apontar defeitos ou
evidenciar a culpa de alguém quando estiver com a cabeça quente. A técnica de respirar fundo, deixar a cabeça
esfriar e pedir ajuda antes de mandar aquele e-mail que causará impacto pode fazer
a diferencia na comunicação entre as partes envolvidas.

b) Verifique sempre a gramática e
a ortografia do texto antes de enviá-lo. Nada pior do que um texto cheio de
erros.

Aqui a tecnologia está a nosso
favor: hoje em dia a maioria dos programas de e-mail (mesmo aqueles on-line) possui recursos para auxiliar a correção da gramática do texto.
Procure ler a mensagem com calma, palavra por palavra e sempre utilizar a norma
culta e formal de escrita. E lembre-se: o e-mail pode ser utilizado como um
documento formal para comprovar atitudes, justificar ações ou mesmo influenciar
tomadas de decisões que gerem repercussões.

c) Seja breve, claro e objetivo.
Hoje em dia, ninguém tem tempo para ler texto extensos demais ou ficar pensando
em palavras fora de contexto.

Aqui a dica é optar pela
simplicidade e ir direto ao assunto. Geralmente as pessoas têm que ler uma
quantidade considerável de e-mails no dia a dia e ficar enchendo lingüiça com
detalhes técnicos inúteis não ajudam na comunicação. Se for o casso, separe os
destinatários da mensagem em dois grupos: aqueles que precisam saber que o
servidor X foi configurado com a opção Y de acordo com o modelo W e aqueles que
apenas precisam saber que o processo de manutenção ocorreu com sucesso. Evite
também colocar uma assinatura de e-mail demasiadamente excessiva, com flores,
ícones, mensagens e outras perfumarias. Mantenha o básico: seu nome, cargo na empresa
e forma de contato adicional ao endereço de e-mail.

d) Nada de mandar correntes,
piadas (obscenas ou não) e pegadinhas por e-mail para quem você não conhece.

A dica acima parece básica, mas muita
gente ainda encaminha este tipo de material no e-mail da empresa. Vale aqui
dizer que assuntos profissionais devem ser separados de assuntos pessoais e
isso geralmente implica na criação de um e-mail particular para enviar este
tipo de conteúdo. Além disso, redobre a atenção no campo de destinatário e
cópia oculta, pois um e-mail enviado para a pessoa errada por ser um passaporte
direto para aquela conversa na sala do RH.

04. Relacionamento com superiores

a) Procure ter um perfil claro da
forma de ser e de trabalhar do seu superior. Converse com quem já foi subordinado a ele.
Essas informações ajudarão a guiar suas atitudes e reações.

O relacionamento entre um
profissional e o seu superior pode ser uma maravilha ou um verdadeiro inferno na Terra.
Como será a convivência depende das duas partes, mas não custa nada entender
como cada um trabalha, suas personalidades, atitudes e reações. Sabe que o
chefe não gosta de marcar uma reunião sem tópicos definidos? Não faça isso
nunca. Desconfia que o funcionário esteja com algum problema para respeitar os
horários de trabalho? Chame para uma reunião particular e procure entender e
resolver o problema.

b) Por mais que ele (o chefe) permita
uma relação de proximidade, imponha (sutilmente, claro) limites. Quando
surgirem problemas, tanto você quanto ele podem adotar um tom pessoal demais na
discussão, o que pode ser um erro, já que a corda sempre cede para o lado mais
fraco. Ou seja, o seu.

Aqui temos novamente a questão do
relacionamento profissional versus o relacionamento pessoal. No ambiente de
trabalho é aconselhável sempre procurar manter certa distância profissional de
certos assuntos, que podem ser tratados em detalhes durante o happy hour ou fora do horário. Muitas
vezes perde-se tempo demais discutindo e conversando sobre assuntos pessoais, o
que acaba tomando tempo precioso. Isso não quer dizer que deve-se apenas falar
de trabalho, mais sim que deve-se saber qual é o limite do que deve-se falar ou
não durante o trabalho.

c) Caso tenham afinidades ou
amigos em comum, não há mal algum em fazer comentários pessoais. Mas seja
discreto e tome cuidado para não parecer inconveniente nem puxa-saco. Se o
chefe fizer a linha tirano, seja polido. Tentar uma intimidade forçada é uma
humilhante perda de tempo.

Muitas vezes o tratamento com o
chefe ou o funcionário é algo falso e só ocorre porque há algum interesse por
trás. Porém este tipo de atitude não dura muito e é péssimo para a carreira,
pois impede a construção de um relacionamento profissional sólido, sem contar
os danos que tal atitude causa à empresa e ao trabalho. Por isso, opte pela
discrição e pela imparcialidade sempre que possível, respeitando a hierarquia e
o seu local no quatro de funcionários. Se não for com a cara do chefe mesmo,
procure ter o mínimo de contato necessário para a conclusão das atividades do trabalho.

d) Reconheça seus erros, mas não
exagere no arrependimento nem na culpa. A fala correta é “não foi um erro
intencional, isso não vai ocorrer de novo e vou remediar o acontecido”.

