“Eu prometo não desconsiderar nenhuma ideia baseada em sua origem, mas considerar ideias vindas de todas as escolas e tradições com o objetivo de encontrar aquelas que melhor se encaixem em cada situação.”
Embora os princípios dos “light-weight methods” tenham se desenvolvido nos anos 90, em oposição aos processos de software percebidos como pesados, burocráticos e pouco flexíveis, foi em 2001 que o termo “Métodos Ágeis” foi cunhado e seus 12 princípios enunciados no famoso “Manifesto Ágil“. De lá pra cá, o “Agile” ganhou muitos adeptos e grande força, passando inclusive a fazer parte da literatura tradicional de Engenharia de Software, como o capítulo 4 do livro Software Engineering: A Practitioner’s Approach, do Pressman, 6ª Edição.
Infelizmente vemos recorrentemente na história movimentos que acabam tomando um rumo diferente daquele imaginado inicialmente pelos seus idealizadores. Isso ocorre na política, na religião, e também na comunidade de desenvolvedores de software.
À medida que as metodologias ágeis ganhavam novos adeptos, alguns agilistas passaram a assumir um comportamento muito próximo de um fanatismo religioso. Para eles, os desenvolvedores, as empresas e seus métodos eram sempre rotulados de “ágil” (bom) ou “não ágil” (mau). Daí seguiram-se inúmeras discussões do que é ou não “ser ágil de verdade”, ou se um método continua sendo ágil se a ele for incorporado um cronograma ou um gráfico de Gantt, por exemplo. Infelizmente todo esse lixo só tem gerado descrédito, fazendo com que nós, que apoiamos os princípios ágeis, até mesmo tenhamos de evitar o uso do termo “Métodos Ágeis” por causa de uma imagem distorcida que está sendo gerada.
Recentemente Alistair Cockburn, um dos 17 autores do “Manifesto Ágil”, publicou o que ele chamou de “Juramento de Não-Lealdade”. Seu objetivo foi de por fim no infantil fanatismo desses ferrenhos pseudo-agilistas . Alistair disse o seguinte:
“Estou cansado de pessoas de uma escola de pensamento atacando ideias de uma outra escola de pensamento. Estou ansioso por pessoas que não se importam com a origem das ideias, e sim com o seu significado e o que elas são capazes de produzir. Então eu proponho um ‘Juramento de Não-Lealdade’ (The Oath of Non-Allegiance) :
Eu prometo não desconsiderar nenhuma ideia baseada em sua origem, mas considerar ideias vindas de todas as escolas e tradições com o objetivo de encontrar aquelas que melhor se encaixem em cada situação.
Isto significa o fim de afirmações como ‘Isto não é bom, isto não é ágil puramente orientado a objeto, etc’, mas sim a discussão sobre se a ideia em questão (uma impura plan-driven ágil ou qual seja) funciona bem nas condições do momento.
E eu serei o primeiro a assinar.Alistair”
Embora isso possa parecer muito óbvio a qualquer ser humano razoavelmente equilibrado, assino com Alistair, pois espero que essa manifestação, vinda de um dos “apóstolos” do Agile, esfrie um pouco os ânimos dos mais extremados. Mas, cá entre nós, sempre haverá fanatismos. Como diz um amigo meu, tolos eram mil, morreram dois mil, e ainda sobraram três mil. É que a tolice se multiplica com muita agilidade, digo, velocidade.
A propósito, o Alistar incluiu essa versão do “Juramento de Não-Lealdade” em seu site, fazendo uma referência ao post no blog da Qualidata, empresa onde sou diretor executivo. Foi bem bacana ele ter incluído nossa tradução como “oficial”.







