Produto & UXARTIGO

O que a Internet das Coisas tem a ver com você, CIO

Em outubro eu tive a oportunidade de palestrar no 2° Congresso Brasileiro de RFID e Internet das Coisas. Foi uma boa ocasião para troca de ideias, principalmente aquelas que ocorrem nos intervalos.

Um dos participantes, que é CIO de uma empresa de porte médio, me procurou para dizer que tinha gostado do tema, mas que ele não sabia o que a Internet das Coisas tem a ver com ele, CIO de empresa. Foi uma boa pergunta – na verdade é a mesma que muitos CIOs se fazem. Eles já estão ouvindo falar da “Internet of Things’ (IoT) – Internet das Coisas – e ficam sem saber como se posicionar neste contexto. Em uma tentativa de sanar essa dúvida, vou discutir o assunto no artigo de hoje. 

Sem me apronfundar em definições acadêmicas, posso dizer que IoT é o conceito que descreve como a Internet pode ser usada para conectar objetos. À medida que a tecnologia evolui, se tornando mais barata e e cada vez menor, podemos imaginar um cenário onde praticamente todos os objetos poderão se conectar à Internet. Um automóvel pode enviar alertas à concessionária sobre prováveis falhas, antes mesmo que elas aconteçam. Um GPS em um automóvel pode obter dados em tempo real das condições de trânsito e redirecionar o roteiro de acordo com elas. Até mesmo um vaso de plantas pode enviar um tweet alertando que é o momento de ser regado. Acha que é brincadeira? Vejam este projeto experimental de comunicação entre plantas e seres humanos.

Mas um objeto não precisa ser capaz, ele mesmo, de processar informações para participar da Internet das Coisas. Uma caixa de cereais, ou uma lata de refrigerante com um código 2D pode fazer parte, desde que tenhamos um smartphone conectado à Internet apontado para ele. Assim, a informação sobre o objeto estará disponivel na Internet, e com ela podemos agregar valor ao objeto, como descrição e valor nutricional. Juntamente com dados sobre o usuário do smartphone, pode-se fazer uma promoção especial, como uma oferta de descontos. Na IoT o objeto em si não precisa ser inteligente. A inteligência pode estar na Internet, e o que é necessario é apenas um meio de identificá-lo e conectá-lo. O código 2D é um maneira simples de fazer isso. Desta forma, objetos antes desconectados passam a fazer parte da IoT.

É claro que o objeto pode ser inteligente e agir de forma autonôma, como uma máquina industrial que opera sozinha. Mas esta mesma máquina pode se tornar muito mais inteligente, caso opere conectada à Internet.
Interessante é que olhando a IoT em termos de números, vamos ver que se salta da casa dos bilhões de unidades (smartphones e PCs), para centenas de bilhões de objetos. Estamos falando em uma ordem de magnitude bem maior.

A IoT nos dá oportunbidade para criarmos novo negócios. Por exemplo, uma empresa chamada StreetLine, vencedora do programa de apoio da IBM ao empreendedorismo global, o SmartCamp de 2010. Ela criou um negócio muito interessante de gestão de vagas de estacionamento, que utiliza nas vagas sensores que fazem parte de uma rede mesh. Essa rede gerencia as vagas e avisa aos motoristas, via smartphone, quais estão disponíveis e qual a mais próxima dele. É uma maneira inovadora de atuar sobre um problema que aflige a todas as cidades. Uma estimativa aponta que por volta de 2050 teremos 9 bilhões de pessoas (hoje somos sete bilhões) e serão entre 2 a 3 bilhões de veículos, contra os 800 milhões de hoje. Os sistemas de estacionamento funcionam da mesma maneira há pelo menos uns 75 anos…

Outro exemplo de como a IoT nos permite fazer as coisas de forma diferente, é a Zipcar, uma empresa de aluguel de carros. Nela, o usuário reserva um automóvel disponível e estacionado em um local próximo a ele, e paga apenas pelo tempo que usou.

Voltando ao meu amigo CIO, minha sugestão é que ele reserve um tempo para pensar em como a IoT poderá fazer com que a empresa dele crie novos processos, ou negócios. Pode começar com simples promoções e ofertas de descontos, até chegar a uma nova e transformacional mudança na experiência do seu cliente. Um exemplo de mudança transformacional de experiência de uso são alguns dos produtos criados pela Apple, como o iPod, o iPhone (touchscreen e agora Siri) e o iPad.

Com a IoT, mesmo em simples promoções, podemos criar ações inovadoras. Um exemplo é o IntoNow, da Pepsi, que usa um app do iPhone que aciona o microfone  para confirmar que o usuário está ouvindo, naquele instante, determinada propaganda na TV e então premia-lo. 

A IoT está batendo em nossas portas! Se voltarmos no tempo, cerca de dez anos atrás, quase nada do que temos hoje na Web existia. Quem perdeu o trem do e-business sofreu bastante. Alguns negócios foram totalmente redesenhados, como a industria fonográfica. Será que se fecharmos os olhos e ignorarmos a potencialidade da Internet das Coisas não estaremos correndo o mesmo risco?

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

Ver perfil