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Como se portar no local de trabalho – Parte 01

Olá, pessoal. A partir desta semana vou deixar um pouco a parte técnica de lado e comentar alguns aspectos e
dicas de como se portar no local de trabalho, algo que é fundamental para um
bom profissional da área de informática, assim como para qualquer área.

A idéia é mostrar
algumas dicas que possam auxiliar aqueles que estão iniciando no mercado de
trabalho e que ainda têm algumas dúvidas sobre como se portar em certas
situações, além de fazer uma boa reciclagem para aqueles que já estão no mercado há algum tempo – relembrar é bom e, muitas vezes, necessário.

Infelizmente, a área de computação não é conhecida por ter os
profissionais mais “amigáveis”. Com certeza posso afirmar que já presenciei
situações e comportamentos lamentáveis durante a minha carreira. E parece até que isso se “espalha” para outras áreas que trabalham com o meio digital.

Como tenho certa experiência em várias empresas, como colaborador, consultor externo, e outras modalidades de trabalho, sei o que é liderar uma equipe e também como
conduzir um processo de seleção e de desligamento de um profissional. Por isso
recomendo a todos que estão lendo este artigo e que trabalham em empresas,
sejam elas agências de publicidade, provedores de conteúdo, produtoras,
repartições públicas e outras, que fiquem atentos ao principal aspecto
relacionado ao comportamento no local de trabalho: o bom senso. Isso quer
dizer que cada local, independente da liberdade ou informalidade, requer um
nível de profissionalismo básico e comportamento adequado para garantir o bom
relacionamento e a convivência saudável com as demais pessoas da empresa,
parceiros, clientes e outros.

Dito isso, vou apresentar algumas
sugestões de como se portar em certas situações, focando no profissional da
área de informática. O conteúdo deste artigo foi baseado em um texto publicado
no jornal O Estado de S. Paulo em 10/01/2009 na página Ce2 do caderno de Empregos.
Vou dividir as sugestões em tópicos e quebrá-las em alguns artigos, ao invés de
apresentar todo o conteúdo de uma vez só.

1. Sobre o relacionamento com as
pessoas

a) Seja honesto em qualquer
situação

Isso quer dizer que, muitas
vezes, é preciso saber dividir igualmente certos recursos, saber balancear e
dosar as atitudes de acordo com o contexto e sempre falar a verdade. Além
disso, ser honesto implica que não se deve omitir certas informações ou se
ausentar. O sistema parou de funcionar por que você pisou na bola e cometeu um
erro? Seja honesto, assuma a culpa e esteja preparado para as conseqüências por
pior que elas sejam. Pela minha experiência digo que a honestidade é um
atributo que às vezes é difícil de se encontrar e funciona como uma via de duas
mãos: se você quer que as pessoas sejam honestas com você, é preciso antes que
você seja honesto com elas.

b) Nunca faça algo que você não
possa assumir em público

Ah, esse remete ao clássico
comportamento de omissão. Ainda mais com ferramentas como a internet que dão
uma falsa sensação de anonimato. Se você quer ser um bom profissional, é preciso
assumir o que fez e junto com isso carregar as responsabilidade e implicações
dos seus atos. Aqui temos os famosos casos do “eu não mexi, parou de funcionar
sozinho” ou do “já estava assim quando cheguei” que indiretamente estão
mascarando o fato de a pessoa querer ser esquivar para evitar problemas.

c) Seja humilde, tolerante e
flexível com colegas e chefia

Esse é outro item que é muito
comum na área de computação, inclusive já abordado por mim em uma das colunas
anteriores chamada de Humildade do
Colunista.

Como a área de computação envolve
muitos conceitos, métodos, técnicas e outros procedimentos complexos de se
entender, muitos profissionais adotam uma postura arrogante perante aqueles que
não conhecem tanto quanto eles. Isso traz muitos problemas de relacionamento
que prejudicam não só as pessoas envolvidas, ao ponto de evitarem contato, como
também a empresa de um modo geral. Porém, mudar esta arrogância é algo que não é
fácil e não sai do dia para a noite: é preciso, gradualmente, adotar posturas
mais humildes e avaliar como foi o tratamento das pessoas em certas situações.

Outro ponto importante aqui é a
questão da tolerância e da flexibilidade. Todos somos humanos (assim espero) e
erramos. Digo mais: erramos muito e vamos continuar errando. Por isso é preciso
saber dosar ações corretivas e também entender o contexto, situação,
argumentos, circunstâncias e recursos antes de condenar ou absolver. Por
exemplo, é preciso ser tolerante quanto à qualidade de um programa se o
responsável pelo seu desenvolvimento foi obrigado a trabalhar em um prazo
considerado inadequado ou mesmo insuficiente para a execução de tal tarefa.

d) Ser ético pode significar,
muitas vezes, perder dinheiro, status e benefícios

Ética. Essa palavra cada vez mais
vem ganhando espaço na área de computação. Infelizmente ainda vejo pessoas que
não têm a menor noção de como ser ético ou mesmo o que significa isso. Não sou
especialista em ética, mas recomendo o ótimo artigo sobre isso escrito para
o  iMasters pelo Thiago França, cujo
título é Ética de um Gerente de Projetos.

