Arquitetura de Informação

28 abr, 2021

3 ingredientes para uma Arquitetura de Integração Moderna

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Diante de um cenário tecnológico em constante transformação, para acompanhar as demandas de integração do mercado e das organizações, é necessário adotar uma arquitetura de integração moderna que torna os processos mais ágeis, flexíveis e prepara as empresas para constantes mudanças.

Este artigo trata dos 3 principais ingredientes que dão forma a uma arquitetura moderna de integração. São eles:

  1. Stack Tecnológico que, assim como um sistema operacional, entrega as bases arquiteturais para garantir toda essa agilidade, flexibilidade e capacidade de aceitar mudanças;

  2. Integração amigável a conexões que dê boas-vindas ao ecossistema de parceiros, permitindo que eles se integrem com facilidade e possam proporcionar uma excelente experiência;

  3. Acelerador de times para explorar o modelo de organização nas empresas, a colaboração, independência e aumentar a velocidade.

Para entender melhor o que é essa arquitetura de integração moderna, primeiramente precisaremos revisitar os conceitos básicos de arquitetura e, principalmente, porque é tão difícil construir arquiteturas que possam ser evoluídas ao longo do tempo. Após essa breve abertura, conheceremos os três principais ingredientes que dão forma à arquitetura de integração moderna.

A arquitetura

O que é?

De acordo com o IEEE, arquitetura de software é definida como a organização fundamental de um sistema e seus componentes, bem como a relação entre o sistema e o ambiente, o que acaba por guiar seu design e evolução.

Se perguntarmos a qualquer Arquiteto de Software, ele provavelmente dirá que arquitetura é sobre definir os padrões do projeto, os modelos de comunicação, as conexões, a persistência, enfim os blocos básicos para definição do que será construído. E provavelmente irá mencionará os artefatos que produz e que dão sustentação ao processo de construção do software.

Não é de se estranhar que tenhamos uma definição como essa para a arquitetura de software, que por ser muito mais recente, se baseou na disciplina de arquitetura física (a mesma usada na construção civil). Na construção civil, a definição da arquitetura é primordial para o sucesso do projeto, uma vez que é muito difícil e caro alterar qualquer coisa posteriormente.

Em software, isso funciona de forma diferente. Software não é regido pelas limitações físicas e permite mudanças a qualquer tempo. Entretanto, desde o início, modelamos a arquitetura procurando definir antecipadamente a maior quantidade de detalhes para depois construir o software que irá atendê-la.

Essa busca, infelizmente, se mostrou infrutífera ao longo dos anos justamente pela característica cada vez mais dinâmica das necessidades de negócio e do software que as sustenta.

Por que é importante?

Martin Fowler, um dos autores mais importantes desta área, em seu artigo “Who Needs an Architect?”, analisa a questão da definição de arquitetura de software e, após ser influenciado por Ralph Johnson, acaba concluindo que:

“Arquitetura é sobre coisas importantes. Seja lá o que isso queira dizer.”

Pode parecer estranha essa definição, mas ela carrega muito significado, pois indica que arquitetura é sobre encontrar as coisas importantes e mantê-las sob constante vigilância. Ao dar a devida atenção a essas coisas importantes, a arquitetura se torna um meio para a extensão de novas capacidades. Arquitetura é sobre remover os aspectos irreversíveis do software, tornando-o maleável e passível de evolução.

O momento em que vivemos possui uma carga de dinamismo incompatível com estruturas imutáveis e para isso precisamos de uma arquitetura bem feita, que é aquela aberta às mudanças. Ela se adapta às novas necessidades, abrindo espaço para novos componentes, algoritmos, maneiras de se conectar, mecanismos de persistência, novos formatos, entre outros.

Por outro lado, quando uma arquitetura é construída de forma pobre, ela acumula “entulhos” (do inglês cruft) que impedem o seu entendimento e evolução.  Uma arquitetura que contém esses entulhos em sua fundação, potencializa rigidez e diminui a velocidade de entrega, tornando todo o processo de mudança mais complexo.

Ao longo do tempo esse entulho acumula e acaba gerando uma dívida, também conhecida como dívida técnica. Muitas organizações acumulam dívidas técnicas grandes demais, que acabam drenando recursos para pagá-las ao invés de serem usados para novas capacidades.