Assumir o que foi feito ou deixou
de ser feito faz parte do profissionalismo, uma qualidade crucial para quem
trabalha na área de computação. Infelizmente já presenciei situações onde alguém
preferiu justificar o sério problema ocorrido colocando ênfase no ambiente, nas
circunstâncias, nos comportamentos das pessoas ao invés de admitir o erro. Este
tipo de comportamento mostra que a pessoa faz quase tudo para se safar e evitar
uma punição por um problema que é de sua responsabilidade. Mais uma vez, optar
pelo caminho da sinceridade sempre é a melhor solução, mesmo que isso gere um
desligamento da empresa ou uma punição mais severa. Isso quer dizer que admitir
o erro, e também a culpa, demonstra responsabilidade e é o primeiro passo no
sentido de consertar o problema.

e) Procure evitar ao máximo
deixar o seu chefe no escuro, ou seja, desfavorecê-lo ou colocá-lo em situações
ruins. Este tipo de atitude dá a impressão de que você não está o suportando e
que quer prejudicá-lo.

Aqui tem-se a questão da união da
equipe. Por mais que você odeie o chefe, não aceite suas decisões ou não
compartilhe suas opiniões, jamais deve prejudicá-lo ou desfavorecê-lo, especialmente
na frente de clientes. Afinal de contas, todos pertencem à mesma empresa, e desavenças
pessoais devem ser resolvidas pelos caminhos adequados, e não por atitudes que
possam prejudicar a empresa. O relacionamento entre subordinado e superior nem
sempre é fácil, requer tempo para que entre nos eixos e normalmente envolve
a mudança de alguns hábitos por ambas as partes. Contudo, sempre há a
possibilidade de se abandonar a chefia ou o subordinado e procurar outra pessoa
para se trabalhar quando a situação se torna insustentável.

05. Processo de desligamento da
empresa

a) Ao ser demitido

Receba a
notícia com dignidade. Perder a cabeça com reações de pânico ou raiva não
resolvem a situação. Procure saber o motivo da demissão. Se perceber a chance
de reverter a situação (o que é raro), argumente. Senão, reflita sobre as
razões da sua dispensa para melhorar seu desempenho no futuro. Comente a
demissão com, no máximo, um ou dois colegas íntimos. Cuidado com observações
levianas, que podem atrapalhar uma indicação. Recolha suas coisas o mais rápido
possível e discretamente.

Essa é clássica: após ser
desligado da empresa, o funcionário imediatamente reúne seus colegas de
trabalho, comunica a notícia e espera que todos fiquem do lado dele, entendendo
que ele está sendo prejudicado injustamente e que a empresa sugou tudo dele
enquanto podia. E o pior: ele incita os demais colegas a se amotinarem visando
prejudicar a empresa da pior formar possível.

Quem é desligado de uma empresa
com certeza está sobre forte influência emocional, por mais que tal
desligamento seja previsto e esperado. Isso quer dizer que o profissional pode
ter as mais variadas reações: desde a completa revolta e hostilidade até o
estado de choque e palidez. Geralmente o profissional de RH, ou quem quer que
seja responsável pela notificação do desligamento, deve compreender a situação
e procurar transmitir a mensagem de desligamento da forma mais pacífica e
serena possível para justamente evitar reações emocionais descontroladas. Porém
nem sempre é assim.

b) Demissão de um colega

Só se
manifeste quando ele puxar o assunto. Diga o quanto lamenta e faça um
comentário construtivo, como “você é um bom profissional, logo se
recolocará”. Seja solidário, mas não exatamente para criar um clima de “motim”
na equipe.

Aqueles que ficaram devem tomar muito cuidado na compreensão e no entendimento de que o funcionário desligado
está querendo. O correto é ser solidário, mas não ao ponto de prejudicar alguém
ou gerar um clima de desconforto com os demais funcionários que continuam a
trabalhar na empresa.

c) Ao pedir demissão

Comunique
sua decisão à chefia com antecedência. Deixe claro que está saindo, mas não crie confusões e um clima que prejudique quem fica. Diga ao empregador
e aos colegas o quanto foi bom trabalhar com eles e, se fizerem festa de
despedida, escreva uma carta de agradecimento. Evite falar mal do antigo
empregador, pois você pode precisar dele no futuro.

Se a decisão de desligamento da
empresa partiu do funcionário deve-se tomar alguns cuidados para que o clima e
o ambiente de trabalho não fiquem comprometidos. Deixe claro seus motivos e por que este foi o momento escolhido para tal desligamento. Faça o máximo para
transmitir o conhecimento que só você detém, transfira suas responsabilidades e
obrigações e evite esconder algo ou levar para casa algo da empresa sem
permissão.

Já vi situações onde um desenvolvedor copiou todos os códigos
fontes do sistema quando soube que foi demitido e saiu ameaçando a empresa.
Este tipo de atitude só prejudica o profissional e, por mais que ele esteja
indignado, jamais deveria ter feito a empresa ou alguém de refém. Isso pode
gerar sérias complicações jurídicas além de manchar a reputação do profissional
ao ponto do mercado reconhecer tal atitude e bloquear novas tentativas de
recolocação.

Continuaremos com mais alguns tópicos importantes na próxima semana. Até lá!

Mauro Pichiliani é bacharel em Ciência da Computação, Mestre e doutorando em computação pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Trabalha há mais de 10 anos utilizando diversos bancos de dados e ferramentas de programação. Pode ser contatato no twitter como @pichiliani e no e-mail pichiliani@gmail.com

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