Eu sei, eu sei, a ética as vezes
é a última coisa a ser pensada, principalmente quando se fala em dinheiro,
status e benefícios. Cansei de encontrar pessoas que não ligam para princípios
morais quando se fala em mexer no bolso ou mesmo atrapalhar algo que já foi
conquistado. Aqui não tem muito jeito: ser ético pode atrapalhar muitas coisas
e gerar inclusive perdas materiais ou não, mas para aqueles que têm consciência
nada vale mais a pena do que colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir tranqüilo.

e) Dê crédito a quem merece.

Nem
sonhe em aceitar elogios pelo trabalho de outra pessoa. Cedo ou tarde será
reconhecido o autor da idéia e você ficará com fama de mau-caráter.

Outro ponto comum na área de
computação, principalmente quando se fala de software. Hoje em dia praticamente
todas as soluções não são esforços individuais, mais sim a soma destes esforços
que faz a roda girar. Isso quer dizer que se você utilizou algum software livre
para a sua solução, você tem que reconhecer o esforço da comunidade. Alguém lhe
ajudou a configurar o servidor em um ambiente que você não conhecia? Agradeça e
diga que foi um trabalho em conjunto. Às vezes é comum ter uma pessoa apenas apresentando
um resultado de um projeto e a audiência esquece que, por trás da pessoa falando,
houve uma equipe que contribuiu para o resultado.

Mais um exemplo: utilizou um
tutorial no Photoshop para criar aquela imagem na propaganda? Poste um
comentário agradecendo o autor e comente com seus colegas onde aprendeu tal
técnica. Colocou uma notícia no seu blog sobre algo legal? Não esqueça a fonte
ou pelo menos citar como fez para obter o material. Foi o estagiário que teve
aquela idéia genial? Faça questão de comentar com a equipe e com o cliente que
o “pulo do gato” foi obra de um profissional que está começando na carreira.

f) Pontualidade vale ouro

Se
você sempre se atrasar, será considerado indigno de confiança e pode perder
boas oportunidades de negócio.

Aqui temos um conceito básico que
muitas vezes é ignorado pelo brasileiro e é genuinamente reconhecido e admirado
no povo britânico e oriental: a pontualidade. Sem entrar em detalhes do motivo
de atrasos (trânsito, sono em excesso, problemas pessoais, etc) a pontualidade
é algo que realmente marca o profissional, vide o exemplo que comentei na
coluna Diário de um DBA.

Sei que existem situações e
ocasiões onde o atraso não pode ser evitado. Mas a recorrência deste tipo de
comportamento é péssima não só para a imagem do profissional, mas também para a
empresa que este representa. Obviamente existem muitos fatores a serem
considerados, mas a pontualidade é algo realmente básico e que muitas vezes
separa um profissional relaxado de um profissional comprometido.

g) Respeite a privacidade do vizinho

É proibido mexer na mesa, nos pertences e documentos de trabalho dos outros.
Devolva logo o que pedir emprestado.

Aqui temos embutido o conceito de
intimidade. Com certeza existem ambientes mais informais onde é permitida certa
invasão de privacidade. Porém existem limites a serem seguidos e que devem ser
respeitados. Já presenciei situações onde aquele pacote de chocolate guardado
para uma ocasião especial foi sistematicamente descoberto e usurpado por
colegas de trabalho que achavam tudo engraçado. Com certeza isso pode gerar
problemas internos, mesmo que a vítima leve na brincadeira tal ação. Cabe
ressaltar novamente: o ambiente empresarial é diferente da sua casa. Certas
brincadeiras e liberdades têm que ficar do lado de fora da porta da recepção e
não dentro do departamento.

h) Faça o que disse e prometeu

Quebrar promessas é algo imperdoável.

As duas frases acima remetem ao
conceito de comprometimento. É fácil falar que vai fazer chover e que isso é
algo que você domina perfeitamente. Porém não se esqueça de que quando uma
promessa é feita gera-se expectativa em quem recebeu a promessa. Quando uma
promessa é quebrada essa expectativa é frustrada e se torna algo imperdoável,
manchando a confiança e a capacidade do profissional. Aqui faço uma observação
pessoal: eu, Mauro Pichiliani, já quebrei promessas e vou continuar a
quebrá-las no futuro, pois, como disse anteriormente, todos erramos. Por isso
procure sempre se lembrar dos riscos que vão junto à promessa e sempre procure
adotar uma atitude mais pragmática quando expuser o que está prometendo.

Infelizmente muitas promessas são quebradas devido a fatores que estão fora do
controle de quem fez a promessa, mas isso não diminui a culpa ou
responsabilidade, pois este tipo de risco deve ser mencionado e devidamente
priorizado. Por exemplo: após prometer que a manutenção iria ocorrer sem
transtornos, o sistema parou de funcionar porque o Service Pack mudou o
comportamento de uma funcionalidade de uma forma inesperada? Este tipo de
situação possui várias saídas como, por exemplo, o teste do Service Pack em um
ambiente controlado.