Como veremos, essa característica de habilitar mudanças e reduzir o acúmulo de dívida técnica, é peça central numa arquitetura de integração moderna. A única certeza que as organizações possuem é que irão mudar. Portanto, ter uma arquitetura mais flexível é fundamental para competir neste mercado que demanda inovação.

Como uma arquitetura rígida impede a inovação

As tendências de arquitetura moderna exigem softwares flexíveis e extensíveis. Sistemas rígidos e altamente acoplados levam a longos e arriscados projetos que tomam todo o backlog de TI e acabam atrapalhando as iniciativas de negócio a chegar rapidamente nas mãos dos usuários.

Uma consequência recente disso é a busca por áreas de negócio para fazer projetos impactantes sem envolver TI, que resultaram no termo “shadow-IT”.

É importante observar os seguintes pontos da arquitetura rígida:

  1. Sistemas rígidos

Sistemas rígidos são aqueles que não foram projetados para evoluir ao longo do tempo ou que já estão desgastados demais para operar no mundo dinâmico em que vivemos. A aceleração das demandas de negócio exige a troca das peças desses sistemas em voo, muitas vezes num prazo extremamente reduzido.

Por não fornecer interfaces amigáveis de conexão e, muitas vezes, por conter módulos altamente acoplados, estes sistemas acabam dificultando ou impedindo a troca. O mesmo ocorre ao serem realizadas customizações, que também impedem a evolução. Esses sistemas rígidos se tornam então grandes obstáculos para a entrega de novas demandas. E é neste cenário que encontram-se hoje a maioria dos sistemas legados das empresas.

  1. Sistemas altamente acoplados

Quando os sistemas rígidos são vistos no contexto de comunicação com outros sistemas (rígidos ou não), o problema fica ainda maior. Agora, o elemento de dependência atravessa a barreira de um único sistema e passa a contaminar toda uma organização. Essas dependências podem estar relacionadas ao modelo de dados, tecnologia, desempenho, lógica e ou segurança.

Esse emaranhado de sistemas acaba gerando o anti-padrão também conhecido como “bola de lama”, que significa um sistema sem uma estrutura reconhecível, formado pelo alto acoplamento de sistemas que praticamente impedem qualquer evolução.

O caos gerado por esse alto acoplamento de sistemas e pelas dependências, acaba minando as próprias equipes envolvidas nos projetos, pois ao serem desaceleradas pelo excesso de pontos de controle, testes integrados e efeitos colaterais, perdem o entusiasmo trazido por uma entrega que poderia ter sido impactante, mas que se arrastou por muito tempo. Soma-se a isso as diferentes linguagens, protocolos e tecnologias dos sistemas, que também contribuem para complicar o cenário.

3. Longos e arriscados projetos

Para implementar mudanças demandadas pelo negócio, as empresas se deparam com desafios gigantescos. Essas mudanças, em geral, afetam toda a cadeia de dependências entre os sistemas, criando complexidade e aumentando demasiadamente o risco.

Isso gera a necessidade de longos processos para garantir que as alterações não colocam os processos existentes em risco, gerando aversão à mudança por parte de todos os envolvidos. Dessa forma, a empresa se congela temendo as mudanças e gerando um lockdown de inovação.

Alguns exemplos de projetos que possuem tal magnitude são: migrações de ERPs, Merge & Acquisitions, mudanças legais, expansão internacional, criação de novos canais de atendimento, entre outros.

Porém, projetos nesse formato tomam tempo demais e no mundo veloz em que vivemos, esse tempo não existe mais. Cada passo e cada utilização de recursos é crítica, e descobrir onde avançar e liberar valor tecnológico é essencial.

4. Projetos longos tomam todo o backlog de TI

O artigo Unleashing de value in the long tail of your IT project backlog contextualiza o fato de existirem diversos projetos que poderiam trazer rápido retorno para as organizações, mas que ficam parados no backlog de TI devido os grandes projetos que recebem mais atenção, tomarem todos os recursos.

Por mais que esses grandes e estruturantes projetos tenham visibilidade e, muitas vezes, o domínio dos recursos, é importante reconhecer que eles são o principal obstáculo da TI para a evolução das organizações. Lembram-se da dívida técnica? Pois bem, esses projetos em geral são grandes acumuladores de dívida técnica que eventualmente terá que ser paga.

Por um lado, é imprescindível que eles aconteçam, pois são eles que vão tornar as empresas mais ágeis quando forem concluídos. Em compensação, a falta de uma arquitetura que sustente essa evolução cria uma espécie de efeito “ovo-e-galinha”, gerando uma dependência circular que impede a continuidade. Dessa forma, os projetos que podem trazer valor rápido aos clientes, acabam ficando presos em backlogs e não recebem a devida atenção.

