Dev (Back & Front)ARTIGO

O software livre venceu!

Com a abertura do código-fonte do C# e do Swift, todas as principais linguagens de programação são open source, algo impensável há poucos anos.

Outro dia, conversando com um amigo, me dei conta de que, hoje, com a abertura do código-fonte do C#C#68 conteúdosNovidades do C# 8.0: Default Interface MembersDev (Back & Front) · jun 2019C# 8.0 – Conheça suas novas funcionalidadesDev (Back & Front) · mai 2019Novidades do C# 8.0: Switch ExpressionsDev (Back & Front) · mar 2019Ver tudo em Dev (Back & Front) e do Swift, todas as principais linguagens de programação são open source, algo impensável há poucos anos. Os dois principais bastiões do software proprietário, Apple e Microsoft, viram-se forçadas a se renderem às pressões dos novos tempos.

Recentemente, o mundo da TI foi abalado pela revelação de que o Windows será capaz de rodar o Bash, o interpretador de shell padrão das principais distribuições LinuxLinux34 conteúdosKali Linux em um Servidor VPS: como, quando e por que usar?DevSecOps · dez 2024Construindo um Windows Service ou Linux Daemon com Worker Service & .NET Core – Parte 2Dev (Back & Front) · jul 2020Criando uma WebApi utilizando .NET, Linux e VSCodeDev (Back & Front) · ago 2019Ver tudo em DevSecOps e, consequentemente, outros binários em linha de comando que rodam sobre ele.

Muitos temem que esta seja uma reedição da estratégia “embrace, extend, extinguish” que a Microsoft tentou utilizar para dominar a web com a guerra dos browsers, no final dos anos 90. Naqueles tempos a Microsoft era praticamente hegemônica e sua principal rival histórica, a Apple, amargava prejuízos crescentes. Por outro lado, o Google, atual antagonista, só seria criado em 1998 e levaria, pelo menos, mais uma década para que começasse a incomodar a gigante de Redmond.

Contudo, o cenário hoje é bem diferente e a Microsoft tem atualmente apenas uma sombra do monopólio que já pertenceu a ela no passado. Abraçar o software livre mostrou-se um movimento estratégico: abrir-se ao ecossistema open source representa uma perda menor do que não se abrir.

A Apple realizou movimento semelhante em 2001, quando abandonou o Mac OS Classic em prol do Mac OS X, adotando o kernel do OpenBSD e tornando-se um sistema operacional Unix-like. Consequentemente, passou a oferecer uma maior interoperabilidade com as ferramentas Unix e colheu os frutos dessa estratégia, sem deixar de ser a empresa proprietária que sempre foi.

A Microsoft segue estratégia semelhante: abre-se ao ecossistema Unix e espera colher os frutos dessa abertura; ou seja: uma maior interoperabilidade e consequentemente, menos motivos para migrar de plataforma, preservando seu ecossistema, atualmente em declínio.

Em resumo, trata-se de um novo momento: o software livre deixou de ser contracultural e passou a ser mainstream. Dentro dessa perspectiva, é preciso mudar a abordagem e reforçar as qualidades intrínsecas a esse modelo: liberdade que se traduz em maior autonomia tecnológica, independência de fornecedor, maior segurança, possibilidade de customização e um conhecimento aprofundado acerca da tecnologia utilizada.

***

Texto publicado originalmente na revista Locaweb #58

Formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, é membro ativo da comunidade de software livre brasileira e um defensor das causas ligadas à inclusão digital e ao conhecimento livre. No campo profissional, já coordenou projetos de educação e inclusão em entidades do terceiro setor e foi editor chefe da Linux Magazine e da revista iMasters, tendo palestrado nos mais diversos eventos da área de tecnologia. Nos últimos anos, tem se dedicado a pesquisar o universo da cultura digital e seus desdobramentos.

Ver perfil