2. Sobre conversas ao telefone

a) Dê toda a atenção à pessoa que
ligou

Nada de mascar chiclete, comer ou fazer qualquer tipo de barulho. A
pessoa do outro lado da linha pode achar que você não está lhe dando a devida
atenção.

Quando alguém liga para a empresa
esta pessoa quer ser bem atendida e falar com quem pode resolver seu problema e
ouvir o que ela tem a dizer. Por isso é imprescindível saber dar a devida
atenção e procurar garantir o correto entendimento do que a pessoa está
falando. Para quem recebe: seja compreensivo e procure ajudar a pessoa, mesmo
que esta ajuda seja o encaminhamento da ligação para outra pessoa. Para quem
liga: evite ir direto ao assunto e não se esqueça da saudação, cordialidade e
educação ao telefone.

b) Em hipótese nenhuma chame o
cliente de “querido(a)”, “meu bem”, “benzinho”

Aqui temos o aspecto do nível de
intimidade no relacionamento entre o cliente e o profissional. Procure deixar
tratamentos íntimos, piadas ou alcunhas para ambientes mais informais como o happy hour depois do expediente. Já
presenciei situações onde o tratamento incorreto de pessoas no telefone, no
caso um cliente, foram responsáveis pelo cancelamento de contratos e perdas significativas
para a empresa. Tudo devido à falta de tratamento correto e à forma de
comunicação entre quem está falando e quem está ouvindo.

c) Ao atender a telefonemas
alheios, anote o recado

Escreva o nome da pessoa que ligou, o número do
telefone, o assunto e a hora. Com letra legível, é claro.

Aqui temos a questão da
organização. Quem ligou quer falar com alguém e esse alguém deve, de alguma
forma, ser notificado desta ligação. Muitas vezes oportunidades são perdidas,
problemas são agravados ou situações desconfortáveis são geradas pela falta de
comunicação entre partes e com certeza quem está no meio da transmissão, ou
seja, quem anota e passa o recado, pode ser responsabilizado de alguma maneira
pelo problema gerado pela falta de comunicação entre as partes interessadas.

d) Evite, ao máximo, atender ao
telefone durante uma reunião

A não ser que a ligação seja extremamente
importante. Isso também vale para telefones fixos e celulares, que devem ser desligados ou
colocados em modo silencioso antes de o encontro começar.

A dica acima parece básica, mas é
comum uma reunião ser interrompida por um toque de celular escandaloso e que
mostra a personalidade e o gosto do dono do aparelho. Evite utilizar toques
muito altos, escandalosos, incoerentes com o ambiente e que possam não apenas
quebrar a concentração dos participantes da reunião, como também indicar que
você precisa de um som ou música nada discreta para receber ligações.

e) Não faça ligações pessoais
demoradas

Principalmente se for namorar. Nem pense em brigar com filhos ou
parentes pelo telefone. Todos estão sujeitos a ter de atender a um telefonema
com alguém ao lado. Quando for inevitável, procure fazer com discrição. Nada de
gestos, caretas ou comentários tapando o bocal do telefone. Pega mal e mostra
que você não está dando à devida atenção e debochando do interlocutor.

Aqui vale a observação da
discrição. O ambiente de trabalho deve ser utilizado em primeiro lugar para
trabalhar, mas também pode-se ocasionalmente utilizar seus recursos para fins
pessoais. Porém cabe aqui observar que a discrição e a brevidade devem pautar
as comunicações, e os relacionamentos pessoais que não estão envolvidos
diretamente com o trabalho devem ser deixados de lado temporariamente, salvo as exceções relacionadas a emergências e
situações fora de controle que requeiram total atenção.

Comunicações que tomem um rumo
hostil, como brigas, discussões acaloradas e pelejas, devem ser sumariamente
deixadas para depois, pois basta levantar um pouco o tom de voz em uma ligação
para que todos que estão em volta parem o que estão fazendo e fiquem “atentos” ao
que se está falando no telefone e parem de se concentrar em suas tarefas. Se
tal situação for inevitável, recomenda-se procurar um lugar isolado para
continuar com a conversa como, por exemplo, uma sala de reunião vazia ou o
banheiro.

g) Retorne ligações

Mesmo que
você não conheça quem deixou o recado.

Novamente temos a questão do
comprometimento. Se algum ligou para você, independente de quem seja ou qual
for o assunto, é sua obrigação retornar a ligação, nem que for para dizer um
local ou hora específico para tratar de um assunto. A comunicação é um fator
crucial no ambiente de trabalho e nenhum profissional deve se dar ao luxo de
ignorar um recado não atendido, seja qual for o motivo.

Na próxima semana falaremos um pouco mais sobre o assunto. Até lá!

Mauro Pichiliani é bacharel em Ciência da Computação, Mestre e doutorando em computação pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Trabalha há mais de 10 anos utilizando diversos bancos de dados e ferramentas de programação. Pode ser contatato no twitter como @pichiliani e no e-mail pichiliani@gmail.com

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