Backlog               Long-tail

Esses grandes projetos, que sempre reconhecemos como estruturantes nas empresas, acabam impedindo que projetos menores, de alto impacto e muitas vezes departamentais cheguem às mãos dos clientes trazendo valor imediato.

O fato surpreendente sobre isso é que na maior parte dos casos, as organizações já possuem o que é necessário para explorar esses projetos menores. Porém, pela sua estrutura baseada em silos, a experiência recebida pelos clientes é desconectada e pouco fluida.

O que os clientes na verdade precisam é de uma experiência única, sem obstáculos e que entregue o que eles precisam para atender às suas demandas sem atritos.

Assim, temos de um lado os projetos estruturantes, que precisam ser encarados sob uma nova perspectiva onde sua complexidade possa ser abstraída por uma arquitetura mais moderna. De outro lado, temos os projetos menores e de alto impacto que surgem das capacidades já existentes nas organizações porém, recombinadas em novos modelos de negócio.

A seguir, veremos como a habilidade de integração, e uma arquitetura moderna que a sustente, é fundamental para construir o novo modelo de organizações dinâmicas e componentizadas.

Negócios Componentizados

Além da crescente demanda por entrega de inovação, a realidade em que vivemos também exige a capacidade das organizações se conectarem melhor, se complementarem.

A ideia de que as organizações são grandes ilhas, isoladas dos demais e completamente autônomas, já não faz mais sentido. As novas organizações são aquelas que conseguem rapidamente se conectar no ecossistema digital, ampliar suas capacidades e oferecer melhores experiências para os seus clientes.

Um mundo altamente plugado, onde tudo acontece em tempo real e está em constante mudança, exige ações imediatas. Diante disso, o conceito de “Composable Business” está mais em pauta do que nunca.

Esse conceito reforça que as organizações precisam ser capazes de participar e convidar novos players para o seu ecossistema. E essa dinâmica muitas vezes acontece da noite para o dia.

Um exemplo disso, é o caso da liberação do meio digital de pagamentos “PIX”, no Brasil. A corrida por conectar-se com este sistema foi de suma importância para que os varejistas se mantivessem relevantes e não perdessem negócios.

Integrar é mais relevante que nunca

As organizações precisam construir estruturas que permitam habilitar a conectividade interna e externa. A cada dia há um crescimento exponencial no número de conexões, e se antes elas eram observadas em ordem de magnitude de centenas, agora podemos observá-las em ordem de magnitude de milhares.

E não somente as conexões são importantes, mas a capacidade de rapidamente se reconectar. Muitos cenários representam exatamente o desafio vivido diariamente pelas empresas, entre eles:

  • troca de parceiros de negócio;

  • aplicação de um novo algoritmo de recomendação;

  • inclusão de um novo modelo anti-fraude no processo de vendas;

  • abertura de um novo canal de atendimento;

  • inserção de um parceiro de logística no processo de entrega de mercadorias.

Todos estes desafios resumem-se a um problema clássico, a integração. Um processo fundamental para a transformação bem-sucedida das organizações em um contexto marcado pela necessidade de conectar múltiplos pontos de maneira dinâmica e versátil.

No entanto, integração não é um problema novo em tecnologia. Ela já passou por diversas fases até chegar ao que temos hoje. As fases anteriores foram marcadas pela evolução das integrações ponto-a-ponto, passando pelos barramentos de serviço (SOA), e chegando nas APIs, que foram fundamentais para a evolução das organizações.

No entanto, o dinamismo do mundo atual não é compatível com a solução ofertada por essas metodologias, exceto pelas APIs, que foram trazidas mais recentemente e desempenham um papel fundamental para uma melhor comunicação entre sistemas e organizações. As demais tecnologias não conseguem suportar o ritmo de negócio imposto pelo mercado.

O problema dessas tecnologias tradicionais é que elas levaram o nome “integração” muito ao pé da letra. Integração é sinônimo de consolidação, homogeneização, combinação, união. Todas essas palavras remetem a um excesso de centralização dessas tecnologias, o que acabou gerando um novo monolito.

E para atacar esse problema, precisamos de uma nova abordagem que reconheça a mudança como algo perene. É fundamental construir uma arquitetura que aceite a mudança como algo inevitável.

