Até hoje, para parte da população, o consumo de informações se baseia em ler jornais e revistas e assistir à televisão. O consumo de conteúdo é feito passivamente. As pessoas aceitam o conteúdo selecionado por outras pessoas e compilado em um espaço limitado, seja ele de folhas de papel ou de horários da grade de programação.
Felizmente isso está mudando muito. Com a Internet, saímos de uma posição passiva para uma posição em que procuramos o que queremos ler, ouvir e assistir. Entretanto, isso não é realidade para todo mundo. No Brasil, apenas 24% dos domicílios estão conectados à Internet (Fonte: Pesquisa TIC Domicílios 2009).
Já no ensino parece que as coisas não mudaram muito. Até hoje temos aulas nas quais os alunos consomem informações passivamente. Todos sentados com um professor falando. Isso ainda é um tanto estranho.
Na indústria do entretenimento temos casos reais de empresas que estão fazendo sucesso oferecendo conteúdo por demanda. O Netflix, por exemplo, oferece filmes que podem ser alugados e assistidos pela Internet. Já o seu concorrente físico, a Blockbuster, pediu concordata.
E o ensino?
Existem iniciativas fantásticas por toda rede. Temos a Khan Academy, que possui centenas de aulas gratuitas sobre diversos temas, o YouTube EDU, que traz aulas de grandes universidades dos EUA, e o TED, com palestras incríveis sobre assuntos variados. Tudo isso em vídeo, além de milhares de pessoas que produzem conteúdo textuais para ensinar.
Pessoas conectadas a Internet podem ter acesso a conteúdos fantásticos em qualquer lugar do mundo a qualquer hora
Nós nunca fomos tão independentes quanto ao aprendizado. Tudo depende cada vez mais apenas de você, pois a disponibilidade de conteúdo para alguém no Brasil, EUA, Japão, Alemanha, etc é basicamente a mesma.
Se você quer aprender programação, desenho, jardinagem, como cozinhar ou até mesmo quais os melhores exercícios para uma certa parte do corpo, é só procurar isso no Google, está tudo na Internet.
Eu aprendi a programar em Python apenas usando material encontrado na Internet. O mesmo aconteceu com diversos outros assuntos relacionados à informática e também ao desenvolvimento pessoal. Eu não precisei esperar a televisão exibir um programa ou algum professor me ensinar na sala de aula.
Nós estamos vivendo uma mudança de paradigma, em que você pode aprender o que quiser porque gosta ou precisa e não porque seus professores acham que você precisará no futuro.
Não estou descartando a importância dos professores, eles são e sempre serão importantíssimos para sociedade, mas talvez boa parte deles precise rever a forma de conduzir as aulas numa era em que os alunos têm o acesso a informações ilimitadas.
Os professores não deveriam se sentir ameaçados pela Internet, eles deveriam aproveitar a tecnologia para trabalhar melhor certos conteúdos.
O maior acesso à banda larga implica rapidamente em um maior acesso à informação. Por mais que ela possa ser subutilizada às vezes, com o tempo, as pessoas amadurecem e passam aproveitar o conhecimento disponível na grande rede. Uma população bem informada é sempre bem melhor que uma de ignorantes.







