A quantas anda o Big Data no atual mercado de tecnologia?
Se pedirmos para vinte pessoas uma definição de Big Data, teremos pelo menos 21 ou mais respostas… Saiba agora o porquê.
Ultimamente tenho participado de vários painéis sobre o tema Big Data, e destas discussões acabamos pegando alguns insights interessantes. Se pedirmos para vinte pessoas uma definição de Big Data, teremos pelo menos 21 ou mais respostas… Na prática, Big Data significa muitas coisas para muita gente. O conceito ainda não está claro, mas algumas pesquisas começam a mostrar que o tema já está entrando no radar de muitas empresas e alguns casos de sucesso já pipocam aqui e ali. Uma pesquisa que recomendo é a “Analytics: the real-world use of Big Data”, efetuada pela IBM em parceria com Said Business School at the Oxford University. Foi feita com 1.144 profissionais de negócios e de TI, em 95 países e dá uma boa visão do status atual do uso de Big Data.
Analisando seu conteúdo identificamos que pelo menos 2/3 das empresas pesquisadas sentem que Big Data oferece um potencial muito grande para a criação de vantagens competitivas.
Outro dado interessante é que apenas 28% das empresas estão desenvolvendo projetos piloto ou tem algum projeto já em andamento. Neste ultimo caso são apenas 6%! 47% ainda estão estudando o assunto, começando a desenhar estratégias para seu uso; e 24% nem começaram. Estão só observando o mercado e tentando separar o hype, da realidade. Realmente é um tsunami em alto mar, pouco perceptível da costa, mas que vai chegar com muita força, arrastando negócios estabelecidos e criando oportunidades para outros novos e inovadores modelos de negócios.
Também chama a atenção que os projetos iniciais são liderados pela área de TI, mas à medida que o conceito se entranha na organização, fica claro que Big Data não é um punhado de tecnologias. São conceitos que envolvem tecnologias, processos e pessoas que permitem repensar o “como” as decisões são tomadas dentro das empresas. Abre um novo olhar sobre o mundo e a empresa e nos permite fazer novas perguntas, que antes nem pensávamos que poderíamos ao menos fazer. Quando o conceito amadurece nas empresas, o sponsorhip passa de TI às funções de negócios, muitas vezes até mesmo patrocinado pelo CEO. Neste momento pode surgir a figura do CDO, ou Chief Data Officer, ligado diretamente ao CEO.
Mas, existem barreiras. Desconhecimento dos conceitos, falta de expertise e ferramental adequado, falta de uma estratégia bem delineada, o que acaba concentrando os esforços no nível tecnológico. Já cheguei a testemunhar um acalorado debate se a melhor alternativa seria o Hadoop, ou não. E a pergunta, “mas o que vocês querem com Hadoop? Qual o objetivo de negócio” não teve resposta.
Um aspecto que tem passado meio batido, principalmente devido a imaturidade do Big Data, é a questão de privacidade e os limites éticos que as empresas devem considerar antes de começar a coletar e analisar dados a torto e a direito.
Na verdade, quando pegamos dados isolados e os agrupamos, conseguimos quebrar a “anonimização”. Recomendo a leitura dos papers “Broken Promises of Privacy: Responding to the Surprising Failure of Anonymization” e “Rething Personal Data: Strengthening Trust”, publicado pelo World Economic Forum.
Estes trabalhos mostraram que pegando data de nascimento, gênero e código postal em bases de dados abertas e públicas, os pesquisadores conseguiram identificar 87% das pessoas.
O uso indiscriminado de mídias sociais, onde informações simples como por exemplo, “estou em férias” pode aumentar o risco de roubo à propriedade. E, sempre bom lembrar que o que publicamos na web jamais vai embora…
Uma recomendação quando das discussões de uso de Big data deve passar por estas questões, envolvendo não apenas as áreas de TI e negócios, mas também RH, risk management e jurídico. O produto deve ser um “guidelines” do código de conduta, do que será aceitável eticamente na empresa. Não é fácil, pois questões como privacidade são muito fluidas e coisas que a geração anterior considerava de cunho pessoal, a geração digital espalha sem receios pelas mídias sociais.
Díficil fazer previsões, mas em 2013 o tema já está bem palpitante e acredito que nos próximos dois ou três anos veremos mais e mais casos de sucesso, quando os projetos de prova-de-conceito mostrarem seu valor para o negócio. Esperar o trem sair da estação pode ser tarde demais. Recomendo que as organizações comecem a pensar seriamente em Big Data e planejar projetos piloto que validem o conceito e aplicabilidade no negócio. Afinal a sociedade gera 2,5 quintilhões de byes diariamente e uma ínfima parcela disso pode ser extremamente importante para uma empresa… E, claro, disputar acirradamente os poucos profissionais que realmente dominam o conceito e aplicações de Big Data.