Até agora vimos como o papel da arquitetura pensada para mudanças ataca o problema fundamental das organizações, a rigidez. Agora, veremos os 3 principais ingredientes para a construção de uma arquitetura que sustente o novo modelo dinâmico, amigável às mudanças e condizente com a realidade a qual estamos imersos.

Os 3 ingredientes

Ingrediente 1: Stack Tecnológico

O stack tecnológico faz total diferença para tornar as organizações mais ágeis e dinâmicas. É nele que se concentram os elementos técnicos básicos para entregar a flexibilidade necessária para se adaptar.

Se tomarmos como exemplo os grandes vencedores digitais, todos eles investiram tempo e recursos na construção do correto stack tecnológico. Além disso, não basta construir esse stack, é importante mantê-lo relevante e atual.

Um bom stack tecnológico prevê pontos de extensão, reconhece que mudanças serão cotidianas e trata-as da maneira mais simples possível, fazendo com que os usuários não sejam avessos a elas. Além disso, reduz a complexidade ao aplicar processos automatizados e governados por boas práticas. E finalmente, entrega camadas de segurança que guiam os usuários para a construção de integrações com risco mínimo.

Uma arquitetura moderna de integração precisa de um stack tecnológico bem definido. A seguir, apresentamos as 3 principais características para esse stack:

Cloud-Native

O termo Cloud-Native foi criado para definir as arquiteturas que se baseiam em estruturas modernas disponibilizadas pela infraestrutura em nuvem, capazes de entregar aplicações mais resilientes, dinâmicas, disponíveis e escaláveis.

Essa arquitetura tipicamente se apóia em novas tecnologias como containers, Kubernetes, estruturas serverless de nuvem e adotam fortemente princípios como DevOps, infraestrutura declarativa e imutável. A arquitetura foi definida para suportar um ritmo frequente de entrega de novas features em aplicações e, ao mesmo tempo, mantê-las estáveis e disponíveis.

A importância desse novo modelo para o universo de integração é permitir um maior dinamismo, independência e escalabilidade em cada um dos fluxos definidos. Em contraste com as arquiteturas anteriores, monolíticas e rígidas, este novo modelo é mais granular.

Dessa forma, as integrações podem ser definidas, utilizadas e escaladas de maneira completamente independente das demais, de acordo com a necessidade de negócio.

Ao utilizar políticas de segurança e de gestão de recursos individuais, cada integração recebe uma cota e permissão de uso da infraestrutura. Assim, integrações mal comportadas não afetarão as demais. No quesito segurança, o nível de isolamento pode ser feito para cada tipo de serviço que a integração deverá acessar, impedindo assim que brechas de acesso sejam abertas.

Ao serem definidas como microsserviços, as integrações se tornam domínios limitados (bounded contexts), cuja única função é aquela para a qual foram desenhadas. Isso evita efeitos colaterais indesejados como o cascateamento de dependências com outros serviços.

Por outro lado, ao utilizar conceitos como comunicação baseada em eventos, as integrações podem reagir a situações específicas sem criar acoplamento desnecessário.

Outro ponto importante é relacionado à monitoração. Observabilidade é um conceito emergente que define boas práticas para que essas estruturas altamente distribuídas possam ser visualizadas, tanto internamente quanto no momento em que conversam entre si.

O stack tecnológico cloud-native já nasce com observabilidade e, por isso, permite um entendimento completo do fluxo que está entregando.

Abstrair a complexidade

Por outro lado, o Stack Tecnológico precisa abstrair a complexidade. Abstrair significa colocar uma camada que mascara ou diminui a necessidade de executar tarefas ou conhecer detalhes intrínsecos da operação do stack tecnológico. Aqui estamos falando, por exemplo, da própria codificação, que pode ser substituída por elementos no-code ou até mesmo low-code.

Ao substituir a codificação desnecessária, o stack ajuda o usuário a focar naquilo que realmente importa, além de reduzir drasticamente a necessidade por depuração, manutenção, operação e evolução deste código.

A complexidade muitas vezes está ligada às boas práticas necessárias para manter a arquitetura coesa e dentro de padrões. O stack tecnológico deve focar incansavelmente na definição desses padrões robustos e ajudar o usuário a segui-los.

É importante ressaltar que todo stack necessita de ajustes. Existe uma complexidade muito grande no entendimento dos diferentes tipos de ajustes existentes em stacks abrangentes. Podemos mencionar desde ajustes relacionados à performance, quanto aos limites impostos e diferentes maneiras de uso.

