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29 mai, 2012

Você e sua linguagem favorita: uma difícil separação

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Eu a conheci ainda muito novo. Foi um amigo quem me apresentou. Me lembro desse dia como se fosse hoje.

No começo, confesso que não fiquei muito interessado, mas com o passar dos dias algo mudou. Conversei com outros amigos sobre ela e quanto mais sabia, mais me interessava.  Até que a simples curiosidade virou paixão. E olha que isso não demorou muito.

Tomei coragem, me declarei e fui aceito no primeiro momento.

Mesmo com todas aquelas questões de um começo incerto, fomos em frente e selamos promessas de amor eterno. Nos divertimos muito. Fizemos milhares de coisas juntos. Madrugadas, inclusive, mandando ver.

Ora ou outra nos desentendíamos, mas era rápido. Era só uma questão de parar, refletir, esfriar a cabeça e íamos adiante.

Um dia, em meio a uma fase tempestuosa, acabei me envolvendo com outra. Em um primeiro momento, aquilo me pareceu muito errado. Mas como já tinha ouvido falar da outra há muito tempo e com a situação nada boa, resolvi experimentar.

Foi desanimador. Fiquei com um sentimento de culpa misturado a uma sensação de que nada iria a substituir e voltei correndo. Mas uma vez procuramos o entendimento e isso funcionou, pelo menos por um tempo.

A carne é fraca e outras vieram. Várias, nem lembro quantas. E quanto mais elas apareciam, mais tranquilo ficava com os flertes. Mantive vários relacionamentos interessantes, sem que uma soubesse da outra.
Essa situação ficou insustentável e, com a influência de amigos, resolvi que era hora de seguir em frente e terminar essa relação de tantos anos.

Hoje estou com outra e às vezes me pego pensando nela, comparando com a atual. Sinto falta de umas características dela. Me surpreendo com a capacidade da atual, e assim vou levando os dias. Lembrando dos tempos felizes com ela e tentando absorver a necessidade da troca.

Talvez alguns não entendam esse lamento, até por não terem passado por tudo isso. Mas é só uma questão de tempo, pode acreditar. Nada dura eternamente. Tudo muda.

Só quem viveu um grande amor entenderá, afinal de contas, linguagem de programação tem dessas coisas.

Trabalhei com Delphi por 10 anos (2001-2011), tendo obtido certificações técnicas e reconhecimento da Borland como instrutor. Participei de alguns bons projetos, sendo a maioria para o setor público. Hoje trabalho na Qualidata em um projeto de sistema para atendimento a cartórios, sendo desenvolvido em .NET com WPF.

Depois de todo esse tempo, cheguei à conclusão de que toda essa paixão e dedicação ao Delphi serviram para a criação de uma consciência de que as especializações são inevitáveis, mas que existem fronteiras muito sutis que devem ser percebidas. A demanda do mercado é uma delas. O risco de ser excluído ou sub aproveitado em um mercado em constante evolução e mudança, é algo que deveria preocupar a todos.
Se eu tivesse que dar um conselho agora, seria: “Cuidado com as paixões por uma linguagem de programação. Prefira um harém delas”.

Assim como acontece nos relacionamentos, esse sentimento pode cegar. Os brutos também amam, e como diria Adele na letra de “Someone Like You”: “I wish nothing but the best for you too”. Fico feliz em saber que a Embarcadero está cuidando bem do Delphi.

Se você também já se apaixonou por uma linguagem de programação não se envergonhe, compartilhe conosco suas experiências.

Lembrem-se sempre: “Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead”.