Finalmente, um stack tecnológico precisa sustentar o dinamismo e a diversidade das integrações e deve prover mecanismos de ajuste automático, de modo a facilitar a adoção e utilização por parte dos usuários.

Segurança 

Segurança é uma habilidade fundamental nas organizações. A alta exposição de serviços através da explosão exponencial no número de conexões, aumentou ainda mais a superfície de contato com o mundo externo, colocando ainda mais as organizações em risco. As integrações têm um papel fundamental nessa explosão de conexões e garantir a segurança delas é crítico.

Por isso, um stack tecnológico que possa sustentar a arquitetura moderna, deve prover segurança embarcada por todo o ciclo de vida das integrações. Desde a definição dos fluxos, até a execução e monitoração, todo o processo deve ser devidamente governado.

O controle de credenciais, a gestão de dados sensíveis, a validação da idoneidade dos workloads, a segregação de execuções, ambientes e papéis são alguns dos exemplos de pontos de controle que precisam ser cuidadosamente protegidos.

Recentemente, a preocupação com dados de pessoas físicas que estejam atrelados às leis de proteção de dados específicas às localidades onde são coletados, também se tornou um ponto de extrema atenção para as empresas.

O stack tecnológico deve permitir que os mecanismos de gestão de privacidade sejam reforçados e atendidos corretamente. Temas como o direito de ser esquecido ou mesmo a capacidade de uma organização reconhecer, catalogar e, sob demanda do usuário, eliminar os dados coletados,  são imprescindíveis para o correto atendimento das novas exigências legais.

Ingrediente 2: Amigável a conexões

O próximo ingrediente para uma arquitetura moderna de integração está relacionado à conectividade tanto interna quanto externa à organização. Como já mencionamos, o número de conexões crescerá exponencialmente e isso demandará uma nova maneira de interagir com os diferentes pontos de contato.

Tradicionalmente, conexões entre sistemas e até mesmo entre organizações eram feitas de forma ad-hoc e especializada. Empresas surgiram com a única tarefa de “comercializar” as conexões.

Desse universo de empresas, podemos considerar, por exemplo, aquelas que entregam o conceito de VANs. Elas acabaram por abocanhar um pedaço do mercado que era carente por conexões e com o advento das APIs, essas conexões se tornaram mais simples, porém ainda não se tornaram naturais.

Uma arquitetura de integração moderna deve permitir e facilitar a conexão entre os diferentes players. Um bom exemplo desse tipo de facilitação são os recentes portais de APIs, eles certamente trouxeram uma nova maneira de expor os serviços que as empresas possuem, de maneira digital e consumível através dessas interfaces.

No entanto, em um mundo competitivo, é importante entender que irá ganhar quem oferecer a melhor experiência. Por esse motivo, as empresas devem investir em mecanismos que facilitem a construção dessas conexões digitais. Aqui, os portais fazem seu papel e certamente continuarão a moldar o mercado. Entretanto, empresas que oferecem serviços prontos, facilmente consumíveis e integráveis, certamente sairão na frente.

As arquiteturas modernas de integração precisam:

  • convidar o ecossistema a fazer parte;

  • prover facilidades como sandboxes de construção de integrações;

  • prover pacotes de integrações prontos e serviços auto-documentados e prontos para uso;

  • utilizar marketplace para busca, publicação e subscrição de serviços.

Ingrediente 3: Acelerador de times

Finalmente, como terceiro ingrediente para uma arquitetura de integração moderna, temos a característica de aceleração dos times.

Toda organização busca entregar mais rápido, com maior qualidade e gerando o máximo de valor para seus clientes. Vimos aqui, que esses objetivos esbarram nas dificuldades impostas pela arquitetura rígida e acoplada que a maioria das empresas possui. Outro ponto que abordamos também é que o stack tecnológico e a abstração de complexidade são ingredientes fundamentais para a base da arquitetura moderna de integração.

E o que falta nessa equação é justamente quem faz a engrenagem funcionar. Os times envolvidos na entrega de inovação, desejam executar da maneira mais ágil e com a menor quantidade de impedimentos possível. No entanto, são freados pelos obstáculos impostos pela complexidade e aversão a mudanças que atingem as organizações.

O que a metodologia ágil nos ensinou é que equipes independentes, autônomas, auto-gerenciáveis e motivadas conquistam grandes e ambiciosos objetivos. Não é de se estranhar, já que quem de fato executa as tarefas determinadas pelo corpo estratégico das organizações são exatamente essas equipes.

Dessa forma, uma arquitetura moderna de integração precisa:

  • facilitar o trabalho das equipes;

  • prover mecanismos que façam com que a informação flua constantemente;

  • permitir que a construção das integrações aconteça de forma colaborativa, visto que esse é um processo inerentemente social.

As equipes devem ter autonomia para que assumam seus escopos de atuação como produtos a serem entregues. Com isso, essas equipes acabam construindo uma relação de propriedade com aquele produto, tomando melhores e mais duradouras decisões.

Assim como o produto de uma equipe possui um fim específico, ele também deve ser pensado como uma ponte para que outras equipes ou até mesmo organizações se beneficiem. Por exemplo, uma equipe designada a cuidar do produto de crédito de uma instituição financeira, deve não somente tratar dos temas inerentes ao produto em si, mas também como ele poderia ser usado por outras equipes da instituição ou até mesmo por outras organizações.

A partir disso, são agregados conceitos de APIs como produto e até mesmo dados como produto.

Ao focar na estrutura de organização dos times e como torná-los mais independentes, acabamos por solucionar um grande obstáculo de inovação nas empresas. Tornamos esses times capazes de entregar valor mais rápido e aumentamos a confiança e a motivação para que a inovação possa fluir e chegue o mais cedo possível aos clientes.

Arquitetura de integração moderna

O que é, então, uma arquitetura de integração moderna?

Como vimos, a arquitetura para sustentar o dinamismo e a flexibilidade do mercado atual requer um novo stack tecnológico e uma grande preocupação com o ecossistema e com a independência e autonomia das equipes.

  

E o que garante a nomenclatura de arquitetura de integração moderna são as seguintes características:

  • essa arquitetura segue padrões de design que entregam uma excelente experiência aos usuários através de interface intuitiva e facilitada por baixa dependência de código;

  • é fundamentada nos preceitos de nuvem, bem como nos novos modelos de aplicações baseadas em microsserviços isolados, coesos e desacoplados;
  • é executada em infraestrutura de containers com orquestradores como Kubernetes, o que aumenta dramaticamente sua escalabilidade, resiliência e facilidade de operação;

  • funciona sobre um conceito de service mesh, onde os serviços são conectados de forma declarativa, com pouco ou nenhum código e abstraídas de complexidades inerentes à infraestrutura onde estão sendo executadas;

  • provê capacidade de conexão com as mais diferentes tecnologias e protocolos do mercado, além de permitir a extensibilidade para que novas tecnologias sejam facilmente plugadas na arquitetura conforme o mercado evolui;

  • governa as conexões de forma transparente, com boas práticas e segurança, além de criar um ambiente colaborativo para a troca de informações entre as equipes durante a construção, execução, monitoração e evolução das integrações;

  • entrega capacidade de gestão, monitoração e observabilidade de maneira nativa, sem qualquer esforço adicional para isso;

  • fornece as principais características de uma arquitetura orientada às integrações, que vai desde a manipulação e transformação de dados até a orquestração e coreografia dos diferentes fluxos;

  • entrega os principais mecanismos de comunicação como os baseados em APIs, arquivos, mensageria, e-mail, entre outros, além de suportar os novos mecanismos como eventos e streaming, que são importantíssimos para entregar uma nova capacidade para as organizações, que é a reação em tempo real. Tradicionalmente, as organizações respondiam de maneira demorada através de longos batches que atualizavam sistemas. No entanto, as empresas mais modernas precisam reagir no momento em que a informação é gerada ou coletada.

Ao adotar uma arquitetura de integração moderna, como a que foi definida neste artigo, as organizações acabam por implementar um novo “sistema operacional” que permitirá maior velocidade, agilidade e flexibilidade nas entregas, sem comprometer a segurança, fundamental para o momento atual e para todos os projetos.

CTA: 

Na Digibee, estamos comprometidos com a visão desta arquitetura moderna de integração. Construímos uma Plataforma de integração que ajuda as empresas a se conectarem melhor, com total segurança e com o mínimo de complexidade. Nossa Plataforma híbrida de integração nasceu sob os conceitos descritos neste artigo, entregando uma arquitetura flexível para que nossos clientes possam focar nos seus negócios e ao mesmo tempo adquirir as capacidades cruciais para um novo mercado exigente e dinâmico.